De 2009 a 2014, o Botafogo conquistou dois títulos Estaduais e um passivo de R$ 587 milhões. No preto no branco dos números, a administração do presidente Carlos Eduardo Pereira, empossada há menos de um ano, tem um raio-x que detectou um rombo de R$ 829,9 milhões, acréscimo que colocam sob a responsabilidade do ex-presidente Maurício Assumpção.

Ao assumir o Botafogo, em 2009, Maurício recebeu o bastão de Bebeto de Freitas com R$ 242 milhões em dívidas, de acordo com o balanço de 2010. O déficit daquele ano corrente foi pequeno se comparado aos exercícios seguintes. Em seus 12 meses iniciais, aumento de R$ 29,4 milhões.

A gestão mudou seu rumo em 2010, ainda durante seu primeiro mandato. A diretoria apostou em contratações caras, com o aumento da folha de pagamento do futebol. Em dois anos, o passivo subiu mais R$ 215 milhões.

— Grande parte do passivo atual está na conta do Maurício — critica Bernardo Santoro, atual vice de finanças do clube. — Ele obviamente poderia ter dado outro trato às contas do clube e ter a responsabilidade básica de administrador: gastar menos do que recebe — concluio dirigente.

Mas o pior ainda estava por vir. De 2012 a 2014, seu último ano, Maurício, além de investir pesado no futebol, passou a driblar as pendências jurídicas, sustenta a nova diretoria. A incidência dos juros em dívidas tributárias resultaram no caos.

— Metade da dívida hoje é tributária. Tudo em cima da falta de pagamento de pendências. Os juros sobre essas contas incidem 100% ou mais em atraso. Temos problemas trabalhistas e cíveis, mas as tributárias são a maior parte — disse Bernardo Santoro.

No ano passado, Maurício confessou não ter pago as dívidas tributárias. Na época, explicou que aguardava o Profut (plano do governo para refinanciamento das dívidas) para receber o perdão. O “drible” nos credores fechou o balanço de 2014 com dívida de R$ 174,8 milhões. O calote gerou um efeito dominó, como a expulsão do Ato Trabalhista.

Procurado, Maurício Assumpção disse ter documentos que explicam o aumento da dívida alvinegra durante sua gestão, mas não quis anunciá-las. Segundo ele, as justificativas estarão presentes na sua defesa no caso de expulsão do quadro social do clube.

Fonte: Extra Online