Depois que Emerson Sheik partiu para o ataque em desabafo ao Jogo Extra, chamando a diretoria do Botafogo de incompetente, coube ao gerente de futebol alvinegro um papel ao qual ele estava acostumado em seus tempos de jogador: o de zagueiro. Xerifão do time campeão brasileiro de 1995, Wilson Gottardo tentou defender o clube, que deve cinco meses de direitos de imagem e três de salários aos jogadores.

— A situação é desconfortável para todos. A parte financeira não vai melhorar. Quem não quiser, sai. Tem que ter trabalho. Já passei por momentos assim. Cada um reage de uma forma diferente, mas não pode deixar de trabalhar — alertou Gottardo, que também lidou com atrasos salariais quando era jogadore do Botafogo, na década de 90.

Perto de completar um mês de trabalho, o gerente de futebol teve ontem seu único dia de folga até agora, mas sem se desligar dos problemas do clube. De casa, acompanhou a repercussão das declarações de Emerson Sheik antes do jogo com o Cruzeiro e também depois — quando, com direito a palavrões e avisos de que falaria o que pensa, disparou a frase “Ninguém mandou me contratar”.

— Ele tem a opinião dele, até o ponto que não é uma ofensa. Aí já entra em outro campo. Não pode emitir opiniões com palavras de baixo calão, palavrões. Mas opiniões com respeito são bem-vindas — respondeu o dirigente que, diante da dívida com o elenco, ficou sem ter como ser mais duro para enquadrar o atacante: — O que foi dito já está repetitivo. Não tem nada novo. Tem que continuar trabalhando. Qualquer discussão não muda nada, vindo de qualquer um dos lados.

Gottardo fez questão de destacar a participação da torcida no Maracanã, no empate de sábado com o Cruzeiro. O dirigente revelou planos do clube para uma promoção de ingressos na próxima partida no Rio, dia 23, contra a Chapecoense. Antes disso, o time vai a Curitiba enfrentar o Atlético-PR, no domingo. Depois pega o Fluminense no estádio Mané Garrincha, em Brasília, dia 17. E, no dia 20, encara o Figueirense, em Florianópolis.

— A torcida jogou com o time o tempo todo, aplaudiu. Torcedor é passional, não entra em política financeira. Na semana passada me reuni com eles (representantes de torcida) e recebi apoio. Vamos esperar o presidente tomar uma decisão — disse.

A possível debandada de jogadores não assusta Gottardo, que descarta a venda de algum atleta para atenuar os problemas financeiros:

— Ninguém chega e ninguém sai. Não tem estrutura econômica para isso. Teve proposta pelo Dória, mas era muito baixa.

Expectativa pelo retorno ao Ato Trabalhista

Na próxima quinta-feira, o Tribunal Regional do Trabalho do Rio julga a possibilidade de volta do Botafogo ao Ato Trabalhista, o que livraria o clube de penhoras para destinar receita para dívidas trabalhistas. Para o gerente de futebol Wilson Gottardo, caso o clube saia vitorioso no julgamento a verba liberada não será destinada apenas às dívidas antigas, mas também às atuais.

— Quem saiu teria direito, mas quem ficou também vai receber o dinheiro — avisou.

A dívida com os atletas chegou a três meses, além da falta de pagamento de direitos de imagem e fundo de garantia. Caso volte ao Ato, o Botafogo terá à disposição recursos dos direitos de transmissão de TV, bilheteria e venda de atletas, hoje 100% penhorados.

Depois do empate com o Cruzeiro, o goleiro Jefferson descartou a saída dele e de outros jogadores em massa:

— Não podemos pagar mal com o mal. Sair é o extremo. Honramos a camisa do Botafogo, e pode destacar que isso não vai acontecer.

— Espero que ninguém saia — acrescentou o técnico Vagner Mancini.

Fonte: Extra Online