Mesmo antes do empate com o Sport, o Santos já estava insatisfeito com o trabalho do técnico Levir Culpi e, inclusive, já amadurecia a troca de sua comissão técnica para a próxima temporada. Sem a certeza de que permanecerá no próximo ano, já que o clube passará por eleições em dezembro, a diretoria abriu o leque de opções para 2018 e deseja uma nova metodologia de trabalho. Ainda não há negociações em andamento.

Após o empate contra o Sport, Levir criticou o ano político do Santos e deu a entender que sabe que dificilmente permanecerá no clube em 2018. “Há uma cobrança em cima. O Santos está em ano político. O que vai acontecer, vocês já estão sabendo. Eu tenho certeza (ano político atrapalha). Já trabalhei em vários clubes com o mesmo problema. Eleição em dezembro, você (repórter) não sabe o que é isso, pois não é técnico e nem jogador nestes momentos. Perfeitamente é isso que acontece (eleição põe dúvida futuro de Levir)”, afirmou o técnico.

Jair Ventura

Os novos nomes trabalhados internamente entre os dirigentes apontam para a escola de jovens treinadores do país. O principal deles é Jair Ventura, do Botafogo. O comandante do alvinegro carioca não tem títulos, mas realiza, desde agosto do último ano, um trabalho considerado sólido.

Conta a favor de Jair o fato de encontrar alternativas em um elenco considerado mais limitado, sem grandes estrelas, e ter conseguido fazer uma campanha surpreendente logo em sua primeira Copa Libertadores da América. O filho do ex-ponta esquerda da seleção brasileira, no entanto, não é o único nome observado pelo presidente Modesto Roma Júnior e por sua cúpula santista.

Fabiano Soares

Fabiano Soares, que recuperou o Atlético-PR, também está no radar. Ele tem escola europeia, com trabalhos em pequenos clubes de Portugal e da Espanha, e conseguiu trazer novo ânimo aos paranaenses, apesar dos recentes tropeços.

Considerado “funcionário padrão” no Atlético-PR, Fabiano Soares chegou ao Furacão para fazer com que a equipe jogue do jeito idealizado pelo DIF (Departamento de Inteligência do Futebol) e ter jogo de cintura em relação às restrições da EXOS, empresa americana que faz a gestão física do elenco atleticano.

Não apenas isso: ex-auxiliar e depois técnico do Estoril, de Portugal, Soares também ajuda o Atlético a jogar num padrão europeu, fazendo com Paulo Autuori a transição dos jogadores da base para o profissional, dentro do projeto que o Atlético tem de preparar jovens para vender ao mercado europeu.

Essas restrições, no entanto, lhe rendem críticas da torcida. Soares não repetiu a escalação em nenhuma das 14 vezes em que seu time jogou no Brasileirão. Publicamente, Soares não comenta as decisões tomadas pela comissão técnica em relação a escalação.

Se o Santos se interessar por Soares, a dificuldade será convencê-lo em trocar a estabilidade prometida (e até então garantida) pelo Furacão por uma cobrança mais suscetível a mudanças na Vila Belmiro. O salário de Soares não é público, mas o Atlético habitualmente não ultrapassa os 200 mil de teto para seus profissionais.

Roger Machado

Além destes, o nome de Roger Machado também surge entre os candidatos. Ele seria considerado o mais viável por estar sem clube desde que deixou o Atlético-MG. Roger, porém, não conseguiu repetir em Belo Horizonte o mesmo desempenho do Grêmio.

Vagner Mancini, do Vitória, e Claudinei Oliveira, do Avaí, também estão na lista de possíveis técnicos do Santos para 2018.

Contra o atual técnico, Levir Culpi, contam as falhas em momentos decisivos, como a desclassificação surpreendente nas quartas de final da Libertadores, diante do Barcelona de Guayaquil, além de jogos considerados fundamentais para encostar no líder Corinthians. O tropeço contra o Vitória, em pleno Pacaembu, na última segunda-feira, não foi o único.

Levir é considerado um bom gerenciador de elenco, mas tem a sua metodologia de trabalho questionada, principalmente pela ausência de mais treinamentos táticos. O treinador “vende” um estilo à moda antiga. Ele costuma dizer que futebol tem apenas duas táticas: atacar e defender.

O principal mérito desde a chegada ao clube foi simplificar, colocando jogadores improvisados e fazendo-os render em suas posições de origem, caso do atacante colombiano Jonathan Copete, mas que caiu de rendimento e foi para a reserva. Além disso, costuma rodar bastante o elenco, dando oportunidades.

Levir tem contrato até 31 de dezembro deste ano e permanência incerta devido a um interesse público do Gamba Osaka, do Japão, noticiado pelo veículo “Nikkansports”.

Fonte: UOL