O presidente Carlos Eduardo Pereira assumiu o Botafogo no fim do ano passado. Desde o primeiro dia, o dirigente revelou que a crise financeira do clube é mais grave do que se poderia imaginar. Prova disso, é que, em 2014, o Alvinegro devia até ao Vitória por conta da negociação de Elkeson, atualmente no Guangzhou Evergrande-CHI. A dívida chegou a última instância e o clube poderia até perder pontos no Campeonato Brasileiro.

Ainda na luta contra o rebaixamento, o Botafogo não poderia se dar a esse luxo. Por outro lado, Carlos Eduardo Pereira não tinha dinheiro no clube para ajustar a delicada situação. A solução encontrada pelo dirigente foi colocar R$ 577 mil do próprio bolso para manter o Alvinegro vivo na competição.

O empréstimo feito por Carlos Eduardo Pereira foi revelado com a divulgação do balanço do Botafogo da temporada passada. Não há qualquer previsão de quando o valor será pago. E nem o presidente alvinegro espera receber tão cedo. Ele sabia que a situação do clube era ruim, mas somente ao assumir de fato é que viu o real tamanho dos problemas, o que o assustou.

Atualmente, o Botafogo é o clube com a maior dívida do Brasil, posto que pertencia ao Flamengo em 2014. Com as atualizações, o Alvinegro passou o rival, que mudou a gestão e pagou algumas dívidas desde então. O clube de General Severiano seguia o caminho contrário até Carlos Eduardo assumir. Dívidas e mais dívidas.

Carlos Eduardo Pereira jamais escondeu sua decepção com o ex-presidente Maurício Assumpção. Ele foi a principal oposição, até mesmo quando o ex-dirigente era elogiado. O atual mandatário enxergava adiante e via que uma hora a conta chegaria. Chegou. O valor é caro demais para o Botafogo, que precisará, de acordo com suas avaliações, de ao menos 8 anos para estar em um novo panorama.

Isso, é claro, se o próximo presidente seguir os passos da austeridade financeira, o que foi adotado pelo atual Botafogo. Próximo presidente, este, que não será Carlos Eduardo Pereira, contra a reeleição. Ele, inclusive, pretende deixar sua opinião de maneira estatutária, como já ocorre no Corinthians, por exemplo.

Para voltar aos eixos, o Botafogo estabeleceu um teto salarial no Botafogo: R$ 50 mil. Jefferson, titular da seleção brasileira, é um caso a parte. Além do goleiro, jogadores que já tinham contrato alto e longo permaneceram no elenco, caso de Marcelo Mattos, por exemplo. Os demais jogadores tiveram que se adequar à nova realidade. Paga-se menos, mas em dia. Pelo menos foi o que ocorreu até agora.

Nem mesmo com a proximidade da Série B, principal objetivo da temporada, o Botafogo mudou o planejamento. Reforços são esperados, mas desde que se encaixem no perfil do clube. Nada de desespero, não haverá uma grande contratação. Isso já foi definido pela diretoria e é sustentado na prática. Pés no chão para mudar a imagem do Botafogo. Passos de formiga. E um de cada vez.

Fonte: UOL