No dia 22 de novembro de 2003, o time dirigido por Levir Culpi venceu o Marília por 3 a 1, no Caio Martins, e carimbou sua volta à elite nacional com uma rodada de antecedência. Na noite deste sábado, às 21h, em Belém, o Botafogo inicia contra o Paysandu a segunda campanha de sua história para retornar à Série A. Doze anos se passaram desde que o alvinegro disputou a Série B pela primeira vez, mas o cenário inicial das duas campanhas é parecido em alguns pontos.

O fator casa é o mais importante deles. Em 2003, o Botafogo ampliou a capacidade do Caio Martins para 18 mil pessoas e fez do estádio seu alçapão. Em 2015, o Nilton Santos (Engenhão) será a única casa do time até o restante da temporada. A possibilidade de jogar no Maracanã já foi descartada pelo próprio presidente Carlos Eduardo Pereira após os altos custos para alugar o estádio na reta final do Carioca. A mudança de diretoria e uma política de gastos mais “pés no chão” são outros pontos comuns às duas campanhas.

Nas arquibancadas, o sentimento é um pouco diferente. Diretor de marketing do clube entre 2002 e 2008, Jefferson Mello lembra que a torcida abraçou o clube na Série B. Apesar de as redes sociais não serem tão presentes na vida das pessoas há 12 anos, era notório o sentimento de apoio ao time naquela época.

— Criamos o Botafogo no Coração, que foi o primeiro programa de sócio torcedor feito por um grande do Rio. A participação da torcida foi essencial para o retorno do time à elite — lembra Jefferson.

NO GOL, UM REMANESCENTE DE 2003

Hoje, o programa de sócio-torcedor do clube está com 12.368 clientes ativos. No fim do ano passado, esse número estava em torno de oito mil. Nos últimos três meses, depois de uma reformulação no programa, que reduziu os preços da mensalidade, e da boa campanha do time no Campeonato Carioca, cerca de quatro mil botafoguenses entraram no programa.

— O sentimento da segunda queda nunca é igual à da primeira. Existe uma desconfiança por parte da torcida. Da maneira trágica que o clube terminou o ano passado, rebaixado e sem perspectivas, essa desconfiança aumenta. Mas estamos monitorando as redes sociais. E os torcedores estão querendo voltar a acreditar no time — disse Marcio Padilha, vice presidente de marketing do Botafogo.

Dentro do clube, existe um consenso de que a volta do torcedor ao estádio será gradativa e de acordo com o sucesso da campanha do clube na Série B. Dentro de campo, Jefferson é o único do elenco que também esteve presente em 2003.

— Em 2003 eu joguei a Série B, e sabemos que é uma guerra. As equipes jogam com força e utilizam do fator campo dentro de casa. Vamos ter que saber jogar e dançar conforme a música. Hora com o toque de bola, outra na força. Vamos ter que nos acostumar — disse o goleiro. — A gente tem que saber até onde vai essa pressão. O Botafogo tem obrigação de chegar sempre em todas as competições que joga, mas não podemos ter isso fora do controle. Sempre vamos entrar para sermos campeões, mas nosso principal objetivo é subir.

PAYSANDU X BOTAFOGO

Paysandu: Emerson, Yago Pikachu, Thiago, Gualberto e João Lucas; Augusto Recife, Gilson, Fahel e Rogerinho; Bruno Veiga e Souza.

Botafogo: Jefferson, Gilberto, Renan Fonseca, Giaretta e Carleto; Marcelo Mattos, Willian Arão, Fernandes e Diego Jardel; Pimpão e Bill.

Juiz: Emerson Sobral (PE).

Local: Estádio Mangueirão.

Horário: 21h.

Transmissão: Sportv.

Fonte: O Globo Online