O ex-presidente Mauricio Assumpção, que foi intimado no último dia 1º de junho, a depor respondendo o questionário com 19 perguntas elaboradas pelo departamento juridico do Botafogo, para explicar o empréstimo de 20 milhões de reais pela Odebrecht, durante o fechamento do Engenhão, não foi localizado.

O processo que corria inicialmente na 5º DP, no Centro do Rio, foi transferido para a 108ª DP, em Três Rios, após a defesa do ex-dirigente alvinegro alegar mudança de domicílio para o interior do estado, onde trabalha.

Mauricio Assumpção será novamente intimado a comparecer a delegacia policial da região e caso não o faça, pode ser conduzido de maneira coercitiva.

O departamento jurídico alvinegro ingressou no ano passado com uma noticia-crime para apurar a suspeita que a interdição do Engenhão, em 2013, foi uma manobra para beneficiar o Maracanã, administrado pela empreiteira.

No primeiro depoimento no Rio de Janeiro, Mauricio Assumpção se defendeu dizendo que as acusações beiravam o ‘absurdo’.

A reportagem da Rádio Globo/CBN teve acesso a quatro perguntas do questionário e além do clube pedir esclarecimentos sobre o interesse da empresa em emprestar uma quantia milionária ao Botafogo, sem crédito à época, o departamento jurídico alvinegro quer saber se o conselho fiscal tinha ciência da celebração dos dois contratos de 10 milhões cada um, se o conselho deliberativo havia aprovado ou não esses empréstimos além de qual era a relação de Mauricio Assumpção com dois peemedebista: o ex-governador Sergio Cabral e o ex-prefeito Eduardo Paes, que estavam em seus respectivos mandatos e eram do partido que o ex-dirigente alvinegro havia se filiado no período da interdição do estádio.

Sergio Landau, ex-diretor-executivo do clube, em 2013, também foi citado na investigação e em entrevista a Radio Globo/CBN, em outubro, se defendeu dizendo ser um factóide todo esse processo e acusou possuir mente ‘pervertida e doentia’, quem acredita que o fechamento do estádio teria ligação com o empréstimo ao Botafogo.

Benedito Junior (diretor-presidente da Odebrecht), campeão de delações na Lava Jato, Leandro Andrade Azevedo (diretor da Odebrecht) e João Borba Filho (presidente do Complexo Maracanã Entretenimento S.A.) também são citados na noticia-crime.

O inquérito policial apura o cometimento de estelionato, apropriação indébita e associação criminosa por suposta simulação de contrato de empréstimo. Na outra via da justiça, a Odebrecht cobra do Botafogo, após mais de quatro anos, o valor de 20 milhões de reais corrigidos que superam a casa dos R$35 milhões.

Abaixo quatro perguntas do questionário do Botafogo ao ex-presidente Mauricio Assumpção:

* A noticia-crime informa que não houve aprovação do Conselho Deliberativo do clube.
(a) Procede esta informação?
(b) Qual a razão de não ter rido autorização prévia?

* O Conselho Fiscal estava ciente da celebração desses contratos?

(a) Qual a razão de não ter tido autorização prévia?
(b) O senhor alega que o Conselho Fiscal não solicitou o contrato, mas como seria possível se ele não tinha conhecimento da celebração?

* O vencimento do contrato foi estabelecido para 2015. O senhor Mauricio Assumpção nao seria mais o presidente e nem poderia tentar a reeleição.

(a) Está correto isso?
(b) Ainda assim o senhor não avisou ao Conselho Fiscal?
(c) E nem ao Conselho Deliberativo?

* O senhor se filiou ao PMDB durante o tempo em que exerceu a Presidência do Botafogo.

(a) Qual a sua relação com Sérgio Cabral e Eduardo Paes, já que eram do mesmo partido?
(b) Qual o motivo do senhor ter se filiado ao partido politico do Prefeito que interditou o Engenhão?

Fonte: Rádio Globo