Juntos, os 20 clubes da elite do futebol brasileiro representam 80% de toda a movimentação financeira do futebol brasileiro, tendo gerado um volume recorde de R$ 5,05 bilhões em 2017, mas isso não significa que a saúde financeira de todos “vai bem, obrigado”.

É o que revelam os dados da Sport Value, empresa especializada em marketing esportivo, branding, patrocínios, avaliação de marcas e de propriedades esportivas, cuja análise foi assinada por Amir Somoggi, especialista em gestão e marketing esportivo.

De forma geral, em 2017, os clubes conseguiram aumentar as receitas com transferências de jogadores (40%), com patrocínio (27%), com sócios (17%) e com bilheteria (9%). Mas as receitas de TV, que representam a fatia maior de tudo, caíram 18%.

Diante desses dados, o ESPN.com.br fez um raio-x das finanças dos 12 maiores clubes do Brasil. Veja:

RECEITAS

Metade dos doze grandes do país conseguiram aumentar suas receitas totais de 2016 para 2017, sendo o Botafogo a equipe que teve a maior variação (aumento de 75%), com um salto de R$ 160,1 milhões para R$ 280,5 milhões.

“O Botafogo tem feito a sua lição de casa, repetindo um pouco a fórmula que o Flamengo adotou há alguns anos, embora sem a mesma massa para o impulsionar. Aumentou a receita, diminuiu os gastos e reduziu a dívida. Mas o caminho é longo”, disse Somoggi.

Um das receitas que favoreceu o clube da Estrela Solitária foi de direitos de transmissão, uma vez que o clube participou da Copa Libertadores de 2017, iniciando na fase preliminar e parando nas quartas de final.

O Cruzeiro é o segundo clube com maior aumento de receita, com 44%. E a equipe mineira apresentou o balanço sem ele ter sido aprovado pelas instâncias internas, fruto de uma polêmica criada pelo presidente do conselho celeste, Zezé Perrella, que alegou que o órgão que dirige não havia recebido as informações no prazo correto.

De qualquer forma, o principal fator que elevou tanto a arrecadação cruzeirense foi o aumento com publicidade e direitos de TV, saindo de R$ 130,9 milhões em 2016 para R$ 177,1 milhões em 2017.

Outros dois clubes que chamaram a atenção por terem aumentado bem suas receitas foram o Flamengo e o São Paulo.

O clube rubro-negro saltou de R$ 510,1 milhões para R$ 648,7 milhões (aumento de 27%), turbinada especialmente com a negociação do atacante Vinícius Júnior com o Real Madrid. Já a equipe tricolor saltou de R$ 391,4 milhões para R$ 480,1 milhões. O destaque principal foram a negociação de jogadores, o que rendeu aos cofres tricolores a soma de R$ 189 milhões.

Entre os que mais perderam receitas, destaca-se o Fluminense, com uma queda de 28%.

DÍVIDAS

Citado acima, o Fluminense aparece na análise como o segundo clube que mais aumentou a dívida de 2016 para 2017, subindo 12% – de R$ 501,8 milhões para R$ 560,7 milhões.

No entanto, a surpresa é o líder deste “ranking”, que é o Palmeiras, justamente o clube que tem uma parceria milionária com a Crefisa/FAM. Apesar disso, a equipe registrou dívida de R$ 462 milhões em 2017, um aumento de 17% em relação ao ano retrasado.

A explicação tem a ver com a parceria.

“O Palmeiras vive uma solidez financeira. Fechou o ano com superávit, cada vez mais tem números impressionantes de arrecadamento, mas o Palmeiras tem um modelo diferente dos outros clubes. Tem um parceiro que ajuda muito e com isso houve a questão da receita federal, que, querendo ou não, impactou em nova dívidas. Um exemplo, a antecipação de contratos saltou de R$ 18 milhões em 2016 para R$ 43 milhões em 2017”, afirmou Somoggi.

Cinco dos doze grandes do país, contudo, conseguiram finalizar a última temporada diminuindo o valor da dívida. Neste cenário, o destaque é o Flamengo, que conseguiu reduzir 27% do total da sua dívida. Passou de R$ 460,6 milhões para R$ 335 milhões.

“O melhor modelo entre os grandes é o do Flamengo. O clube vem trabalhando para diminuir a dívida, que já chegou a ser de R$ 803,7 milhões em 2012. Mas no Brasil o melhor modelo é o da Chapecoense, que está na Série A e não tem dívida alguma”, disse Somoggi.

GASTOS

A equipe que mais títulos relevantes obteve em 2017 foi o Corinthians, com as conquistas do Estadual e do Campeonato Brasileiro, mas isso não significa que tenha sido o clube que mais gastou com o futebol.

Em termos de despesas nesse departamento, o time alvinegro foi apenas o quarto, com um gasto total de R$ 278 milhões.

Outro clube de sucesso em 2017 foi o Grêmio, que alcançou o terceiro título da Copa Libertadores e foi vice-campeão do Mundial, perdendo a taça para o poderoso Real Madrid. Tudo isso sendo a quinta equipe com mais despesas no futebol: R$ 250,2 milhões.

Dos doze grandes, outros três clubes comemoram um título em 2017. Nenhum deles lidera o “ranking de despesas”.

O Flamengo gastou R$ 351,7 milhões e faturou o Estadual, além de ter sido vice da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. O Atlético-MG, que teve despesas de R$ 240 milhões, foi campeão do Mineiro e vice da Primeira Liga. Por fim, o Cruzeiro, que ganhou a Copa do Brasil e foi vice do Estadual, gastou R$ 219,8 milhões.

O Palmeiras foi o líder em gastos entre os grandes do Brasil: R$ 408,7 milhões. Em uma temporada que teve três técnicos (Eduardo Baptista, Cuca e Alberto Valentim), chegou a investir R$ 33 milhões somente para contratar o colombiano Borja e não ganhou títulos.

Fonte: ESPN.com.br