A falta de acordo entre Portuguesa e Botafogo, referente à desmontagem de parte das estruturas montadas no Estádio Luso Brasileiro, seguirá para a esfera judicial. Após alegar que o Alvinegro (através da empresa AKF Construções e Montagens) entrou sem permissão no local, na última terça (28), e quebrou as bases de concreto que servem como sustentação para os postes de iluminação do campo, a Lusa garantiu que irá acionar seu departamento jurídico, conforme informou o presidente João Rêgo, com exclusividade ao FutRio.net.

– A partir de agora serão os procedimentos jurídicos da Portuguesa com o jurídico do Botafogo. Chegar a uma conclusão das coisas, porque eu fui surpreendido quando cheguei às sete e meia da manhã e vi uma máquina dentro do campo, que já tinha destruído várias coisas lá dentro. Isso foi feito de noite, as máquinas entraram de noite, o que achei um pouco de má-fé, porque foi feito fora do horário. Não nos comunicaram o horário, que não é o de expediente normal – explicou o mandatário lusitano.

João Rêgo prosseguiu falando sobre a relação com o Botafogo, que está estremecida após os clubes não renovarem a parceria de utilização do Luso Brasileiro para 2017. Segundo Rêgo, a saída do Alvinegro tem sido complicada. Seu filho e vice-presidente da Portuguesa, Marcelo Barros, chegou a declarar a mesma coisa na última quarta-feira, alegando que o Botafogo “tem criado problemas” desde então.

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– Tem sido um pouquinho (complicado). Eu queria até aproveitar para agradecer à torcida do Botafogo, que temos um carinho muito grande, que sempre agiu sem problemas dentro do clube, sempre em harmonia com a Portuguesa. Agora, quem deu essas ordens aí que eu acho que não está muito certo. Não nos comunicou nada. De noite, a gente não tem como saber se tem pessoas estranhas no clube, que não temos conhecimento. Por isso fizemos o Boletim de Ocorrência – explicou o presidente da Lusa.

Perguntado se o litígio com o Botafogo poderia prejudicar a parceria com o Flamengo, novo locatário do local a partir de 1º de janeiro, João Rêgo fez uma projeção otimista, acreditando que o Rubro-Negro poderá trabalhar normalmente em suas adequações a partir do primeiro mês do ano.

– Não. O Flamengo está tranquilo, está esperando a data de início. Não tem nenhum problema. Acho que sim (o Botafogo deixará tudo liberado até dia 31). Pelo andamento dos trabalhos que estou vendo, estará em condições sim (do Flamengo entrar) – concluiu.

Por sua vez, o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, ao se manifestar na última quarta-feira, demonstrou tranquilidade quanto a uma possível disputa judicial contra a Portuguesa

– Cada um acha que tem os seus direitos, pode fazer o que quiser. Da nossa parte, nós vamos defender o Botafogo sempre – afirmou.

Entenda o caso

Botafogo e Portuguesa firmaram parceria para que o Alvinegro utilizasse o Luso Brasileiro como sua casa durante 2016. O Alvinegro investiu cerca de R$ 5 milhões no local para transformá-lo provisoriamente na Arena Botafogo, onde mandou grande parte de seus jogos no Campeonato Brasileiro. Com a volta do Estádio Nilton Santos no próximo ano (a praça esportiva estava sob os cuidados do Comitê Olímpico Internacional, para as Olimpíadas), a direção do clube optou por não prosseguir utilizando o estádio na Ilha do Governador.

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Sem o Bota, a Portuguesa rapidamente alinhavou parceria com um novo locatário para o período entre 2017 e 2019: o Flamengo. A direção rubro-negra chegou a propor um acordo ao Botafogo, para que pudesse utilizar parte da estrutura inserida pelo Alvinegro, reduzindo assim o tempo de montagem de uma nova arena. O rival não aceitou, optando por fazer toda a desmontagem da estrutura, com o Fla tendo que iniciar o trabalho do zero a partir de janeiro.

O principal motivo de discórdia entre Portuguesa e Botafogo tem sido o que será retirado pelo Alvinegro e o que fica como benfeitoria. O caso da última quarta-feira (28), foi mais um episódio. Enquanto os donos da casa alegam que a base dos postes de iluminação precisam permanecer como parte das melhorias, o Bota acredita que deve retirar o material utilizado. Outros itens de instalações elétricas e hidráulicas, além de equipamentos como aparelhos de ar-condicionado e câmeras de segurança também são objetos de contestação. Ambas as partes dizem estar respaldadas pelo contrato assinado.

Fonte: FutRio