Preços populares no estádio, fim da reeleição e das cadeiras vermelhas no Engenhão. Mas a prioridade é a austeridade e transparência na prestação de contas das dívidas. Essas são as principais propostas do candidato à presidência do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, que se considera a única oposição à Maurício Assumpção. Segundo ele, os seus adversários no pleito em algum momento apoiaram o atual mandatário, coisa que jamais ocorreu com a chapa “Mais Botafogo”.

Carlos Eduardo Pereira faz durs críticas a Assumpção, a quem considera culpar por deixar o Botafogo em seu pior momento da história. Ao contrário da maioria dos candidatos, ele não acha que todos os cargos devam ser remunerados. Isso porque, caso isso aconteça, o clube deixaria de ser visto como uma empresa sem fins lucrativos para ser tratada como uma empresa comum e, com a atual situação, completamente falida.

Veja a entrevista na íntegra:

UOL Esporte: Quais seriam suas primeiras ações como presidente?

Carlos Eduardo Pereira: As primeiras ações passam pelo ajuste fiscal. Se não reslver as penhoras, tanto dívidas da união, como trabalhistas, não vamos conseguir liberar o clube. E isso impede receita. Saímos do Ato Trabalhista acusado de sonegar impostos. Vamos mostrar que houve mudança da diretoria e apresentar o clube. Em um segundo momento, renegociar os empréstimos feitos pela atual gestão. Sempre com apoio de consultoria profissional para recuperar a credibilidade e reescalonar as dívidas de forma que possa pagar. Hoje as receitas são inexistentes e com volume de pagamento enorme.

Apurar negociações, tudo o que foi feito na parte de compromisso pelo Botafogo. Dívidas criadas, empréstimos. Fatiamento de jovens valores. Entender o real quadro do Botafopo. Reorganizar o futebol, com possibilidade do centro de treinamento. Captar parcerias. Retomar o Engenhão. Abrir essa caixa preta. Como e quando estará disponível e em que situação. Trabalhar na questão dos naming rigths.

Sócio-torcedor é importante para que já no Carioca haja ingresso barato, com comparecimento maciço. Atendimento diferenciado a eles, que são muito mal tratado.
Reforma estatutária. Acabando com releição no Botafogo. Sem duvida alguma o historicio de reelieção não tem sido bom ou produtivo. Nosso compromisso é fazer com que a reeleição acabe.

Por último, mas não menos importante: buscar novas receitas que viabilziaem o clube nesse primeiro ano. Camisa será negociada [patrocínio e fornecedor], pai per view terá ajuste; São poucas receitas garantidas. Vamos ter que buscar isso

UOL Esporte: Sócio-torcedor terá direito a voto?

Carlos Eduardo Pereira: Ele deve ter direito a voto, mas o principal aspecto não é nem esse direito ao sócio. Depende de uma reforma. Hoje o estatuto veta isso. Existe caminho intermediário. Sócio-contribuinte com direto a voto. E existe o sócio que quer acompanhar o time. O que o Botafogo não pode ter é 10 mil sócios-torcedores, quando o Inter tem mais de 100 mil. Enquanto uns tem R$ 5 milhões por mês, Botafogo tem R$ 200 mil. É inexpressivo. Quem deve agir primeiro é o clube, pois o torcedor merece toda a atenção.

UOL Esporte: Propostas para o Engenhão?

Carlos Eduardo Pereira: Primeiro objetivo é retomar o Engenhão. Não sabemos o que aconteceu, pois não foi divulgado. Não temos acesso ao laudo das reais condições do estádio. A diretoria fala em prejuízo, valores, mas não tomou nenhuma atitude para ser ressarcido. Já tem tempo de interdição [20 meses] e até agora nada. Essa posição passiva certamente vai mudar. Tendo essa visao clara, retomar o Engenhão. Temos que transformá-lo no estádio do Botafogo, tirar as cadeiras vermelhas. Será o estádio do Botafogo. Criar áreas de preços super estimulado. É muito mais importante ter 40 mil pessoas pagando R$ 5 do que 5 pagando mil reais. Queremos encher, é o espaço do torcedor. Precisamos da torcida.
Vamos setorizar o Engenhão. Reservar locais nobres para o sócio-torcedor. Agregado a ele tem uma série de benefícios, como restaurante, por exemplo. Tem como ter um plano de sócio de sucesso e preços populares ao mesmo tempo

Cada torcedor poderá fazer o plano de acordo suas possibildiade. Queremos levar o maior número de torcedores. Para isso temos que ter preços competitivos, atendendo pessoas que querem ir somente aos jogos, mas também a uma gama mais ampla no que se refere a conforto e etc.

UOL Esporte: Como você analisa o mandato do Maurício Assumpção?

Carlos Eduardo Pereira: Absolutamente desastroso. Em 2011, quando nos candidatamos, já víamos que do jeito que ia, vivendo de antecipações, custo subindo e receitas não acompanhado, certamente ia desaguar em crise forte. Infelizmene ocorreu. O conselho deliberativo endossou essas práticas, manteve a possibilidade de antecipar receitas e deu nessa delicada situação. Principalmente porque foi excluído do Ato. Não por erro, mas por acusao de sonegação

UOL Esporte: Qual foi o principal erro?

Carlos Eduardo Pereira: Falta de humidade. O Botafogo não é dele. É maior que todos nós. Deveria ter entendido isso. Existiam pessoas dispostas a ajudar o clube e ele não quis. Deu no que deu. Ele é fechado e não deixou ninguém se aproximar.

UOL Esporte: Você é o maior rival do Assumpção?

Carlos Eduardo Pereira: Como toda pessoa que tem certa autossuficiência ele não gosta de ser confrontado. Não só por mim, mas também com os atletas que não recebiam. Quando alertado, ele prefere não focar nos problemas e agride as pessoas que apresentam os problemas. Isso dificulta tudo. Os quatro [Sheik, Bolívar, Edílson e Júlio Cesar] foram afastados em momento péssimo. Enfraqueceu o time e jogou o problema financeiro desses atletas para a próxima gestão. Eles estão entrando na Justiça e é direito deles. O temperamento dele é esse. Não me arerendeo de ter feito essa oposição a ele esse tempo todo. Aliás, a única chapa de oposição é a nossa. Vinicius é conselheiro que apoiou a gestão do Maurício por todo o mandato. Marcelo é ex-funcionário que foi mandado embora e só passou a se manifestar deposi disso. Thiago ainda é diretor dele e não preciso nem falar. Como oposição estruturada e consciente, somente a nossa chapa.

UOL Esporte: A renegociação das dívidas é prioridade? O Botafogo terá que reduzir gastos para se manter em dia?

Carlos Eduardo Pereira: A renegociação das dívidas terá que ser acompanhada com transparência e coerência. Não será um processo em que digamos que “devo não nego, pago quando puder”. Vamos conversar com os credores, passar informações básicas do clube. Não adianta que sejam inflexíveis a ponto de sufocar e perder  poder de pagamento. Queremos honrar de forma legalmente estabelecida. Mas de alguma maneira teremos até um comitê de credores para eles poderem acompanhar em tempo real esse processo.
A questão dos gastos estará ligada à capacidade de novas receitas. Temos o Ato Trabalhista que precisamos voltar. Queremos pagar esse percentual [do Ato Trabalhista]. Teremos o compromisso fixo do Reffis. Cada compromisso fixo reduz capacidade de pagamento e investimento. Desse dinheiro novo, quanto menos comprometer com pagamentos fixos será melhor

UOL Esporte: Mesmo com um cenário delicado, o Botafogo terá quatro chapas concorrendo. Por que isso?

Carlos Eduardo Pereira: Acho que o momento vivido pelo Botafogo é único, pior até do que quando teve que vender a sede de General Severiano. Vencida essa eleição, a partir do dia 26, todos que queiram ajudar devem colocar as preferências de lado e agir. Estamos aberto a esse diálogo, exceto com o pessoal do Maurício. Com esses não tem papo. Com qualquer outro sim

UOL Esporte: O Botafogo tem solução?

Carlos Eduardo Pereira: Tem solução porque é um clube. Se fosse empresa, tecnicamente estaria quebrado. Clube envolve paixões e instrumentos de negociações distintos dos demais. Um pouco de criatividade e competência,  conseguiremos caminhar para soluções. Proforte pode ser aprovado após essas eleições, temos expectativa do congresso reaver isso. Essas legislação permite aos clubes retomar caminho construtivo. Com dirigentes transparentes, compromisso com seus atos. Não adianta o Maurício dizer que se for para a segunda divisão a culpa será dele. E daí? Isso não mudará nada.

UOL Esporte: Presidente não tem salário. Como você se manterá por três anos, caso eleito?

Carlos Eduardo Pereira: Vou seguir trabalhando como sempre na minha empresa. Já avisei que não vou passar 24h por dia no clube. Se me ver pode puxar minha orelha, pois algo não estará certo. Temos que adotar o clube de estrutura atemporal. Pois cada gestao que troca, perde toda uma contiudade. Sai todo mundo e entra todo mundo. Se tiver grupo de executivos trabalhando para o Botafogo e não grupo político tem continuidade. Quetro trablhar nisso.

UOL Esporte: Se você ganhar muita gente deve sair do clube?

Carlos Eduardo Pereira: É possível, principalmente no quadro de pessoas jurídicas, que têm os maiores salários. Isso tem que ser revisto, pois o Botafogo paga salários acima do mercado para essa pessoas. Falta uma poiltica de cargo de salários. Precisa garimpar, colocar pessoas competentes com custos compatíveis. Isso é possível.

UOL Esporte: Então você contra que todos os cargos sejam remunerados?

Carlos Eduardo Pereira: Sim. Ter todos os cargos remunerados é algo que legislação proíbe. Para ter benefícios de clube, um dos pontos é não remunerar diretores. A partir do momento que remunera, vira empresa e comete infração. É outra carga tributária e pode falir.

UOL Esporte: Mudará alguma coisa nas categorias de base, um dos pontos positivos da atual administração?

Carlos Eduardo Pereira: A base deve melhorar. Se olhar no balanço, foram investidos apenas R$ 3,5 milhões. O que ele [Maurício] montou foi uma busca de atletas que estouravam a idade e vinham para o Botafogo. Ai conseguiu esses valores. Formar mesmo, desde as primeiras categorias, você vê na ausência de um centro de treinamento. As divisoes estao espalhadas. Ele destruiu Marechal Hermes. Caio Martins está largado, usado eventualmente. General Severiano não tem condição de uso. Engenhão treina só os profissionais. Onde treina a base? Como consegue que os treinadores argumentem ou sejam orientados para que tenham um trabalho verticalizado, com uma categoria abastecendo a outra. Precisamso de um centro de treinamento para base para eles se encontrarem e oferecer condições adequadas.

UOL Esporte: Mande um recado para a torcida do Botafogo

Carlos Eduardo Pereira: O que queremos é marcar um reencontro do Botafogo com suas origens. Tenho o apoio de muita gente no clube. Somos constituídos por grandes botafoguenses Nomes como Paulo Azeredo e Carlito Rocha, que foram dirigentes não-remunerados, apaixonados e com resultado fantásticos. Temos a visão que os funcionários devem ficar 24h à disposição do Botafogo, mas prestando conta aos dirigentes. Servir o Botafogo é um privilégio, ninguém vai receber comissão para colocar dinheiro no clube. Vamos trabalhar para marcar o reencontro com torcida e seu clube com muita ética e transparência.

Fonte: UOL