Um impasse na licitação da reforma do Estádio Olímpico João Havelange para os Jogos Olímpicos de 2016 pode levar a prefeitura a contratar uma empreiteira sem licitação, abrindo a possibilidade de a obra sair mais cara que os R$ 52 milhões previstos. Considerado pelo próprio prefeito Eduardo Paes como de baixa complexidade, o projeto não necessita de longo prazo para execução. Mas agora a escolha da empresa que executará as obras virou uma corrida contra o relógio.

As obras têm previsão de duração de um ano. Inicialmente, a concorrência organizada pela Riourbe ocorreria em novembro. Mas foi adiada dois meses devido a mudanças no edital. Na última sexta-feira, a comissão de licitação da Riourbe desclassificou da concorrência as duas únicas empresas que participavam do processo, por falhas na documentação. Caso as empreiteiras sejam mesmo descartadas, existem duas hipóteses. A prefeitura pode organizar uma nova concorrência — o que levaria pelo menos 45 dias para ser concluída — ou contratar uma empreiteira por emergência, dispensando licitação, o que abre a possibilidade de a obra sair por um custo maior do que se tivesse concorrência.

PRAZO CURTO

A Sanerio Engenharia e a Construtora Augusto Velloso têm oito dias úteis para recorrerem da decisão. Em tese, as empresas ainda podem voltar à disputa, de acordo com as justificativas que serão apresentadas à Riourbe. A partir daí, novo prazo começa a correr. A resposta pode ser dada em dez dias. Independentemente do desfecho, o problema é que, pelo cronograma atual, mesmo sem imprevistos, as intervenções terminariam apenas em março do ano que vem, poucas semanas antes de o Comitê Organizador Rio 2016 promover eventos-teste no local.

O Estádio Olímpico João Havelange, que será palco das provas de atletismo e uma das sedes do futebol, terá que passar por obras de adaptação — sem qualquer ligação com a restauração já em execução na cobertura. Um dos pontos críticos da obra é a pista de atletismo, construída para os Jogos Pan-Americanos de 2007, que está degrada e precisará ser substituída para atender os pedidos da Federação Internacional de Atletismo.

O prazo para a conclusão da pista de atletismo é estimado em oito meses. Ou seja, mesmo com o impasse, haveria tempo para conclui-la ao menos até os eventos-teste. O problema é que, conforme a demora na busca por uma solução para todo o estádio, os atletas correm o risco de participar das provas em meio a um canteiros de obras.

AMPLIAÇÃO DO ESTÁDIO

Além da pista de atletismo, são necessárias outras intervenções de médio prazo. Com capacidade para 45 mil espectadores, o estádio será ampliado para 60 mil durante o evento. Para isso, 15 mil assentos provisórios terão que ser instalados atrás das balizas. A reforma prevê ainda recuperação das rampas de acesso e melhorias no sistema de som e na rede de cabeamento das telecomunicações, além da modernização da iluminação.

A Riourbe confirmou que as empresas foram desclassificadas — o que deve ser formalizado nos próximos dias com a publicação no Diário Oficial. Procurado, o prefeito Eduardo Paes preferiu não se manifestar. O atraso de projetos preocupa o Comitê Olímpico Internacional (COI), mas, pelo menos publicamente, o Engenhão não vinha sendo motivo para dores de cabeça.

Na semana passada, a presidente da Comissão de Coordenação do COI para a Olimpíada, Nawal El Moutawakel, disse que os projetos que mais preocupam são a pista de cross country do hipismo, em Deodoro, o velódromo, no Parque Olímpico, na Barra, e o campo de golfe, também na Barra.

Fonte: O Globo Online