Vendido por cerca de US$ 6,8 milhões (R$ 34 milhões) ao Columbus Crew, Santiago Rodríguez pode ajudar o Botafogo a destravar uma negociação com Major League Soccer, o que tem relação direta com a recuperação judicial.
No canal “Arena Alvinegra”, o jornalista Thiago Veras deu detalhes de como está o processo.
– Para atualizar uma informação da última semana, que começou pelo Anderson Motta, que trouxe um detalhe, uma informação interessante, e aí a gente tem um complemento, um desdobramento disso daí. Que é em relação à recuperação judicial, um fator fundamental para o processo de reestruturação, de recuperação, enfim, do Botafogo. Que nesse momento o Botafogo entende que tem basicamente 25% de aprovação dos credores nesse processo da RJ. Tem que ter a maioria, tem que ter 50 mais 1. Então já é, digamos assim, meio caminho andado. Você já tem a metade do que você está imaginando ali que vai precisar para poder ter a maioria e poder aprovar. E aí tem uma situação que a gente conseguiu aprofundar, que é muito importante nesse processo, é relacionada à saída do Santi para a MLS novamente. Porque apesar da negociação ser com o Columbus Crew, e não com o New York City, onde ele foi comprado, e na época teve a pendência financeira, como tudo passa pela liga, o acordo é com a MLS. Então essa situação fica bem clara. A MLS meio que representa o New York City nessa negociação. E o Botafogo espera que nesse momento deve ter algo em torno de 50% a 60% de um caminho andado para construir esse acordo com a MLS, que é uma das maiores credoras nessa questão da recuperação judicial, no sentido de obter o voto sim de uma credora importante que vai estar presente nesse processo. Então essa situação do Santi faz com que o Botafogo avance bastante num possível acordo, num possível voto sim, de credores em relação à MLS. Então esse é um ponto importante – contou Thiago Veras.
– E aí o Botafogo acredita que, com uma aprovação, com um sim iminente da MLS, outros credores possam se motivar para aderir também a esse mecanismo que o Botafogo está usando. Logicamente, para quem deixou de receber, você tem um deságio, mas ao mesmo tempo faz um acordo e a coisa vai ser mais para a frente resolvida. Então, assim, como a MLS é um credor bem forte do Botafogo nesse momento, esse caminho aberto para concretizar esse voto sim que o clube espera pode abrir também horizontes, para que outros credores entrem nessa linha da MLS e também futuramente possam dar um voto sim para o Botafogo construir essa maioria e naturalmente aprovar a RJ – explicou.
A aprovação da recuperação judicial ainda não tem uma data certa.
– Quando esse prazo vai acontecer? A gente não tem ainda uma exatidão, né? Pode ser que saia até o fim do ano. Pode ser que o Botafogo consiga alguns mecanismos de prorrogar essa negociação até, por exemplo, meados de 2027. Então não dá para cravar ainda quando de fato isso vai acontecer, mas a coisa está andando, está caminhando. Uma previsão mais otimista seria até o fim do ano. Se não, dentro dos trâmites normais do processo, meados de 2027 – disse.
Outra notícia importante é que a dívida com a MLS foi desmembrada.
– A situação do Santi é importante porque o Botafogo conseguiu dividir em blocos a questão da dívida, da MLS como credora. Ela responde pela questão do New York City, mas não responde mais agora pelo Atlanta. O Atlanta é um bloco separado, virou um credor separado, e a MLS é uma outra coisa. Por que o Atlanta não entra ou deixou de estar inserido num mesmo bloco? Aí vem uma segunda informação que acrescenta essa questão do Santi e tal. O Atlanta já tinha sido mais atrás também noticiado, fez uma proposta de US$ 20 milhões pelo Montoro, e o Botafogo não fez a negociação. Por quê? Porque uma coisa é para o Botafogo negociar agora o Santi Rodríguez, que veio mais caro, foi negociado mais barato, mas aí faz parte do acordo pra conseguir avançar nesse processo. O Santi ganhava um pouco mais de R$ 1 milhão para ser um reserva hoje pouco utilizado. O Santi queria sair, queria jogar nos Estados Unidos, uma questão particular, familiar, enfim. E aí o Botafogo tinha essa proposta, acabou concluindo esse acordo que para ele era jogo também tentar resolver com a MLS. Com o Atlanta já é diferente. Por quê? Porque o Montoro vale muito mais do que o Santi Rodriguez. Então, o Botafogo sairia, digamos assim, perdendo financeiramente se ele faz essa venda agora do Montoro. Então isso gerou o quê? A gente prolonga mais um ano o contrato, faz uma negociação, foi prolongado mais um ano de contrato com o Montoro, você reajusta o valor da multa. Dá um reajuste de salário também para o atleta na expectativa de dois detalhes. Um, que ele possa ser vendido por mais que 20 (milhões), porque ele está jogando hoje muito bem e fica como, digamos, a cara futura do projeto, pelo menos pra ter uma arrecadação, além da parte técnica que ele está desequilibrando. Então ao invés de 20, se terminar assim o ano, o Botafogo talvez pode barganhar 30, 28, 25, 23, enfim. Então assim, uma coisa era o Santi, uma coisa era o Montoro. Ficou uma coisa separada o bloco MLS, mas o mais importante é que o Botafogo considera que deu um grande avanço de uns 60%, 50%, pra ter esse voto sim de uma credora importante nesse processo – completou.