Os irmãos João e Walter Moreira Salles encomendaram um estudo para auditar as contas do Botafogo e elaborar um modelo que viabilize a compra do futebol do clube. A notícia deixou a torcida empolgada, mas também com alguns questionamentos. O principal deles é simples: o que falta para isso sair do papel e virar realidade?

A verdade é que a resposta para essa pergunta não é nada simples e depende de algumas variáveis. A principal delas é justamente o estudo encomendado pela Ernest & Young, com previsão de término em março de 2019. Somente com eles nas mãos é que os irmãos Moreira Salles poderão analisar a forma de proceder para levar o projeto adiante.

Uma das possibilidades, por exemplo, é que eles façam uma “simples” compra das dívidas totais do Botafogo – atualmente na casa dos R$ 750 milhões, segundo dados do site do clube. Nesse caso, os irmãos se tornariam acionistas majoritários de uma empresa do Alvinegro que controlaria o futebol.

Vale ressaltar que o objetivo é zerar as dívidas do Botafogo e ajudar o clube a ter uma gestão profissional. De forma alguma, lembra o modelo de um mecenas. Apesar de serem acionistas da tal empresa, eles não participariam do dia a dia ou assumiriam algum tipo de cargo.

Outra possibilidade é que os Moreira Salles paguem apenas parte das dívidas e abram as portas para outros botafoguenses ilustres serem acionistas minoritários. O fato é que ainda não há qualquer norte até o fim dos estudos, e qualquer afirmação nesse sentido é mera especulação. Tudo dependerá do modelo a ser definido.

A única certeza é que a proposta passará pela separação do futebol do social. Para isso, no entanto, os irmãos terão que elaborar e aprovar uma reforma estatutária que deverá ser aprovada pelo conselho deliberativo e pelos sócios em assembleia geral.

Na reforma estatutária, por exemplo, uma das preocupações deverá ser como será mantida a sede de General Severiano. Atualmente, o Botafogo emprega a verba do futebol, já que ela não se provou autossuficiente até o momento. Por mais que pareça algo pequeno ou simples de se resolver, a situação é importante e complexa. Isso porque esses sócios serão decisivos para aprovar a reforma que aprovará a compra do futebol pelos irmãos.

Em nota enviada ao UOL, os irmãos ressaltaram que não pretendem assumir cargo ou fazer a gestão direta do clube e que o “objetivo de todos é apenas colaborar para que o Botafogo retome a sua trajetória de vitórias e possa estar à altura tanto de sua história quanto de sua torcida”.

Fonte: UOL