O governo cedeu na negociação com os clubes e permitirá o parcelamento das dívidas em 20 anos e sem exigência de entrada. A informação foi confirmada ao GLOBO por um dos ministros que participam da negociação. Haverá exigências de contrapartida para acesso ao refinanciamento, como limitação de reeleição e previsão de punições em caso de atrasos de salário. O texto da Medida Provisória que tratará do tema será apresentado aos parlamentares que acompanham o tema no Congresso em uma reunião na Casa Civil da Presidência da República no início da tarde.

O refinanciamento em 20 anos e sem entrada foi aprovado no ano passado pelo Congresso e vetado em janeiro de 2015 pela presidente Dilma Rousseff. A justificativa foi de que o governo desejava a aplicação de contrapartidas, mas ao longo de toda a negociação a equipe econômica relutava em aceitar o prazo e exigia o pagamento de uma entrada mínima para a adesão.

Diante da demora do governo em apresentar a sua proposta sobre o tema, parlamentares da “bancada da bola” conseguiram incluir na pauta de votação da Câmara deste semana o projeto que fazia o refinanciamento. Pressionado, o Planalto decidiu aceitar os termos exigidos pelos clubes e contrariar as ponderações feitas pelo Ministério da Fazenda, que teme abrir brechas para que outros setores da economia solicitem o mesmo tratamento que os clubes de futebol.

Para evitar o desgaste, o governo vai focar no anúncio da exigência de contrapartidas. Os clubes que aderirem ao refinanciamento terão de limitar a uma a reeleição de seus dirigentes e só poderão participar de campeonatos que adotem medidas de fair play financeiro, como a aplicação de punições em caso de atrasos de salário. Entre as punições estará até a possibilidade de rebaixamento.

Os clubes já tinham concordado com as contrapartidas, e a resistência vinha da CBF, que desejava ter o controle sobre as medidas punitivas, não sendo obrigada a seguir uma lei.

Fonte: O Globo Online