A guerra entre o Fluminense e a Federação de Futebol do Rio (Ferj) parece distante do fim. Após a batalha de notas oficiais, Peter Siemsen, presidente tricolor, enfim, falou. O dirigente disparou contra o que classificou como intervencionismo, espetou Eurico e criticou o Botafogo. Confira a íntegra da entrevista.

A Ferj cobra uma dívida de R$ 400 mil do Fluminense. O senhor reconhece o débito?

Daí, R$ 200 mil são de prejuízos causados pelos 10% cobrados pela Ferj. Só o quadro móvel custa R$ 20 mil. Como você opera um jogo se a cada hora o torcedor acha que vai mudar para outro lugar? Quando colocam um jogo nosso em Volta Redonda, em cima da hora, isso nos causa prejuízo. Ele (Rubens Lopes, presidente da Ferj) intervém, mas não está preocupado com o resultado líquido do jogo, ele só quer pegar o dinheiro. É semelhante ao que acontece na Venezuela desde o (ex-presidente) Hugo Chávez. A outra parte do que está sendo cobrado se refere ao aumento de 20% previsto pela TV. Eles retiveram e não repassaram. Como já tínhamos recebido, ele quer de volta esse dinheiro para outra coisa. Não é dívida, só nós estamos sendo cobrados.

Então acha que pode ser uma retaliação contra o clube?

Não se pratica a isonomia na Ferj, só a ameaça. Quem manda é o presidente. Sofremos calados, não vamos mais nos calar. Hoje, sentimos até a posição dos juízes dentro de campo. Independentemente das adversidades, manteremos a pegada, não vamos abaixar a cabeça.

Mas crê que há uma má vontade prévia com o Fluminense?

A Ferj não quer que se modifique o status quo, e o Fluminense quer mudar. O Botafogo está totalmente alinhado com a federação, não sei o que eles querem com isso. Talvez uma conta bancária mais alta. Nós cansamos, não concordamos. O intervencionismo na Ferj chegou às raias do absurdo, da ditadura. Quem está acertado com isso deve ter as suas razões para tal. A Federação de São Paulo funciona normalmente, mas a do Rio de Janeiro é um ser completamente estranho.

Por que o senhor não tem ido aos eventos da Ferj? Muitos lá criticam a sua ausência…

Quando vamos lá, não resolvemos nada. Qual a vantagem? Você gosta de ir para um lugar e ser xingado? Um lugar que era para ser a nossa casa. Quando eu estive lá adiantou alguma coisa? Tenho certeza de que ele (Rubens) não é capaz de executar um plano de crescimento do futebol do Rio. Toda hora é um Conselho Arbitral. Para que tantos? Por que não consegue planejar um campeonato? A Ferj ajuda a prejudicar um espetáculo que já está muito prejudicado. O jogo já está com as cartas marcadas.

Mas quais então seriam as soluções para melhorar o atual cenário no Rio de Janeiro?

Qual o caminho? Ganhamos a Taça Guanabara em 2012 e pagaram o prêmio tempos depois. Estamos aguardando o momento para tomarmos as medidas cabíveis. Não tenho dúvidas de que vão me criar problemas no Tribunal, mas temos de trabalhar passo a passo. A guerra é longa.

A solução é a criação da liga de clubes do Rio de Janeiro?

Uma liga é o extremo. Se a criarmos hoje, não quer dizer que amanhã vai ter um campeonato da liga. Estamos nos preparando para, em caso extremo, tomarmos e seguirmos esse caminho.

O que achou da decisão do Arbitral, que fixou os custos operacionais do Maracanã?

Para o Botafogo, hoje parece conveniente apoiar essa medida. Mas isso pode se voltar para o Engenhão também. A não ser que eles saibam que serão amigos da Ferj para sempre. Hoje atinge o Fluminense, mas amanhã poderá atingir outro filiado. Nós não aceitamos intervencionismo em nenhum sentido e vamos fazer valer nossos direitos.

A cláusula que garante o lado direito do estádio ao Fluminense existe mesmo? Há gente na Ferj que desconfia disso.

A cláusula existe, eu posso mostrar o contrato. Existe, eu mostro, mas isso não mudará o futebol do Rio. Isso é um capricho de um único dirigente (Eurico Miranda, presidente do Vasco). Amanhã ele talvez queira ser vereador ou deputado e isso poderá ser importante. Há uma situação de dificuldade aqui.

Fonte: Extra Online