A torcida do Botafogo se queixa com frequência de que a Globo, detentora dos direitos exclusivos do futebol na TV no país, priorize seu maior rival, o Flamengo, nas transmissões. Mas não apenas na TV: rádios e também nos impressos – que se confundem com o grupo Globo por conta do monopólio – o mesmo fenômeno se registra. O espaço destinado ao Flamengo, no Rio, e ao Corinthians, em São Paulo, esmaga o que é oferecido aos demais. Mas nunca, até agora, um representante da própria Globo havia confirmado este óbvio: há uma clara e evidente má vontade, no mínimo, com o Glorioso. E quem protagonizou o ineditismo foi o apresentador do Sportv, André Rizek.

 

Pirâmide invertida é a comprovação da espanholização do futebol brasileiro via TV Globo
Pirâmide invertida é a comprovação da espanholização do futebol brasileiro via TV Globo

André Rizek abriu o verbo e as páginas do Jornal O Globo para confirmar sua tese. Mostrou que no dia em que o Botafogo faria seu jogo mais importante do ano, contra o Olímpia no Paraguai, a chamada da reportagem usava a expressão “sofrência” para se referir ao Botafogo. O Botafogo, em um jogo heroico, acabou vencedor depois da disputa de pênaltis.

Mesmo nas transmissões dos jogos entre os dois rivais do futebol carioca a Globo coloca rubro negros para transmitir: Luís Roberto e Júnior em geral é a dupla destacada para falar com “isenção” sobre o espetáculo.

Há uma “verdade” defendida pela Globo para sustentar esta diferença de tratamento: número de torcedores. Segundo o Instituto Paraná Pesquisa, o Flamengo teria 16% dos torcedores enquanto o Botafogo teria 2% – 4 milhões contra 30 milhões. Mas a lógica da premiação financeira cria um abismo entre os clubes, reduz a concorrência saudável e amplia a rivalidade – fatores atrelados a capacidade de investimentos. A Globo paga ao Flamengo mais de R$ 170 milhões para garantir a exclusividade no futebol no ano, ao passo que, ao Botafogo, apenas 1/3 disso: R$ 60 milhões.

Curiosamente, embora no rol dos enjeitados, o Botafogo foi o clube que garantiu a maior audiência para a TV Globo no Rio nas duas quarta-feiras em que jogou pela Libertadores: 28 pontos. Outro dado importante é que o clube tem duas das cinco maiores rendas e público de 2017.

Veja o vídeo – Curiosamente, um jornalista da mesa, Carlos Eduardo Eboli, que trabalha no mesmo jornal O Globo citado pelo apresentador, tenta desqualificar a crítica de Rizek e afirma que não há clubismo na imprensa carioca. E você, internauta? O que acha?

Fonte: Conexão Jornalismo