Em setembro o Fala Glorioso deu início a uma matéria especial sobre as eleições que agitam o Botafogo nesse final de ano. Na ocasião, os candidatos Marcelo Guimarães (do Grande Salto), Carlos Eduardo Pereira (Mais Botafogo) e Vinícius Assumpção (Chapa Alvinegra) falaram sobre suas propostas e projetos para o Glorioso Botafogo. A chapa azul “Por Amor ao Botafogo”, liderada por Thiago Alvim e quem tem como vice da chapa, o empresário Durcésio Melo, não participaram das entrevistas. A chapa ainda não tinha um candidato para a presidência do clube e, por este motivo, ficou de fora.

webIC EXCLUSIVO: Em entrevista ao Fala Glorioso, Thiago Alvim fala sobre suas propostas e afirma não ser situaçãoRespeitando o direito de democracia, as perguntas feita ao candidato Thiago Alvim foram as mesmas feitas para os demais candidatos, dois meses atrás. Abaixo o torcedor poderá relembrar a entrevista com os demais candidatos e fazer uma comparação com as propostas da Chapa Por Amor ao Botafogo.

Um das principais preocupações dos torcedores alvinegros é a dívida do clube que gira em torno de R$ 25 milhões. A chapa diz contar com profissionais especialistas em gestão. Segundo Alvim, o principal objetivo será a atuação na captação de novos sócios, com o objetivo de, não só aumentar o quadro social do clube, mas também gerar receitas. No entanto, o candidato alerta para um ano difícil em 2015.

“O Plano de Ação já existe. Por meio da Comissão criada pelo Conselho Deliberativo, com representantes das 4 Chapas que concorrem ao pleito de novembro, pudemos elaborar um fluxo de caixa orçado, com projeção para 15-16-17, a partir das despesas e receitas praticadas pelo Clube, com ajustes pensados para a nova Gestão, com redução de custos e investimentos, dado o quadro ora em vigência de nossas finanças. A partir daí, fica possível compreender a nossa necessidade de capital”, afirmou Thiago Alvim.

Confira abaixo a entrevista completa com Thiago Alvim, candidato à presidência do Botafogo pela chapa ‘Por amor ao Botafogo’.

 12 agosto 2012 almoc3a7o do dia dos pais e aniversario dos 108 anos do botafogo football clube salc3a3o nobre de general severiano em rio de janeiro rj 25 EXCLUSIVO: Em entrevista ao Fala Glorioso, Thiago Alvim fala sobre suas propostas e afirma não ser situaçãoTHIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): Bom dia, candidato. Obrigado pela entrevista ao Fala Glorioso.
Sabemos que o torcedor, principalmente o botafoguense, gosta que o comando do seu clube seja feito principalmente por pessoas com ‘raízes botafoguenses’. Antes de abordar os temas de campanha e projetos,  queria que o Sr. falasse um pouco da sua trajetória pessoal e sua história dentro do clube.

THIAGO ALVIM: Nasci em julho de 1960, tenho, portanto, 54 anos. Vim das arquibancadas para tentar fazer o Botafogo crescer. Estive ao lado do meu time de coração e grande paixão em momentos marcantes, como o inesquecível título do Carioca de 1989. Na ocasião, no Maracanã, atravessei o campo de joelhos para pagar a promessa do fim do incômodo jejum de 21 anos sem títulos. Quem pegar o vídeo da conquista vai facilmente me identificar. Em 95, ano histórico para o clube, acompanhei de perto os passos da conquista, torci e vibrei nas finais. Empenhado nas causas do clube, ajudei o Botafogo financeiramente em seus momentos de dificuldades.

A minha paixão pelo clube é tamanha, que o bar do qual sou proprietário, o tradicional Carioca da Gema, frequentemente homenageia o Clube pelas suas conquistas. O bar tornou-se um conhecido point de ex-jogadores e personalidades públicas alvinegras, causando rebuliço na Lapa nas comemorações das vitórias e conquistas alvinegras.

Sou pai de Gabriela e Pedro Henrique, botafoguenses que, como não poderia deixar de ser, são apaixonados pelo BFR como eu.

Em 2009, integrei o Conselho Diretor inicialmente no cargo de Diretor Social e, no segundo semestre do mesmo ano, passei a desempenhar a função de Vice-Presidente Social e de Comunicação. Liderei, até outubro de 2014, uma equipe de talentosos profissionais que valorizaram a grandeza do clube e seus valores.

Dirigente não-remunerado do clube, tive minha passagem marcada por efusivas demonstrações de amor ao Glorioso. No Social, criei um calendário de eventos com atividades sociais durante todo o ano, reaproximando o sócio-proprietário do clube. O Baile Infantil, a Festa Junina e o Pagode do Glorioso, eventos que fizeram parte do passado do clube, ganharam uma nova roupagem e hoje trazem grande movimento à sede.

Com o apoio de minha equipe, ajudei a implementar o concurso de samba-enredo Botafogo Samba Clube, o Bloco de Carnaval Pega no Manequinho e o Festival de Crepes, o que tem motivado uma corrente por novas associações. As ações mostraram resultados: de 2009 a 2014, o número de sócios adimplentes saltou de 900 para 2.500.
Os aniversários do Botafogo FR tornaram-se prioridade e passaram a ser devidamente celebrados com Churrasco (Regatas), Jantar (Futebol) e Missa (Fusão), em esforço para reverenciar as tradições e glórias que tanto cultivamos.

Tentei estimular uma mentalidade diferenciada no Marketing, com constantes inovações que colocaram o Botafogo FR em um patamar de referência na Área, dando liberdade para a equipe injetar criatividade a serviço do Botafogo. O Feijão no Fogão passou a ser itinerante, saindo do Rio de Janeiro e percorrendo as principais capitais do país parar gerar receitas ao clube e, mais do que isso, agregando um incomensurável valor à marca. Já houve eventos em Belém (uma vez), Brasília (duas vezes), Curitiba (uma), Salvador (uma), Feira de Santana (uma), Juiz de Fora (duas), João Pessoa (uma), Corumbá (uma), Macapá (duas), Macaé (uma), São Paulo (uma), Vitória (duas) e Rio de Janeiro (diversas). Como se pode ver, o evento contemplou todas as regiões do país.

E por falar em expansão da marca, sou um grande entusiasta no crescimento da rede de franquias das Escolinhas Estrelas do Futuro, onde são formados os jogadores mirins do clube. Quando assumi em 2009, o clube não possuía nenhuma unidade oficial. Hoje, temos mais de 20 núcleos. Eu participei e representei o BFR em diversas inaugurações.

Por conta de minha personalidade extrovertida, terminei me aproximando das Torcidas e abrindo um importante canal de diálogo delas com o Clube. O mesmo ocorreu com os ídolos, que passaram a receber constantes homenagens e convites para participações em eventos com a Torcida.

Homenageei ainda os principais cronistas alvinegros, que receberam uma placa pelo apoio na multiplicação da paixão alvinegra. Aproximar a imprensa do clube foi um esforço constante, vide o encontro organizado com os principais formadores de opinião, coordenado por Luiz Mendes, de saudosa memória. Um esforço para se criar pautas positivas e ampliar a presença do clube nos lugares mais nobres da mídia.

O amor pelo Botafogo também me aproximou de Nilton Santos nos seus últimos 15 anos de vida, quando busquei dar toda a assistência necessária ao ex-jogador e seus familiares.

Também contribuí na viabilização e complemento de valores financeiros para eventos dentro da minha área, tendo participado do financiamento do Túnel do Tempo e do Memorial dos Fundadores, importantes símbolos do clube.

A grande recompensa da minha atuação na área de Comunicação veio com a pesquisa Lance/Ibope, de 2014. O Botafogo foi o clube com a maior taxa de crescimento entre as camadas mais jovens da população, saltando de 0,4% a 2,2%, fruto de ações de engajamento com a torcida, uma obsessão pessoal minha.

10 de fevereiro de 2013 carnaval em general severiano bloco pega no manequinho botafogo fr foto botafogo oficial EXCLUSIVO: Em entrevista ao Fala Glorioso, Thiago Alvim fala sobre suas propostas e afirma não ser situação
THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): Por que quer ser presidente do Botafogo?

THIAGO ALVIM: Primeiro, pela PAIXÃO que tenho pelo Clube. E, claro, por MISSÃO. No momento difícil que estamos vivendo, me colocaram esse desafio e eu não pude recusar. Não consigo recusar pedidos para colaborar com o Botafogo. Não consigo deixar o Clube quando ele mais precisa. Muitos me questionam porque não deixei meu cargo e saí da minha pasta para me dissociar do atual Presidente, o Maurício Assumpção. E o motivo é justamente esse. Eu não estava lá pelo Maurício, ou por ter qualquer vínculo com ele. Eu estava lá pelo Botafogo, pelos torcedores, por meus filhos e minha família, todos Botafoguenses. Como eu poderia renunciar ao Clube, me esconder e não ajuda-lo? Não é possível para mim. Estou confiante, porém, se eu não for eleito Presidente no final de novembro, não me negarei a ajudar o próximo mandatário, quem quer que seja. Não sou de grupo político. Sou Botafogo, sou Botafoguense.

E tenho comigo um grupo qualificado de pessoas que podem MUDAR o Botafogo e alterar seu curso atual. O grupo é formado por Sócios-Proprietários, Beneméritos e Grande Benemerítos, que sempre se destacaram dentro de seus respectivos âmbitos profissionais. Fazem parte do Por Amor ao Botafogo as principais pessoas que ajudam o clube financeiramente.

A Chapa Azul também é formada por empresários, publicitários, administradores, gestores, economistas e engenheiros de grande sucesso em suas carreiras. Temos cerca de 1/3 da Chapa composta por jovens Botafoguenses que jamais fizeram parte de Conselhos ou exerceram qualquer cargo no Clube. Isso significa oxigenação e renovação de quadros e lideranças, algo que o BFR precisa também.

Temos ainda, como integrantes da Chapa Por Amor ao Botafogo, renomados magistrados, entre procuradores, juízes e desembargadores, que ampliarão a presença do clube nas esfera judicial, exercendo importante influência nas batalhas jurídicas em curso, entre eles o Ato Trabalhista, a Lei de Incentivo ao Esporte e o REFIS.

Isto tudo me dá a certeza de que eu terei o respaldo para promover as MUDANÇAS que o Clube precisa. E isso, só a Chapa Azul tem. Não basta desenhar projetos e planos. Eles precisam ser executados e, para isso, tem que haver viabilidade, respaldo financeiro, lastro e abertura política. Sem isso, qualquer planejamento fica sem execução. Sem isso, ideias ficam somente no papel. E só a Chapa Azul pode oferecer. Nenhuma outra tem essa capacidade. Por isso, tomei para mim o desafio, em um dos piores momentos da história do Botafogo, e decidi me candidatar à Presidência, respaldado por essas pessoas.

THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): Nas eleições passadas, os candidatos Maurício e Carlos Eduardo tinham planos parecidos quando o assunto era General Severiano e Centro de Treinamento. Os dois queriam tirar o futebol profissional de General Severiano. Qual a sua opinião sobre esse tema e, aproveitando, o CT de Marechal Hermes vai se tornar realidade? Em quanto tempo?

THIAGO ALVIM: Já temos estudos prontos de todos os patrimônios do Clube. Nenhum deles permite a construção de um CT integrando profissionais e categorias de Base, como queremos, pelas dimensões reduzidas das áreas e características de terreno. Mas teremos um CT até o final do meu mandato, caso eleito. Será um presente para o Botafogo F.R. O investimento na Base e em infraestrutura é nosso futuro e salvação. Já estamos trabalhando neste sentido, inclusive acerca da escolha do local.

A área de Marechal Hermes foi cedida ao Clube até 2031, renovável até 2051, porém tem apenas 19.500 m². Não é adequada a um projeto definitivo para o BFR, pelas dimensões reduzidas. Seria uma melhor opção se o terreno anexo, de 29.500 m2, for também cedido. Tal fato ainda não ocorreu. Assim, para um investimento mais substancioso, não é viável, pois não seria uma saída definitiva.

Já Vargem Grande tem 58.725 m2. Todavia, embora cedido pela Prefeitura, com publicação em D.O., o terreno não tem, por enquanto, os lotes reconhecidos pelo 9°RGI. Tal fato dificulta captar investimentos, pois o arcabouço legal é frágil, o que inviabiliza projetos incentivados, seja de ICMS ou IR, e inibe captar investidores e parceiros.

Marechal seria muito interessante pela localização, caso consigamos o terreno ao lado. Já Vagem Grande seria ótimo, pelo crescimento do entorno, desde que plenamente legalizado. Daí pensarmos na viabilidade de adquirir nova área, ou mesmo locar um CT pronto, com opção de compra. Já estamos avançando neste sentido e temos uma opção interessante.

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THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): Muitos torcedores chegam a comparar a atual situação do Engenhão com a “venda” de General Severiano na década de 70. Pro Sr. , há alguma ligação política com o fechamento do estádio? E qual plano do candidato para o Engenhão?

THIAGO ALVIM: O Engenhão tem de ser uma das joias da Coroa. Será um dos nossos maiores geradores de receitas. Um de nossos principais ativos. Aplicaremos para a nosso estádio o conceito de Arena Multiuso, para eventos esportivos, culturais, de música, shows, cultos, festas, lançamentos de produtos, feiras e feirões, de moda, design, veículos e acessórios, entre outros.

Aplicaremos, também, o conceito de Shopping Center nos anéis internos e externos, com a oferta de um mix variado para consumo de diversos segmentos de Torcedores, de maneira a atrair as famílias e grupos de amigos, ampliando o ticket médio de permanência na Arena e, por conseguinte, o ticket médio de consumo, que será variado, a saber: catering com bandeiras diversas de alimentos e bebidas (lutaremos pela volta do consumo de álcool nos estádios, inclusive); lojas de departamentos, de moda masculina, feminina, infantil, esportiva e de calçados; lojas de grifes; bancos…

A prospecção de uma empresa que assuma o nome do estádio será fundamental, pois este tipo de propriedade envolve uma parceria e um contrato de longo prazo, o que garante estabilidade de receita e, por extensão, de orçamento.

A busca de parceiros sem exclusividade (BR Malls, Ancar, Multiplan…) para gestão dos espaços e fomento ao consumo e utilização do aparelho é também interessante, desde que seja um grande negócio para o BFR.

Precisaremos trabalhar bem o calendário de jogos do BFR, com ofertas também para outros clubes cariocas, pois precisamos dar uso à Arena em um número maior de datas. E será necessário, ainda, investir em um cronograma de ações/eventos (competições, shows, festas etc.) durante o ano.

O Engenhão precisa de setores populares, pois é premente construir uma cultura de uso e frequência do espaço. Concomitantemente, outras Áreas serão Premium, com pacotes de serviços diferenciados e espaços exclusivos – VIP (venda para público seletivo, por convite e indicação).

A criação do Credcash – cartão pré-pago de consumo do Estádio, podendo integrar transporte, ingresso, consumo interno e externo, débito e, em parceria com uma bandeira, a função crédito será um grande advento. Já estamos trabalhando nisso, já tendo iniciado contatos para viabilizar essa iniciativa que, além de incentivar o consumo, permitirá diminuir a sonegação, aumentando nosso controle sobre as vendas, e fazendo com que possamos trabalhar luvas + royalties e não somente por meio de garantia mínima, como hoje é feito.

Adotaremos uma política de preços que privilegie o aumento do fluxo de torcedores/consumidores em jogos do clube, acentuando a identificação torcida/Arena e criando uma cultura de frequência e apropriação do equipamento por parte dos alvinegros.

As Torcidas Organizadas serão nossas aliadas, com espaço próprio, parcerias em comercialização e licenciamento de produtos, bares, promoção de festas na arquibancada etc.

E nossa Arena não terá áreas ociosas. Este é um dos objetivos principais. Cada m² será usado como espaço e oportunidade de inserção dos parceiros comerciais, com ações de B2B, B2T e B2C (BFR/torcedor; e Parceiros-Sponsors/torcedor).

THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): A política, infelizmente, sempre caminha pro lado de ataques pessoais. Isso muitas vezes acontece inclusive dentro do clube. Qual opinião do Sr, a respeito e, em caso de vitória da sua chapa, a mesma vai estar aberta a diálogo com pessoas das chapas concorrentes?

Tentei evitar, ao máximo, os ataques pessoais e às demais chapas. Não gosto disso. Não é minha maneira de agir. Todavia, sofri muitos ataques, depreciando a mim, ao meu grupo, e nos colocando, de modo falso e mentiroso, como uma chapa de situação. Não posso admitir isso, pois é MENTIRA. Em TODAS as chapas há pessoas que participaram de algum dos mandatos do atual Presidente ou de gestões anteriores. TODAS as chapas são assim compostas. SEM EXCEÇÃO. Eu não queria responder. Gostaria que as campanhas caminhassem no sentido de apresentar propostas. Porém, recebi cobranças de membros do grupo, de sócios e de torcedores do Clube, pedindo que eu respondesse, e eu o fiz, sem mentir.

Se a Chapa Azul vencer as eleições, estaremos abertos ao diálogo. O grupo mais qualificado é o nosso. Mas há pessoas aptas a ajudar em todas as chapas. Aproveitaremos o que houver de melhor em cada uma, em benefício do Botafogo, que vive momento delicado e precisa da mobilização de todos. Somos uma CHAPA DE UNIÃO, e assim nos colocaremos, mesmo depois do pleito. As dificuldades ora em voga no BFR não admitem vaidades de quaisquer espécies.

THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): Qual setor do clube merece um tratamento prioritário?

THIAGO ALVIM: O relacionamento com a Torcida. É nosso principal ativo. A síntese de nossa proposta para o BFR é uma estrela de cinco pontas, cada qual representando um pilar de nosso planejamento para o Clube no próximo triênio. E a Torcida é um de nossos pilares.

O respeito ao torcedor, valorizando-o como seu fundamental Ativo de Marca, será uma característica de nossa Gestão, o que somente será possível por meio da busca incessante ao profundo conhecimento da base de torcedores/consumidores do clube;

É fundamental, também, a criação de uma Central de Relacionamento com Torcida, o fomento à criatividade visando promoções diversas, a melhoria do site, a utilização dos canais abertos e a definição de novos canais.

Abrir postos de relacionamento em regiões com relevante presença de torcedores foi uma ideia de um atuante e abnegado torcedor do Clube, e levaremos adiante, já que coincide com o que pensamos e queremos para o BFR.

THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): O Botafogo hoje vive um momento difícil financeiramente. O Torcedor do Botafogo sofre quando lê os problemas financeiros que o Botafogo atravessa ao longo dos anos. Sabemos que, embora seja grave, isso não é novidade alguma no clube. O Sr. considera o Botafogo um clube viável economicamente? Qual seria a atitude para sanar ou amenizar tal situação? Esse plano de ação já existe?

THIAGO ALVIM: A dívida é enorme. Como amplamente divulgado, superior à R$ 720 milhões. Porém, ela tem um perfil que permite equacioná-la no longo prazo, a partir do pagamento do REFIS, da TimeMania e do retorno ao Ato Trabalhista. Vencido esse desafio, o Botafogo volta a ser viável.

O Plano de Ação já existe. Por meio da Comissão criada pelo Conselho Deliberativo, com representantes das 4 Chapas que concorrem ao pleito de novembro, pudemos elaborar um fluxo de caixa orçado, com projeção para 15-16-17, a partir das despesas e receitas praticadas pelo Clube, com ajustes pensados para a nova Gestão, com redução de custos e investimentos, dado o quadro ora em vigência de nossas finanças. A partir daí, fica possível compreender a nossa necessidade de capital.

Assim, o desafio passa a ser, na verdade, gerar receitas no sentido de cumprir os compromissos fiscais e trabalhistas, pagar empréstimos e mútuos e realizar investimentos, sobretudo no futebol, notadamente na Base e em infraestrutura. Sócio-torcedor, licenciamento de produtos e, sobretudo, o Engenhão, nossa Arena Olímpica, serão os principais geradores de receita para o novo Botafogo que pretendemos criar.

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THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): Nas duas ultimas eleições (2009 e 2011), somados os votos, chegamos a um pouco mais de 1.200 votantes. Muitos são adeptos à idéia de abrir as eleições para os sócios torcedores. Alguns, contra. O que o Sr. Pensa a respeito do tema? Seja contra ou a favor, não acha que o Botafogo é grande demais para que apenas uns poucos decidam os seus caminhos?

THIAGO ALVIM: Eu sou a favor da ampliação do colégio eleitoral e do direito ao voto para os Sócios Torcedores. Este é o caminho. Mas tem que ser bem feito, com critérios, no sentido de evitar problemas de ordem moral, como estamos vendo nas eleições de outro grande clube do Rio, cujo pleito vem sendo adiado por ações na justiça. E só pode ser executado após apreciado e aprovado pelo Conselho Deliberativo, que terá de ser respeitado. É preciso democratizar o Clube, mas com qualidade.

E teremos que aprimorar o uso dos canais de comunicação com os sócios, sócios torcedores e torcedores, pois hoje há muita dissonância, um desconhecimento de quem é quem no Clube, uma formação de imagem que não condiz com a identidade das pessoas e dos grupos, um imaginário bem distinto da realidade e do dia a dia do BFR. Sem uma boa comunicação, qualquer colégio eleitoral passa a ignorar a realidade do Clube e fica suscetível a manipulações e distorções de fatos e notícias, como podemos ver hoje.

THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): E os sócios torcedores? Houve um aumento considerável com a chegada de Seedorf.  Mas em 2014 os números despencaram. Quais são as idéias para a captação de novos sócios?

THIAGO ALVIM: Será necessário reformular todo o nosso atual Programa. Ele é muito ruim. Por isso não avança. Não decola. Se o consumidor não compra um produto ou serviço, é porque ele está mal formatado e seu mix (preço, distribuição e promoção) é desbalanceado.

No nosso Programa de Sócio Torcedor, que pretendemos implantar no BFR, há uma modalidade, ou melhor, um item de cesta de aquisição, na composição de um combo, que permitirá ao Sócio Torcedor ter direito a voto desde que se mantenha adimplente por determinado período, ininterrupto, que pode variar de 24 a 30 meses consecutivos. Isto coibiria a compra de votos, ampliaria o colégio eleitoral, daria estabilidade ao programa de afinidade e afiliação, diminuindo a incidência da performance como fator principal de aderência, sem desvalorizar o sócio proprietário, que passaria a ter, também, direito de ir aos jogos.

O novo Programa de sócio torcedor, onde o Engenhão terá papel central, deve ser entendido como um conjunto de projetos de afiliação e fidelização, com foco em engajamento, relacionamento e experimentação. Será um programa de benefícios com welcome package, modalidades diferenciadas, descontos em produtos oficiais, acesso a jogos, possibilidade de voto…

THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): E os planos para o Futebol? Caso seja eleito, existe a possibilidade de montar um grande time para a temporada de 2015, ou o começo seria a manutenção dos principais jogadores?

THIAGO ALVIM: O futebol é o core business do Botafogo. Faz parte de sua missão como Clube esportivo e formador.  Assim, o objetivo é ter, sempre, um time forte.  As dificuldades, no entanto, serão enormes. O Orçamento será restrito. O menor, destacadamente, dos últimos anos. Teremos, provavelmente, uma equipe jovem, com muitos atletas da Base, com uma espinha dorsal de jogadores experientes que sejam capazes de dar estabilidade ao grupo. Uma estrutura enxuta. Os investimentos terão de ser certeiros. Não haverá margem para erros, principalmente em 2015.

Investimento é um dos pilares de sustentação de um clube, em conjunto com a conquista de títulos. Como investimentos, podemos classificar a formação de elenco profissional (aquisição de atletas e renovação de contratos); a formação de atletas (investimento nas Categorias de Base) e o investimento em Ativo Fixo (instalações). Os dois últimos itens serão prioritários, dadas as restrições vigentes.

Acreditamos que, no longo prazo, os clubes que tiverem melhor estrutura física – Centros de Treinamento – tendem a atrair os melhores profissionais, jogadores mais interessantes e formar melhor os jovens . Além disso, e principalmente, os clubes que conseguirem formar mais atletas tendem a gastar menos dinheiro em contratações e ainda podem obter bom retorno financeiro com a venda dos direitos desses atletas.

THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): E os Esportes Olímpicos? Botafogo não participava por exemplo de uma competição nacional de basquete desde 2001 e voltou esse ano, apesar de ser o único clube do Rio de Janeiro a disputar todas as categorias de base no masculino e no feminino. O Remo, que está ao lado do Futebol no Estatuto do clube, vem mantendo a tradição de campeão e até cedendo atletas para Seleção Brasileira. Sabendo das dificuldades que é reger os esportes olímpicos de um clube, cujo ao qual a principal atividade é o futebol, existe algum projeto exclusivamente para tal setor?

THIAGO ALVIM: O objetivo, aqui, é o cumprimento de nossa Missão Institucional, com fomento ao desporto de maneira ampla, destinando especial atenção ao remo, mantendo a hegemonia que recentemente conquistamos neste esporte.

É preciso que tenhamos, na condução dos esportes olímpicos do clube, um alinhamento com o posicionamento de marca do BFR. O fomento aos demais esportes buscará a viabilidade operacional e financeira para elevar o nome e a marca do Clube em diferentes modalidades esportivas.

Escolinhas superavitárias, com cotas para inclusão social; equipes esportivas auto sustentáveis; e parcerias com associações de bairros, condomínios, colégios, escolas municipais e estaduais são medidas que executaremos em minha Gestão.

Pretendemos, ainda, viabilizar intercâmbios regionais, nacionais e internacionais de equipes esportivas, por meio de patrocínios, propostas comerciais atraentes e projetos incentivados.

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THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO):
Sabemos da imensa torcida que o Botafogo tem dentro e fora do Rio de Janeiro. Porém diversos torcedores perderam o hábito de frequentar estádio, seja pelos altos preços, seja pela violência, ou até mesmo pela desconfiança com o time durante alguns anos. Como resgatar aquele torcedor que anda afastado dos estádios?

THIAGO ALVIM: Resgate de credibilidade e confiança é fundamental. Desempenho também. Mas não é só isso. Precisamos fazê-lo consumir o Botafogo de maneiras diversas, e não somente por meio do comparecimento aos jogos. É fundamental conhecer este Torcedor. Sem isso, torna-se difícil ampliar o ticket de consumo do nosso Torcedor.

Acredito que a alavancagem das receitas no esporte brasileiro se dará por meio de uma Gestão fundamentalmente profissional, sobretudo do Departamento de Marketing, dado que as instituições esportivas estão deixando de ser unicamente fontes de divulgação de outras marcas e passando a ser, elas mesmas, marcas a explorar, seja por meio de licenciamento de produtos, direitos de transmissão, direitos de imagem, Internet ou outras fontes de recursos, que carecem de criação. Assim, as marcas esportivas precisam ser protegidas e valorizadas. Entendo que subaproveitamos esse potencial, ao longo de toda nossa história.

Conhecer o perfil de nosso cliente é tarefa básica para se ofertar convenientemente produtos e serviços que estejam dentro das expectativas, necessidades e desejos de nossos Torcedores, bem como definir a comunicação integrada de Marketing adequada, com suas promoções, sua estratégia de distribuição e de preços, seu plano de mídia e seus canais.

Portanto, a primeira iniciativa deve ser, para o Botafogo, conhecer o seu torcedor-consumidor. Esta é a primeira proposta. Como fazer isso? Bem fácil: pesquisas. Primeiro, quantitativas, para atingir grande abrangência geográfica e grande número de respondentes, bem como obter maior volume de informações superficiais. A seguir, pesquisa qualitativa, para aprofundar conhecimento. Por fim, alguns focus group, ou grupos de foco, para delinear estratégias mais precisas segundo um perfil de consumidor específico.

Além disso, o consumidor de esporte é ávido e aberto a fornecer todos os seus dados e informações para o clube que ama, admira ou tem simpatia. Com isso, poderíamos elaborar uma grande campanha para formação de um Banco de Dados, usando mídia paga e espontânea, e criando plataformas online para cadastro. Poderíamos ainda ter quiosques para cadastramento em logradouros públicos e privados, sobretudo em eventos esportivos, notadamente, é claro, os do Botafogo. Poderíamos usar uma expressão familiar aos Botafoguenses, para nominar essa campanha, como Por Amor ao Botafogo, por exemplo. Usar ferramentas de CRM e posicionar nossa marca será essencial.

THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): Os candidatos, antes das eleições, traçam um desafio ao qual almejam vencer. Muitos deles ficam marcados por vencerem tais desafios. Foi assim com Althemar Dutra e Emil Pinheiro, quem em 1989 levaram o Botafogo à conquista de um título após 21 anos; com Carlos Augusto Montenegro, que conquistou o título Brasileiro de 1995; com Bebeto de Freitas que encarou o desafio da Série B pela primeira vez na história do clube, e levou o Botafogo de volta a série A em 2003…  Qual é o principal desafio a ser vencido na atualidade, na sua opinião?

THIAGO ALVIM: São muitos. Podemos traduzi-los assim: criar as bases necessárias para termos um Botafogo viável e forte nos próximos 100 anos. Queremos que nossa paixão seja sustentável, ou seja, que passe de geração para geração, para nossos filhos, netos e bisnetos, e assim por diante, renovando nossa torcida e mantendo nossas tradições.

Para isso, necessitamos promover mudanças em todos os níveis, a saber: Modelo de Gestão e Governança; Estrutura Organizacional; Gestão de Processos; Planejamento Estratégico, Tático e Operacional; e, sobretudo, constituir uma equipe qualificada, um grupo técnico capacitado para desenhar esses projetos e coloca-los em prática. Nenhum dos colaboradores que investe e ajuda o Clube quer mais apoiar um candidato que parece uma boa opção e, depois, ver seu apoio virar chacota dentro e fora do Clube, seu dinheiro ir pelo ralo e, mais que isso, ver o nome e a marca do BFR na lama. Todos estão insatisfeitos e exigindo um modelo, finalmente, profissional, não no discurso, e, sim, na prática.

THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): Há uma grande polêmica entre os torcedores e até mesmo nas chapas concorrentes que o Sr. seria o candidato da situação, pois existem vários membros da diretoria atual na sua chapa. Afinal, a Chapa Azul é ou não é da situação?

THIAGO ALVIM: Claro que não! Esclareço, então, que eu, Thiago Cesario Alvim, não sou situação. Nem a Chapa Azul. Não tenho comprometimentos, laços e acordos com o atual Presidente. Não faço negociata. Nem sou de falácia. Sou um Botafoguense orgulhoso de ter dado o meu melhor pelo Botafogo, sem vínculos políticos ou pessoais. Pretendo sempre continuar me colocando como um quadro importante e dedicado, disponível para trabalhar pelo BFR independentemente de conotações de grupo. Jamais discriminei quem quer que seja e por isso mesmo sempre fui acolhido por integrantes de todos as facções. Sou apolítico e meu grupo é o Botafogo.

É alienação acreditar que não há, em TODAS as chapas, pessoas que já participaram de outras Administrações. Também é esdrúxulo pensar que não são, TODAS, de oposição! Qual o maluco que vai compactuar com o atual estado de coisas? Quem não quer mudanças? A questão é quem tem condições de melhor desenhar, promover e executar o que é necessário, rompendo com o modelo vigente. Quem tem o melhor corpo técnico para fazer o turn around que o BFR necessita. O resto é falácia, é tentar enganar os outros com mentiras e distorções da realidade. É tentar construir uma imagem em dicotomia ao conteúdo. É tentar parecer o que não é. É dizer que vai fazer o que não sabe. É prometer viabilizar o que não tem condições e recursos.

THIAGO RIBEIRO (FALA GLORIOSO): Gostaria que o Sr fizesse suas considerações finais sobre suas propostas e projetos para o Botafogo

THIAGO ALVIM: Quem quiser conhecer nossas propostas, pode visitar nosso site www.poramoraobotafogo.com.br. Quais são elas? Sedo bem sucinto: vamos colocar em pauta para discussão e apreciação do Conselho Deliberativo do clube o fim da reeleição; Comitê Gestor com processo decisório colegiado, participativo e descentralizado; novo alinhamento entre VP’s amadores e Diretores remunerados; agrupamento das Áreas Funcionais de Administração, Recursos Humanos (prefiro Gestão de Pessoas), Finanças e Jurídico em um CSC – Centro de Serviço Compartilhado, integrando-as, mas mantendo a estrutura departamentalizada de cada uma; fortalecimento da Diretoria de Marketing; criação de uma Diretorias de Ativos (GS, Mourisco, Sacopã, MH, Caio Martins, Dona Terezinha, Vargem Grande e Engenhão), cada qual constituindo uma UN – Unidade de Negócio autônoma, auto sustentável e, fundamentalmente, superavitária; investimento em formação e capacitação de pessoal, com programa de estágio, trainee e treinamento contínuo (já encaminhei parcerias com UERJ, UFRJ, ESPM e FGV).

Adoção de um OBZ – Orçamento Base Zero aplicado ao futebol profissional, com estrutura enxuta e funcional; privilégio total à Base como salvação e futuro do BFR, com o projeto do Centro de Treinamento – CT; alinhamento de modelo filosófico entre profissionais e BASE.

Adicionalmente, transparência, fim de nepotismo, auditoria externa anual; reforma premente do Estatuto, modernizando-o; valorização do torcedor como maior patrimônio do Botafogo; e sócio torcedor com direito a voto, em condições de não concorrência com o sócio proprietário (teria direito de ir a jogos), cujo título tem de ser valorizado, com sistema de milhagem/uso, descontos em produtos (isto já estará desenhado, planilhado e calculado até às eleições).

Espero ter respondido aos seus questionamentos. Por fim, digo que contamos com o apoio da Torcida e o voto dos sócios para mudarmos o Botafogo no próximo triênio. É um compromisso nosso. Podem e devem nos cobrar.

Fonte: Fala Glorioso