A aposentadoria de Seedorf marca o fim de um ciclo. Após 18 meses, o craque holandês  deixa o Botafogo longe de ser uma unanimidade. No período, o camisa 10 criou amizades, mas por conta de sua personalidade forte gerou também alguns focos de insatisfação no clube. Além disso, o apoiador deixa o Alvinegro em um momento importante, já que o time volta a disputar uma Libertadores após 18 anos e perdeu um dos principais líderes dentro de campo.

Seedorf não tem o perfil do jogador brasileiro, que se preocupa mais com o que ocorre dentro de campo. Pelo contrário. O jogo dentro das quatro linhas é apenas a cereja do bolo. Por trás das câmeras, o holandês detectou situações que poderiam atrapalhar o desempenho do time ao longo da temporada.

Com temperamento forte, Seedorf comprou a briga e decidiu mudar o Botafogo. Bateu de frente com jogadores que, em sua opinião, precisavam mudar de atitude e se indispôs com alguns deles. Atletas mais experientes, caso de Antônio Carlos, não aceitaram a nova liderança com naturalidade. Após um jogo do Carioca os dois discutiram e foram contidos por companheiros. O zagueiro, inclusive, já deixou o clube.

E o relacionamento com alguns jogadores esteve longe de ser harminioso. Se no início as críticas feitas por Seedorf eram encaradas como um ensinamento, depois de um tempo as palavras do holandês passaram a ser um fardo. Neste cenário, alguns atletas com o temperamento mais explosivo discutiram asperamente com o camisa 10, além de dar início a uma ‘fritura’ com o restante do elenco.

Neste ponto, Bolívar foi determinante para que Seedorf não ficasse com um clima insustentável em General Severiano. O zagueiro usou sua liderança para fazer uma reunião e externou a situação. O holandês ficou chateado com toda a situação e disse que ficaria mais quieto a partir de então. Porém, a mudança de postura coincidiu com a queda do time no Brasileiro.

Assim, os atletas pediram para Seedorf voltar a ser o ‘pai chato’, mas o holandês se disse magoado para voltar a ser como antes. Parte do elenco entendeu, mas outros acharam frescura, por se tratar de um jogador de 37 anos. Aos poucos ele se soltou novamente, mas longe de ser a unanimidade que era em sua chegada. Por causa disso, a saída do apoiador é encarada com um alívio por alguns companheiros.

“No começo, eu não entendi muito bem o jeito dele lidar. Às vezes ele era um pouco mais severo, mas durante o ano a gente foi convivendo, aprendendo a lidar com ele e ele conosco. Fizemos uma boa sintonia. A forma como ele mexia com o grupo, deixava  a gente ligado no jogo. É um cara que venceu de tudo no futebol e sempre queria mais”, disse Dória, que teve uma pequena discussão com Seedorf na temporada passada, mas que estreitou sua relação com o holandês após o entrevero.

Fonte: UOL