Ex-gerente abre jogo e quebra o silêncio sobre saída: ‘Falava 90% sobre dinheiro’

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Gerente técnico de futebol, Sidnei Loureiro entregou o cargo na última semana, na qual Wilson Gottardo foi contratado. O ex-cartola quebrou o silêncio explicou os motivos da saída ao site “Lancenet!”. O estopim veio da crise financeira.

– O que mais motivou foi a crise financeira e o desgaste dos problemas no dia a dia. Não é fácil trabalhar com dois, três meses de salários atrasados. Eu ficava 90% do tempo falando de dinheiro. Isso é uma função nossa, mas não o tempo todo. Não 90% do tempo. Coloquei meu cargo a disposição porque achava que era necessário uma mudança – disse.

Ele também lamentou o fato de o projeto não ser de longo prazo em 2014.

– Hoje, 50% do elenco, 90% do time titular, tem contrato somente até o final do ano. Isso também gera uma incerteza, uma insegurança. Também porque é um ano de eleição, em que o atual presidente não pode se reeleger. Então, são esses dois fatores, mas com o problema financeiro pesando mais.

Confira outros trechos da entrevista ao “Lancenet!”:

ELO COM OS JOGADORES

Essa é nossa função, nosso trabalho é ser o elo entre diretoria e atletas. Uma das nossas funções é essa. O que não faz parte é fazer todo planejamento em cima de um orçamento que é passado no início do ano e com dois meses esse dinheiro não aparecer. O dinheiro não chegou, devido a vários problemas. Não estou julgando.

PREVISÃO DO INÍCIO DO ANO

O Botafogo termina 2013 classificado para a pré-Libertadores e já com problema financeiro grande no clube. É feita uma reunião, em que o departamento financeiro e CEO do clube passa que teria de fazer uma redução no orçamento do departamento de futebol para viver um ano de 2014 com a saúde financeira bacana. Se tivesse dinheiro, a gente podia montar um time melhor, mas foi tudo feito dentro do que nos foi passado. O grande problema foi que, além de ter montado um elenco mais econômico, o dinheiro não ter vindo. Assim que se acorda uma coisa e não funciona, como o pagamento dos salários em dia, acontece o que está acontecendo. Particularmente eu não era a favor da saída de alguns atletas, queria que o Oswaldo (de Oliveira) ficasse no cargo, mas a redução foi grande e as decisões foram tomadas nesse sentido.

CANCELAMENTO DE AMISTOSO

A diretoria passou para a gerência que a gente iria receber uma verba e seria destinada a pagamentos. Isso foi passado aos jogadores e, por algum motivo, a verba não chegou e os atletas mais uma vez não receberam dentro do prazo acordado. Realmente não foi a primeira vez, aconteceram outras vezes, aí ficou muito complicado e por isso também coloquei meu cargo à disposição. Mas não foi algo do momento. Já estava amadurecendo isso há algum tempo.

LEGADO

O maior legado que fica é o trabalho da base. Foi importante para o clube, está sendo importante. Todo mundo sabe que a divisão de base do Botafogo era terra arrasada, que não revelava nenhum jogador de qualidade, que pudesse se tornar ídolo do time principal, como Vitinho, Gabriel e Dória, há muitos anos, não negociava um atleta da base, venda de atleta, desde o Beto, em 1996, para o Napoli (ITA). A longo prazo, foi mais importante para o clube até do que a conquista da volta à Libertadores.



Fonte: Redação FogãoNET
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