Amigo do presidente Mauricio Assumpção, Sidnei Loureiro entregou o cargo de gerente técnico de futebol do Botafogo em decorrência da crise financeira, responsável até pelo cancelamento do amistoso com o Botafogo-PB. Em entrevista ao site “Globoesporte.com,” o cartola responsabilizou o diretor executivo Sérgio Landau e o diretor financeiro Marcelo Murad pelo momento delicado.

Segundo ele, os dois não cumpriram as promessas de um ano melhor financeiramente caso o orçamento do futebol fosse reduzido. Assim, de acordo com Sidnei Loureiro, o problema cresceu até chegar ao atual panorama (dois meses de salários atrasados e cinco de direitos de imagem).

Confira trechos da entrevista:

SAÍDA

“Pelo momento que estávamos vivendo, achei melhor colocar meu cargo à disposição. Assim o presidente poderia utilizar esse meu cargo para fazer uma transição até o fim de seu mandato. Todos sabem da minha ligação com o Maurício (Assumpção), e no fim deste ano eu provavelmente já sairia com ele. Assim, os atletas não enxergavam em mim uma continuidade no processo para o ano que vem. Deixava no ar uma incerteza, porque a maioria dos contratos dos atletas se encerra no fim de 2014. Eu achava que neste momento não estava mais ajudando, e coloquei meu cargo à disposição. O Maurício entendeu que era o momento de mudança e me demitiu.

PROBLEMAS FINANCEIROS

“Houve um desgaste natural desde o ano passado. Mesmo assim, a expectativa era de um 2014 melhor nesse sentido. Foram feitos ajustes para que fosse dessa forma. O diretor executivo e o diretor financeiro do Botafogo nos passaram que deveríamos cortar em 30% as folhas de jogadores e comissão técnica. Isso foi feito, e as contratações ocorreram dentro dessa realidade, apesar de o Botafogo voltar a disputar uma Libertadores depois de quase 20 anos, o que exigia reforços de qualidade. Para vivermos um ano financeiro melhor, tivemos que fazer cortes e nos adequamos a isso. A orientação do Sérgio Landau e do Marcelo Murad era que, para termos um ano bom, teríamos de reduzir os gastos. Aceitamos essa redução, com a promessa de que não passaríamos por esses problemas que estamos passando. Mas, por motivos que não cabem a mim explicar porque não é minha área, estamos tendo um ano financeiro pior do que o do ano passado.”

DESGASTE

“Obviamente que minha função não é falar todo dia sobre salários. Mas em 80% do meu tempo no futebol profissional do Botafogo foi falando de dinheiro com os atletas. Isso causa um desgaste grande. As mudanças que ocorreram no fim de 2013 foram em prol da saúde financeira do clube. Houve demissão de funcionários que ganhavam mais para a contratação de profissionais com salários mais baixos. Tudo isso foi para não termos de passar pelo que estamos passando agora. A maneira como os jogadores tratavam desse tema foi sempre com respeito e entendimento. Mas tentar convencer pessoas a trabalhar sem que elas estejam totalmente motivadas é muito difícil, desgastante. Isso de falar mais de dinheiro do que de futebol me desgastou muito. Não na relação com os atletas, porque saí bem com eles. Mas minha saída foi porque não via mais como ajudar o clube tecnicamente, que era minha função. O Botafogo precisava nesse momento de alguém que fizesse uma transição.”

PROTESTOS DO TIME NA LIBERTADORES

“Todos os protestos que os jogadores fizeram desde 2013 – não concentrar, viajar no dia de algumas partidas – foram legítimos, porque sempre tiveram razão. Os protestos daquela semana foram inoportunos para aquele momento. O Botafogo vivia a semana mais importante daquele novo trabalho. Só havia um mês de salário atrasado e um de imagem. O segundo mês venceria dia 7 de abril e o jogo foi dia 2. Quando eu soube que haveria o protesto, reuni os líderes do elenco e pedi que eles fizessem aquilo depois da partida, com a classificação confirmada. Assim eles teriam ainda mais direito. Em vez de todos falarem do trabalho que estávamos fazendo, falou-se só de protesto, e o foco foi todo tirado daquele jogo. Não acho que o Botafogo perdeu por causa daquilo, mas poderia ter sido evitado, pois deveríamos ter vivido aquela semana de forma diferente. Já havíamos falado que Libertadores se ganha em casa e que seria complicado ter que decidir a vaga jogando contra o San Lorenzo na Argentina. Mas repito, não acho que perdemos por causa daquilo. Na minha opinião, a culpa maior foi da gestão financeira mal executada, que nos fez fazer um planejamento em cima de um orçamento que não foi cumprido. O porquê de o dinheiro não ter chegado, não sou eu quem tem de responder. Tenho certeza de que se tivesse sido cumprido o que foi acordado entre os departamentos estaríamos falando de um outro momento do clube.”

Fonte: Redação FogãoNET