A interdição do estádio do Engenhão, que tanta polêmica causou, volta à discussão segunda-feira, em palestra de Gilberto Adib Couri na Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (Seaerj), na Glória. Engenheiro de estrutura, professor titular da UFF em mestrado e doutorado e professor e coordenador na FGV Management, Gilberto explicou a tese de que nada precisava ter sido feito no estádio do Engenho de Dentro. O trabalho, desenvolvido por uma equipe de mais de dez especialistas, venceu, em outubro, o “Prêmio Nacional de Perícia”, dado pelo 18º Congresso Brasileiro de Avaliações e Perícias.

“Fiz parte do grupo de engenheiros chamados pelo consórcio RDR, responsável pelas obras iniciais do Engenhão, para fazer uma análise técnica dos questionamentos da obra que levaram à contratação de um novo consórcio e à interdição do estádio. Tivemos total isenção e liberdade, inclusive, de não chegar à nenhuma conclusão”, conta ele.

Relembrando o caso: seguindo relatório da consultoria alemã SPB, que detectou falhas na estrutura da cobertura, a prefeitura do Rio interditou o estádio, em 2013. Na época, dizia-se que se os ventos na região ultrapassassem 70 km/h, a cobertura poderia desabar. A interdição durou quase dois anos e o Engenhão só reabriu em fevereiro.

Para Gilberto, a decisão da interdição foi precipitada. As deformações apontadas nunca aconteceram. Em vez disso, “peças metálicas tortas foram usadas no estádio. Ele foi construído todo torto, mas estava funcionando muito bem, obrigado”, diz. Ele não sabe explicar o que levou ao uso incorreto das peças. “Toda a equipe, formada por profissionais de prática muito grande, a maioria com doutorado, chegou à conclusão, por cálculos, premissas e análise de dados, que tudo poderia ter ficado como estava, sem nenhum risco para os frequentadores”, conclui.

Fonte: Lu Lacerda - IG