Quando Maurício Assumpção chorou, há uma semana, na reunião em que disse à Dilma Rousseff que o Botafogo poderia retirar-se do Brasileiro, o presidente do clube esperava solidariedade. No entanto, o que já era ruim piorou. Protesto de jogadores pelo atraso de salários, derrota em clássico, invasão de torcedores em General Severiano e, mais recentemente, a revelação de que uma empresa do pai de Assumpção recebe comissão de 5% nos contratos entre a principal patrocinadora e o clube isolaram politicamente o presidente.

Embora se defenda, argumentando que não há impedimentos no estatuto do clube, o presidente tem nova data para justificar seus atos. Será no próximo dia 7 (quinta-feira), às 19h, na sede de General Severiano, na reunião do Conselho Deliberativo, convocada ontem.

Bloqueio de receitas

Na reunião, Assunção terá de esclarecer também a situação financeira do clube. Em pauta, a dificuldade para chegar a um acordo com o Tribunal Regional do Trabalho do Rio (TRT-RJ) para o pagamento das dívidas trabalhistas, o que provoca o asfixiamento financeiro devido ao bloqueio das receitas. Na manhã de quinta-feira, o TRT-RJ vai julgar nova proposta do clube para a liberação do dinheiro.

Na reunião do conselho, a promessa é de uma plateia crítica. Prova disso é que no clube, que terá eleição em novembro, não há sequer um pré-candidato que queira vincular sua imagem à de Maurício Assumpção. O cenário é bem diferente de seis anos atrás, quando foi alçado à presidência em chapa única.

O desgate é tão grande que um dos candidatos, Vinícius Assumpção, que não é parente do presidente, batizou sua chapa de Vinícius Presidente para evitar que um eleitor o associe ao atual mandatário. Restou ao presidente o apoio de grupos que frequentam a sede social.

Entre os pré-candidatos, não há quem defenda o presidente no caso da comissão no contrato publicitário. Carlos Eduardo Pereira, líder do grupo Mais Botafogo, diz que a permanência do presidente é insustentável.

— Se o Maurício tiver vergonha na cara, ele tem que sair já. Ele deve se afastar para recuperar o mínimo de credibilidade. É um ex-presidente em exercício — afirmou.

Para Vinícius Assumpção, o debate não é sobre a legalidade do contrato.

— Pode ser uma empresa do pai, mas não é ético. Na minha gestão, todos os contratos passarão pelo Conselho Deliberativo. É necessário transparência total — ressaltou.

Ex-diretor de marketing do clube, Marcelo Guimarães, do grupo Grande Salto, lembrou que é comum botafoguenses indicarem empresas para patrocinar o clube e abrirem mão de receberem comissão.

— A novidade é que uma empresa da família de um presidente seja remunerada. O Maurício poderia ter evitado. Eu não faria o mesmo — garantiu.

Com discurso mais moderado, Durcésio Mello critica, mas destaca a importância do patrocinador. Embora tenha a mesma base de sustentação que ajudou a eleger Maurício Assumpção, como o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, ele não se considera da situação.

— Eu, por uma questão de ética, não faria. Não é ilegal, mas é imoral — afirmou.

Fonte: O Globo Online