Em semana de alta tensão, até Jefferson e Seedorf discutem

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O mar de calmaria que transparecia no Botafogo se transformou em um vulcão com risco de explodir. A decisão dos jogadores de não viajar para São Paulo um dia antes do jogo com o Corinthians, que será realizado sábado, às 21h (de Brasília), no Pacaembu, na estreia do time no Campeonato Brasileiro, teve desdobramentos depois de uma longa reunião realizada nesta sexta-feira completando uma semana tensa por causa dos salários atrasados e da alegação de falta de comunicação com a diretoria. Com isso, os atletas vão tomar café da manhã no Engenhão neste sábado e, em seguida, embarcam para a capital paulista.

A atitude foi tomada apesar da conversa com os dirigentes sobre as consequências, principalmente em caso de derrota. Capitaneados por Jefferson, Bolívar, Andrezinho e Seedorf, os jogadores tomaram a decisão em um momento de tranquilidade justamente para evitar no futuro que o caso fosse tratado como desculpa para uma má fase.

Nem mesmo um desentendimento entre Seedorf e Jefferson no treinamento do dia 17 de maio, que foi fechado para imprensa, causou divergência na decisão. Os dois discutiram na frente dos outros jogadores, mas acabaram se entendendo no final, com o apoio do técnico Oswaldo de Oliveira, que não levou o caso adiante e entendeu o problema como um reforço para a ideia de igualdade no grupo.

Os jogadores alegam que marcaram três reuniões com os dirigentes e nenhum deles compareceu para dar explicações sobre o atraso. O clube deve um mês de CLT para todo o grupo e dois de imagem para 11 atletas, além de todas as premiações pelas conquistas da Taça Guanabara, Taça Rio e do Campeonato Carioca.

O goleiro Jefferson, como capitão e jogador mais antigo do time, foi o responsável por comunicar aos dirigentes a decisão do grupo. Na noite de quinta-feira, houve uma longa reunião na qual o clube fez uma busca para conseguir o dinheiro. Em vão.

Um dos argumentos utilizados pelo Botafogo ao conversar com os jogadores foi a questão da interdição do Engenhão, que aconteceu no dia 26 de março e vem dificultando a arrecadação do clube. Apesar de reconhecer publicamente a legitimidade da iniciativa dos atletas, a direção ficou insatisfeita com o fato de só ter tomado conhecimento da recusa da concentração na noite da antevéspera do jogo, quando a logística da viagem para São Paulo já estava pronta. O clube chegou a contabilizar um prejuízo alto, mas em cima da hora conseguiu minimizar a perda para cerca de R$ 15 mil. A possibilidade de a comissão técnica viajar nesta quinta-feira foi cogitada, mas posteriormente a ideia não foi à frente.

Na manhã desta sexta-feira, o presidente em exercício Paulo Mendes foi ao Engenhão conversar com o grupo. O gerente executivo Aníbal Rouxinol e o gerente técnico Sidnei Loureiro passaram as últimas horas discutindo soluções. No encontro com os jogadores, eles tentaram até o fim fazer com que a equipe mudasse de ideia. E quase conseguiram, mas dois dos líderes bateram o pé e a decisão foi mantida. Há uma promessa de pagamento da dívida até quarta-feira, quando o time enfrenta o Santos, em Volta Redonda, pela segunda rodada do Brasileiro.

Existe, inclusive, uma preocupação de como se dará o processo da próxima viagem. O Botafogo enfrenta, em um espaço de quatro dias, Santos e Cruzeiro, ambos em Volta Redonda. Normalmente, o time ficaria na cidade ou em Pinheiral, mas ainda não há uma programação estabelecida.

A decisão de não se concentrar já havia acontecido na disputa da Taça Rio. Na ocasião, os jogadores comunicaram que se apresentariam apenas no dia dos jogos realizados na cidade do Rio de Janeiro e se concentrariam nas viagens para Volta Redonda ou Macaé.

Depois da final da Taça Rio, dia 5 de maio, quando venceu o Fluminense por 1 a 0 e conquistou o título do Campeonato Carioca, o Botafogo fez o pagamento de um mês de salários e de direito de imagem com a ajuda da família Moreira Salles. O clube segue em busca de recursos para acabar com o problema, mas ainda não encontrou a solução.

Fonte: Globoesporte.com

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