Em 2008, Dodô, quando atuava pelo Botafogo, foi punido pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) pelo uso da substância fenproporex. No Bola da Vez desta semana, o convidado falou sobre esse episódio e revelou que seus advogados o aconselharam a admitir o uso para tentar pegar uma pena menor.

– Se não tivesse acontecido o negócio do doping, pelo que eu encontrei jogando e pelo que a torcida fazia por mim nos jogos e treinos, eu poderia ser o Zé Roberto (jogar até 40 anos). Era uma coisa fantástica no Botafogo. O caso do doping quebrou tudo isso. Era uma farmácia de manipulação e a minha cápsula foi contaminada. Quando veio a notícia do doping, eu estava em Brasília, Botafogo líder e eu artilheiro do Brasil. Sonhávamos com o título brasileiro. Quando o Cuca falou comigo, pensei que só podia ser brincadeira. Ele perguntou se eu queria jogar, falei claro, ganhamos do Atlético-PR. Segunda-feira caiu a ficha, aeroporto lotado de imprensa, fui a julgamento.

– Foi muito estranho o que aconteceu. Fui condenado por 120 dias no primeiro julgamento e absolvido no segundo. Pela minha carreira e por tudo que aconteceu, entenderam e me absolveram. Foi um alívio. Vários advogados me falaram para confirmar que tomei. Disse que não ia confirmar que tomei, porque jamais fiz isso na minha carreira. Fui absolvido, mas 30 dias depois soube que ia ser julgado na Suíça.

– Depois desse episódio, não tinha confiança nos profissionais do Botafogo, não conseguia olhar para o fisiologista, tinha esfriado a relação com os médicos. Lembro que o Montenegro chegou e me falou que eu não ia sair, pediu para eu dizer quem eu queria que ficasse no clube, quem deveria sair. Só que foi um golpe tão duro que falei que não tinha mais condição. Ninguém assumiu a responsabilidade.

Fonte: ESPN.com.br