O dia 17 de dezembro é especial para todo torcedor do Botafogo. Afinal de contas, a data remete ao dia em que o Alvinegro garantiu o histórico Campeonato Brasileiro de 1995. O Alvinegro, treinado por Paulo Autuori, empatou com o Santos por 1 a 1 no Pacaembu no jogo da volta (venceu a ida no Maracanã por 2 a 1) e abocanhou o inesquecível troféu.  Nesta quinta-feira, o clube celebra os 20 anos da conquista do maior título de sua história. Mas o caminho para a conquista da taça foi árduo. Até o apito final de Márcio Rezende de Freitas naquele fim de tarde de domingo, o clube teve que lidar com vários desafios. O maior deles foi a grave crise financeira. O dinheiro era escasso e os salários sempre estavam atrasados. A possibilidade de investir em um grande time era baixa. A falta de estrutura também foi um problema, já que as condições de trabalho no estádio Caio Martins não eram das melhores.

Dentro do elenco, o principal jogador do time, Túlio, tinha divergências com outros importantes nomes do plantel, como Gottardo e Sérgio Manuel. Às vésperas do início da temporada, o atacante por pouco não deixou o Botafogo. Isso porque, no dia da reapresentação do time, Túlio não apareceu para treinar porque estava em Goiânia, o que deixou o presidente Carlos Augusto Montenegro furioso. Taxado de mau caráter, o craque ameaçou deixar a delegação e o Corinthians por um triz não foi seu destino. A negociação só não aconteceu porque o presidente bateu o pé e não o vendeu. Para a sorte de todos os botafoguenses: Túlio marcou 23 gols, incluindo dois nas finais, e terminou o Brasileirão como artilheiro da competição.

Outro fator de desconfiança envolvia o técnico Paulo Autuori. À época, o currículo do carioca não era tão prestigioso como é atualmente. Muito pelo contrário: sem grandes experiências na carreira, Autuori necessitava derrubar as incógnitas que partiam da própria torcida. Somado as dificuldades fora de campo, Paulo Autuori precisou superar a falta de entrosamento dentro das quatro linhas. A equipe não estava cotada para conquistar a competição, mas acabou conseguindo superar tudo para faturar o título.

“Ninguém imaginava que o Botafogo poderia chegar aonde chegou no início do ano. Foi uma situação inesperada. Mas todos estavam prontos para superar as adversidades. Foi muito justo a maneira como conseguimos conquista o título e alcançar o sonho que, no começo, era inimaginável. Tenho uma gratidão eterna. Vou até o final da minha vida com ela. Toda vez que puder dizer obrigado à torcida e ao clube irei dizer. Não tenho palavras para descrever aquele momento”, contou Autuori.

Na época, a saída para vencer as dificuldades salariais foi combinar que a renda das partidas serviria para pagar o “bicho”. Desta maneira, somente vencendo que o grupo seria recompensado. No Brasileiro de 1995, o Botafogo atuou em Fortaleza (contra o Flamengo), João Pessoa (contra o Internacional) e Vitória (contra o Fluminense).

“Tivemos vários jogos que foram incríveis. Talvez, o maior foi o contra o Flamengo no Ceará (vitória por 3 a 1). Mas, certamente, o último jogo, o nervosismo no segundo tempo, coroou todo um trabalho muito sério. Foi muito bacana. O título tinha que ser nosso. Foi um trabalho muito sério para voltar a sede e aquilo foi uma recompensa. Deus nos ajudou e ninguém se machucou. Foi ótimo. Competência de todo elenco, da comissão técnica, da diretoria. Também teve sorte”, comentou Montenegro.

O time-base do Botafogo em 1995 era Wágner; Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Gonçalves e André Silva; Jamir, Leandro, Beto e Sérgio Manoel; Donizete (Pantera) e Túlio. Em 27 jogos, o time venceu 14, empatou nove e perdeu quatro. Marcou 46 gols e sofreu 25. No mata-mata, eliminou o Cruzeiro na semifinal e bateu o Santos na grande decisão.

Fonte: Site da Rádio Tupi