O Botafogo vai entrar com uma ação contra a Prefeitura do Rio para reaver os prejuízos causados pelo fechamento do Engenhão, em março do ano passado, devido a problemas estruturais na cobertura. A confirmação foi dada na noite de quinta-feira por Sérgio Landau, diretor executivo do clube, após a reunião extraordinária do Conselho Deliberativo. Em março deste ano, o dirigente avaliou o prejuízo em R$ 45 milhões.

– Houve uma discussão longa para definir as responsabilidade. Imaginou-se no início que a ação poderia ser contra o consórcio, depois concluímos que o contrato era com a Prefeitura. Contratamos uma empresa de auditoria, que fez um estudo e apontou as perdas desde 23 de março, quando foi fechado, até dezembro. Já está sendo preparada a ação contra a Prefeitura – disse o diretor executivo, que informou o valor pedido pelo clube.

A previsão da Prefeitura é que o Engenhão seja entregue em novembro. Antes disso, um grupo de trabalho montado pelo Botafogo prepara um levantamento sobre os problemas nas instalações do estádio. Uma das maiores preocupações são as tubulações de água que, segundo Landau, “estão todas precocemente enferrujadas”.

– Já mandamos notificação para a RioUrbe (Empresa Municipal de Urbanização) para que seja resolvido antes de o estádio voltar ao Botafogo. O próprio consórcio, que cuida da cobertura, já tem consertados outros problemas identificados. A tubulação nos preocupa, e já avisamos à RioUrbe – afirmou Landau.

FECHADO HÁ QUASE UM ANO E MEIO

Em março o Engenhão completou um ano de interdição. Três projetos executivos foram elaborados, e o terceiro foi escolhido, no fim de 2013, para a recuperação da cobertura, que ameraçava ruir. No período, o Botafogo, administrador do estádio por 20 anos, contabilizou prejuízos de R$ 25 milhões em contratos. Até a reabertura, prevista para novembro, o valor deve chegar a R$ 45 milhões. Com a temporada já no fim, restará ao clube planejar o o uso do estádio em 2015.

Na época da interdição, um relatório feito pela empresa SBP alertou para risco de acidentes no Engenhão. O relatório apontava que, caso a velocidade do vento na região passasse de 70km/h, a cobertura poderia cair. Somente meses depois a prefeitura anunciou um projeto de reforço dos arcos, com estruturas em forma de tesoura para sustentar a cobertura. Um outro anel de ferro seria instalado para reforçar os arcos.

Depois, a prefeitura anunciou que, do lado de fora do estádio, novas hastes seriam erguidas entre as pilastras que seguram os arcos. Nessas hastes seria feito um outro arco para aliviar o peso da cobertura. Mas a ideia não foi levada a cabo. Agora, cabos de metal e estruturas metálicas emergem dos degraus da arquibancada para aliviar o peso da cobertura e permitir a instalação dos mastros e tirantes, que reforçarão os arcos superiores. A Odebrecht, empresa que paga e gere a nova obra, garante que, além de ser a forma mais segura, é a que menos altera o visual do estádio, cujo design foi premiado. A prefeitura concordou. O processo é o mesmo da época de montagem da cobertura, feita às pressas, por causa de atrasos nas obras para o Pan de 2007.

Trabalham na obra 340 operários, que também tocam a reforma da parte interna. A Odebrecht paga por toda a intervenção, mas diz que ainda não contabilizou o o custo total da reforma.

Fonte: O Globo Online