Klay Salgado, diretor comercial do Botafogo, causou polêmica ao juntar cinco patrocínios na camisa do clube, no clássico do último domingo, contra o Flamengo. Discussões estéticas à parte, a iniciativa levanta uma questão moral: dois dos anunciantes, a Zeex e a Casa&Video, são empresas envolvidas nos negócios comerciais do dirigente.
O senhor ficou surpreso com a polêmica causada com o anúncio dos smartphones a R$ 179 na camisa do Botafogo?
Não sei qual clube foi o primeiro a estampar a marca de um patrocinador na camisa. Mas certamente houve gente a favor e contra. Há mais de 25 anos, em torno de 30, vendo produtos para o varejo brasileiro. Vendo para Ponto Frio, Casa&Video… Trago da China eletrodomésticos portáteis e vendo-os para grande redes. Por que não trazer parte desse dinheiro que o varejo aplica em propaganda para o futebol?
Não acha que a camisa ficou poluída?
Qual é a diferença entre o smartphone a R$ 179 e a marca Cruzeiro do Sul? É tudo propaganda. A diferença é que colocamos o preço. Tenho certeza de que outros varejos e clubes estarão usando essa estratégia em breve pois, segundo o Ibope Repucom, 30 segundos numa tevê aberta equivale a um valor estratosférico. E uma partida de 90 minutos na tevê aberta corresponde a 7 minutos. Quanto isso custaria à Casa&Video?
O senhor vende smartphones para a Casa&Video?
Não. Foi uma coisa que eu quis separar. Não seria ético eu me aproveitar do cargo, colocando na camisa o preço de um produto que eu vendo para a Casa&Video. Eu vendo produtos da Tectoy, da Zeex, que tem uma fábrica de eletrodomésticos portáteis em Araruama…
Mas a Zeex estava entre os patrocinadores do Botafogo no clássico… Promovendo essa marca, o senhor não se beneficiou indiretamente?
Eu anunciaria esse produto nos jornais. O que fiz foi tirar a verba que iria para outros veículos. Tirei a receita de jornais, trazendo-a para o clube.
Quanto o Botafogo ganhou com esses patrocínios?
O total do patrocínio, englobando também o jogo Fluminense x Botafogo, domingo, ficou entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão.
Ficou satisfeito com o valor?
Sim. Foi para dois jogos. Vamos pensar que no ano passado a gente teve um patrocínio da Viton 44 no valor de R$ 20 milhões por um ano. E o Botafogo estava mais valorizado, pois havia participado da Libertadores. A gente vai estar sempre tentando inovar. Em 95, eu trouxe o Vaporeto (higienizador) para o Brasil. No fim dos anos 80, distribuímos fitas de videocassete, quando as pessoas só podiam alugar vídeos nas locadoras. A gente está sempre correndo atrás das novidades.
No domingo, o preço do smartphone será mantido na camisa?
Eles vão responder isso até amanhã (quinta-feira). A gente vai saber no domingo se a operação foi um sucesso para a marca. Se mantiverem o anúncio do smartphone, é porque precisam de mais mídia para vender o número de telefones que compraram.
O objetivo do Botafogo foi alcançado?
Foi. Há quanto tempo você não vê um patrocínio pontual com tanta repercussão?
A Casa&Video pagaria menos ao Botafogo para estampar somente sua marca na camisa, sem o preço do produto e a inscrição “liquidação maluca”? Eles jogaram duro?
Não. Fui eu que joguei duro pra que botassem o smartphone. Eles queriam escrever só Casa&Video.
Qual era a sua intenção?
Eu queria fazer alguma coisa nova. É uma tentativa de atrair mais frequentemente o varejo para o futebol. Recebi ligações de outras empresas perguntando o que foi aquilo…
Que empresas?
Prefiro não dizer.