Airton foi um dos poucos que se salvaram e mostrou muita raça (FOTO: SSPress)Airton foi um dos poucos que se salvaram e mostrou muita raça (FOTO: SSPress)

A reestreia de Vanderlei Luxemburgo no comando técnico do Flamengo foi com o pé direito. Em um clássico de pouca técnica e raras emoções, o Rubro-Negro contou com um gol de Alecsandro ainda no primeiro tempo para vencer o Botafogo por 1 a 0 e deixar a lanterna do Campeonato Brasileiro após duas rodadas, ainda que permaneça na zona de rebaixamento. O time da Gávea não vencia havia oito partidas.

O gol da noite saiu na marca de 32 minutos: em um raro momento de clareza no meio de campo, Mugni abriu para João Paulo, que projetava-se às costas de Edilson, em noite ruim. O lateral rubro-negro cruzou com precisão e Alecsandro cabeceou firme para vencer Jefferson, que sequer trabalhara no jogo até então.

Agora com 10 pontos em 12 partidas, o Fla abre o Z-4, um ponto atrás do 16º Vitória. O Botafogo aparece em 13º, com 12, e se vê bem perto da zona da degola.

O Flamengo volta a campo às 16h (de Brasília) do próximo domingo, contra a Chapecoense, na Arena Condá. No sábado, o Botafogo recebe o líder Cruzeiro, às 18h30, novamente no Maracanã.

O jogo

De um lado, havia a preocupação com a lanterna do Campeonato Brasileiro e a reestreia do técnico Vanderlei Luxemburgo. Do outro, a busca pela primeira sequência de vitórias na competição, e um afastamento da zona de baixo da tabela. Motivação não faltava nem para Flamengo, nem para Botafogo.

O que faltou foi técnica. E o resultado foi um início de jogo muito corrido, brigado, disputado, mas com poucas chances de gol ou lances de efeito. Os dois lados adiantavam a marcação, mas ninguém conseguia reter a bola, e o meio de campo era terra de ninguém.

Quem conseguiu a primeira boa escapada foi o Botafogo. Carlos Alberto fez jogada individual pelo meio e lançou Emerson na direita. O Sheik, que chegou a ser dúvida para o clássico, finalizou e encontrou as redes, mas pelo lado de fora. Enfim, ecoaram os primeiros gritos de “uh” da torcida alvinegra, que era inferior em número nas arquibancadas do Maracanã.

Jefferson era mero espectador até então, e só vira a bola de perto em uma cabeçada sem perigo de Alecsandro após cruzamento de João Paulo. Mas a combinação entre o lateral e o atacante rubro-negros voltou a funcionar e, desta vez, resultou em gol.

Mugni abriu para João Paulo na esquerda, nas costas de Edílson, que fazia má partida na sua “reestreia” após a Copa do Mundo. O camisa 16 cruzou com perfeição, e Alecsandro cabeceou com violência. 1 a 0 Flamengo e muita comemoração do artilheiro, com tapas no braço e cara feia.

O gol desorientou o Botafogo e empolgou o Flamengo, que começou a encontrar espaços no meio de campo. Mugni saiu cara a cara com Jefferson após falha de Bolívar, mas Dória salvou o Botafogo com carrinho preciso. Luiz Antônio fez jogada individual pela direta e chutou, mas Jefferson foi firme na sua primeira intervenção da partida, pouco antes do intervalo.

Após um primeiro tempo de muita reclamação do técnico Vagner Mancini na beira do gramado, o Botafogo voltou para a etapa final com Zeballos no lugar de Bolatti e um meio, em tese, mais ofensivo.

Os minutos iniciais, de fato, mostraram um time mais disposto a agredir o Flamengo. Mas a inspiração seguia em baixa. Quem deu o primeiro susto foi o Flamengo, que encaixou contra-ataque com Mugni e Everton. O camisa 22 bateu cruzado e Jefferson, mais uma vez, pegou firme.

As emoções e a técnica seguiam em dívida com a torcida no Maracanã. Com o placar favorável e o jogo sob controle, Luxemburgo promoveu a estreia do volante argentino Canteros na vaga do meia Mugni, seu compatriota. Negueba também entrou para ser o homem da “correria” no lugar de Paulinho.

No Botafogo, Mancini sacou Yuri Mamute, outro que ia mal, e reforçou ainda mais o seu meio de campo com o jovem Daniel. Mas o tempo foi passando e o Alvinegro não conseguia criar chances concretas.

Em vez disso, o que apareceu no Maracanã foram as confusões. Um gandula foi expulso pelo árbitro após demorar para repor a bola. Alecsandro, Airton, Cáceres, Emerson Sheik e Edílson receberam cartões amarelos, e os dois últimos poderiam facilmente terem sido expulsos.

A última cartada alvinegra foi a entrada de Wallyson no lugar de Carlos Alberto, cansado. O time foi para o “abafa”. Daniel isolou, e Zeballos também errou o chute. O zagueiro Marcelo, que estreava pelo Fla, até tentou “ajudar” o rival com uma falha bisonha, mas Paulo Victor evitou o gol de Zeballos, e a arbitragem pegou impedimento na sequência do lance.

No lado do Flamengo, que pouco criava, Gabriel chegou a marcar, mas também foi parado por impedimento. Praticamente no último lance do jogo, Cáceres calçou Emerson Sheik e, enfim, inaugurou a lista de cartões vermelhos da partida. Jefferson foi para a área tentar a cabeçada, mas Paulo Victor encaixou a tentativa de chute direto.

Ficou nisso: um 1 a 0 de muito coração e pouca, muito pouca técnica. Festa da torcida rubro-negra, que, enfim, teve motivos para sorrir após comparecer em excelente número ao Maracanã, e preocupação para o Botafogo, que se vê cada vez mais próximo do rival na zona da degola.

FICHA TÉCNICA:
FLAMENGO 1 X 0 BOTAFOGO

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 27 de julho de 2014, domingo
Horário: 18h30 (de Brasília)
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (Fifa-GO)
Assistentes: Fabrício Vilarinho da Silva (GO) e Bruno Raphael Pires (GO)
Renda e público: R$ 1.499.250,00 / 43.412 pagantes / 52.378 presentes
Cartões amarelos: Léo Moura e Alecsandro (Flamengo); Carlos Alberto, Edílson, Emerson e Airton (Botafogo)
Cartão vermelho: Cáceres (Flamengo)
Gol: Alecsandro, aos 32 minutos do primeiro tempo

FLAMENGO: Paulo Victor; Léo Moura, Wallace, Marcelo e João Paulo; Cáceres, Luiz Antônio, Everton (Gabriel) e Mugni (Canteros); Paulinho (Negueba) e Alecsandro.
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

BOTAFOGO: Jefferson; Edilson, Bolívar, Dória e Julio Cesar; Airton, Bolatti (Zeballos), Gabriel e Carlos Alberto (Wallyson); Yuri Mamute (Daniel) e Emerson Sheik.
Técnico: Vagner Mancini.

 

Fonte: ESPN.com.br