O Botafogo está próximo de alcançar um feito que apenas as equipes de Garrincha e Jairzinho, pai do técnico Jair Ventura, conseguiram pelo clube: alcançar a semifinal da Copa Libertadores.

Após empatar sem gols com o Grêmio há uma semana, no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, o time carioca enfrentará o Grêmio, na Arena tricolor, em Porto Alegre, nesta quarta-feira, pelo jogo de volta das quartas de final.

Um triunfo ou um empate com gols assegurá ao time alvinegro a classificação. Derrota o eliminará. Um novo 0 a 0 levará a decisão para a disputa de pênaltis. O rival na semifinal sairá do confronto entre Santos e Barcelona-EQU.

O Botafogo só chegou à semifinal da Copa Libertadores duas vezes.

A primeira foi em 1963, edição que marcou a estreia do time alvinegro na competição. O torneio era muito mais simples e enxuto em relação a edição atual. Tanto que jogou apenas três vezes (ainda foi beneficiado com um W.O. na última rodada).

Foram três vitórias: 1 a 0 no Alianza Lima, em Lima; 2 a 0 no Millonarios, em Bogotá; e 2 a 1 no Alianza Lima, no Maracanã. O W.O. ocorreu porque o Millonarios desistiu de vir ao Rio de Janeiro para a última rodada.

A equipe botafoguense era bem forte. Tinha o goleiro Manga, o lateral direito Joel, o lateral esquerdo Nilton Santos, que vinha jogando como zagueiro, deixando sua posição para Rildo. Tinha ainda Quarentinha, Zagallo, Garrincha e Jairzinho.

Na semifinal o adversário era tão forte quanto e muito temido: o Santos de Pelé.

Muitos imaginavam que seriam dois épicos duelos entre o Rei Pelé e Mané Garrincha. Mas no primeiro confronto, no Pacaembu, Garrincha não jogou. Ele estava brigado com a diretoria, já acusava problemas nos joelhos e também tinha ficado fora dos jogos pela primeira fase). Ainda assim os times empataram por 1 a 1, gols de Pelé e Jair Bala.

Em busca de uma inédita classificação para a final, a diretoria convenceu Garrincha a atuar no Maracanã. Criou-se a expectativa de um embate de deuses, mas, como o ponta-direita não estava bem, o Santos atropelou o Botafogo: 4 a 0. Pelé fez três e Lima completou o marcador, levando o time da Vila Belmiro para a segunda final consecutiva da Libertadores.

Jairzinho agora protagonista

Em 1963, Jairzinho, o pai de Jair Ventura, tinha só 18 anos. Com tantas feras no time (Nilton Santos, Zagallo e Garrincha eram bicampeões mundiais pela seleção), era natural que não fosse um protagonista. Mas em 1973 ele era.

O título da Copa de 1970, quando entrou para história por ter feito gols em todos os jogos do torneio e ganhou o apelido de Furacão, mudou o status dele. Era o craque do time botafoguense.

Além dele, a equipe de 1973 tinha nomes como Marinho Chagas, Dirceu, Roberto (também campeão em 1970) e Fischer. Era muito forte, tinha sido vice-campeã brasileira no ano anterior.

Na Libertadores, o Botafogo fez sete jogos para alcançar a semifinal, que era jogada com seis times divididos em dois triangulares. Ainda na fase de grupos teve de encarar Palmeiras (campeão brasileiro), Nacional (campeão uruguaio) e Peñarol (vice).

Na estreia perdeu para o Palmeiras por 3 a 2. Depois ganhou do Nacional por 3 a 2, do Peñarol por 4 a 1 e do Palmeiras por 2 a 0. Depois empatou com o Peñarol por 2 a 2 e bateu o Nacional por 2 a 1.

A classificação final do grupo apontava Botafogo e Palmeiras com nove pontos cada um, com quatro vitórias, um empate e uma derrota. Como apenas um avançava de fase, foi disputado um jogo extra.

No Maracanã, o Botafogo enfrentou e derrotou o Palmeiras por 2 a 1.

No triangular semifinal, o time da Estrela Solitária encontrou o Cerro Porteño, do Paraguai, e o Colo Colo, do Chile. A boa campanha não se repetiu. Perdeu para os chilenos por 2 a 1 e para os paraguaios por 3 a 2.

No returno empatou com o Colo Colo por 3 a 3 e bateu o Cerro Porteño por 2 a 0. Terminou com três pontos e na última colocação, eliminado mais uma vez antes da final.

Jairzinho fez quatro gols, todos na fase de grupos.

Hoje: bom visitante

Um trunfo para igualar as campanhas citadas acima é a boa campanha que o Botafogo faz como visitante.

O time jogou seis vezes assim e perdeu somente em duas ocasiões – 1 a 0 para Olimpia, no Paraguai, e 1 a 0 para o Estudiantes, na Argentina. Nos outros jogos empatou por 1 a 1 com o Colo-Colo e com o Barcelona, do Equador. Derrotou o Atlético Nacional, da Colômbia, por 2 a 0 e o o Nacional do Uruguai, por 1 a 0.

“O Grêmio sabe matar os jogos em casa e por isso temos que ser cirúrgicos. Uma bola que apareça teremos que colocar para dentro. Um gol nossa muda tudo e por isso mesmo temos que ser inteligentes”, avisou Jair Ventura.

E o Grêmio?

Duas vezes campeão da Libertadores, o Grêmio joga para alcançar a oitava semifinal. Prova de que é um time com muita tradição e experiência na competição.

O time tricolor esteve presentes nas edições de 1983, 1984, 1995, 1996, 2002, 2007 e 2009. E obteve sucesso (ou seja, conseguiu avançar para a decisão) quatro vezes.

Foi para a final em 1983, 1984, 1995 e 2007, tendo faturado o título em 1983 e 1995.

Já nas edições de 1996, 2002 e 2009 caiu na semifinal. Os algozes foram o América de Cali, da Colômbia, o Olimpia, da Paraguai, e o Cruzeiro respectivamente.

Mas não é na história exatamente que o Grêmio anda passando. O time teve uma queda de desempenho. Nos últimos dez jogos, venceu apenas três, empatou dois e perdeu cinco.

Para piorar, na véspera da partida Renato Gaúcho ainda não sabia se poderia contar com o zagueiro Pedro Geromel e o meia-atacante Luan. O segundo é o que preocupa mais. Ele sofreu um edema muscular na coxa direita.

“É um jogo decisivo certamente, mas eu jamais vou colocar um jogador dentro de campo sabendo que ele pode ter uma lesão grave ou agravar aquela lesão com 5 ou 10 minutos de jogo. Não é a final. É um jogo importantíssimo? Sim, mas às vezes não adianta colocar o jogador e perdê-lo para o restante do ano. Se tiver qualquer tipo de risco, eu não colocar em campo. Os jogadores que entrarem em campo, em termos de lesão, podem ter certeza que vão estar bem”, afirmou o técnico Renato Gáucho.

Fonte: ESPN.com.br