Após 23 meses de interdição, o Botafogo finalmente terá o Engenhão de volta. Mais do que ser obrigado a procurar outro local para mandar seus jogos no período, o Alvinegro viu a ausência do estádio prejudicar o programa de sócio torcedores. Com a casa novamente liberada a partir do Campeonato Carioca, os torcedores botafoguenses se animaram e voltaram a se cadastrar no “Sou Botafogo”.

Mas o Engenhão não foi o único motivo de animação para os torcedores. Alguns ajustes feitos pelo Botafogo foram fundamentais para que a adesão tivesse um aumento dez vezes maior em relação a 2014: um desconto de até 25% em alguns planos e a transparência adotada pela nova diretoria, que entrou no clube no fim de novembro, quando Carlos Eduardo Pereira foi eleito o novo presidente do Alvinegro.

“O fechamento do Engenhão foi o mais duro golpe que o programa “Sou Botafogo” teve. Fechou repentinamente e clube e torcedor ficaram sem saber o que fazer, pois foi uma surpresa. Muitos saíram porque estavam sem perspectiva de jogos no Rio de Janeiro. Ainda não tinha o Maracanã. Botafogo estava com um grande time, com Seedorf e fazendo um bom Carioca. A expectativa era de crescimento do programa, mas teve essa interrupção. Afastou o torcedor do Rio de Janeiro do estádio”, explicou Caio Araújo, coordenador de projetos do Botafogo.

“Entendemos que como há um novo Botafogo, com nova diretoria e nova postura, era importante trazer o sócio para o programa. A primeira coisa que fizemos foi baixar o preço. Reduzimos em até 25% dependendo do plano. Estamos montando um novo conceito de sócio para divulgar em breve. Não posso divulgar muita coisa ainda, mas haverá uma diferença clara de sócios do Rio de Janeiro e do restante do Brasil. O Engenhão é uma grande notícia, mas interessa mais os torcedores do Rio. Mas o Botafogo é Brasil e estamos montando estratégia que olhe de maneira diferente”, acrescentou o dirigente.

Atualmente o Botafogo conta com 8,5 mil sócios torcedores. Em 2014, o clube chegou a ter pouco mais de 10 mil, mas a péssima campanha e a falta de jogos no Rio de Janeiro fizeram esse número cair. Mas a queda não foi tão alta e surpreendeu a diretoria. Mais do que isso, os dirigentes entenderam o recado como a prova de que os botafoguenses não abandonarão o Alvinegro nesse momento de dificuldade.

 

Divulgação/Botafogo

Assim, o Botafogo planeja lançar um plano com conceitos inovadores nos próximos meses. Ainda não se sabe quando especificamente, mas ele já estará ativo antes da estreia do Campeonato Brasileiro. Uma das novidades é a divisão entre os torcedores do Rio de Janeiro e do restante do Brasil. Além disso, a diretoria trabalha intensamente para implantar o direito a voto para os sócios-torcedores, embora ainda não saiba se será possível ou em quanto tempo estará pronto.

“Trabalhamos internamente o voto ao sócio torcedor. Alguns detalhes de como vai ser ainda estão sendo discutido. O Carlos Eduardo prometeu em campanha e isso tem sido tratado como prioridade, mas não é tão rápido”, afirmou Caio. “Essa divisão é marcante. Engenhão será importantíssimo para os torcedores do Rio. Os de fora precisam de outros incentivos”, completou o dirigente.

Por fim, mas não menos importante, o programa de sócio-torcedor poderá representar um alívio financeiro para o Botafogo. Caio Araújo afirma que os alvinegros já estão inclinados a ajudar o Alvinegro nesse período de reconstrução da imagem, muito arranhada na última temporada.

“Queremos que o torcedor se sinta convocado. As dificuldades financeiras são grandes e o “Sou Botafogo” é uma fonte de receita muito importante. A renda da TV, patrocínio são conhecidas. Sócio-torcedor não tem limite. É a adesão vai definir. Queremos passar pela crise e o projeto será fundamental. O torcedor vai se sentir participando da reconstrução do Botafogo. Estamos felizes com a quantidade de botafoguenses que estão aderindo. Mostra que está comprando o barulho. O “Sou Botafogo” é uma fundamental ferramenta para o torcedor participar da reconstrução do clube”, finalizou.

Fonte: UOL