Mergulhado na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro com 33 pontos conquistados, o Botafogo vive ainda um momento de incerteza fora das quatro linhas. Com a eleição presidencial prevista para o dia 25 de novembro, a atual diretoria evita tomar algumas decisões que possam acabar entrando em choque com a futura gestão. Sendo assim, o técnico Vagner Mancini vem encontrando ainda mais problemas para gerir a grave crise que tomou conta de General Severiano.

Após a derrota de 2 a 0 para o Atlético-PR, no fim de semana, o treinador solicitou aos dirigentes que o elenco deixasse o Rio de Janeiro nesta terça-feira para se preparar melhor para o clássico deste sábado, às 19h30 (de Brasília), no Maracanã, pela 34ª rodada. Porém, escutou que a ideia não seria viável por falta de recursos. Para garantir a estada longe de capital, o presidente Maurício Assumpção teria que pegar algum tipo de empréstimo ou antecipar receitas, algo que está impedido por conta do processo eleitoral.

“Para o Botafogo seria importante demais tirarmos os jogadores do Rio de Janeiro neste momento, mas isso, assim como outras coisas que seriam importantes, não podemos fazer neste momento por uma questão financeira. A concentração em General Severiano não é a ideal. De fora as pessoas acham tudo fácil, mas não é”, lamentou Mancini.

A própria permanência do treinador só está acontecendo porque o clube não tem dinheiro para demiti-lo e contratar outro. Após o jogo contra o Furacão, Assumpção foi cobrado por alguns pares para dispensar o comandante e contratar algum nome na linha motivador. Alguém que chegasse como última esperança para contornar a crise. Outros conselheiros, que já olham o rebaixamento como inevitável, sugeriram que se contratasse logo o técnico para 2015, a fim de que ele pudesse observar melhor o plantel e ainda tentar dar um gás final.

Apesar de insatisfeito com algumas declarações de Mancini que, após o jogo contra o Furacão, reclamou da perda de jogadores e dos diversos problemas que vem tendo que administrar, Assumpção acha que demiti-lo agora seria apenas aumentar a dívida do clube e, além disso, encontrar alguém para aceitar o desafio de dirigir o Botafogo neste momento é tarefa inglória.

Neste cenário o elenco começa a preparação para o clássico contra o Fluminense. A lista de desfalques continua grande. O lateral esquerdo Junior Cesar, expulso contra o Furacão, vai ter que cumprir suspensão. O zagueiro André Bahia e o volante Marcelo Mattos, entregues ao departamento médico, serão reavaliados, assim como o volante Rodrigo Souto e o atacante Jobson, que deixaram o duelo contra os paranaenses muito desgastados fisicamente. Os atacantes Wallyson, Rogério e Tanque Ferreyra, com lesões mais sérias, só deverão voltar a jogar em 2015.

“Estamos diante de um quadro totalmente desfavorável, com muitas lesões ao mesmo tempo, sem contar outros problemas de suspensão, como é o caso do Júnior Cesar. Vamos pensar no time que enfrenta o Fluminense com calma. Desde que o Campeonato Brasileiro começou já perdemos catorze jogadores e contra o Atlético não era nem o nosso segundo time em campo”, disse Mancini.

Nesta terça-feira, o elenco volta a treinar na parte da tarde, quando Mancini vai começar a projetar a escalação, já que o trabalho desta segunda-feira foi apenas regenerativo.

Fonte: Gazeta Esportiva