(Interessante) Blog mostra time de revelações que o Bota perdeu quase de graça

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Por FogãoNET

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Volta e meia, vendo os gols da rodada no Brasil e no mundo, me deparo com um garoto revelado em General Severiano. As histórias são variadas e as lembranças são muitas, principalmente para alguém que faz questão de acompanhar sua divisão de base in loco. Mas existe uma coincidência que une cada um deles em um só tópico: a maneira errada pela qual deixaram o clube.

O Botafogo tem mandado muito bem ao aproveitar os seus valores na equipe profissional, mas não sabe amarrar bem os contratos e pecou por, em diversos momentos, atrasar os salários. Com a maior dívida do país, o clube se prejudica duas vezes: primeiro por perder bons jogadores formados em casa; segundo, por não lucrar como deveria com as suas saídas.

Sendo assim, resolvi assumir um desafio. Será que consigo montar uma escalação só com jovens que saíram de graça ou a preço de banana? Pode ser que não chegue a 11 nomes de qualidade, mas é fato que seriam parte importante do elenco atual ou, pelo menos, um reforço no caixa.

Andrey

Um bom time começa com um grande goleiro. Certamente não é o caso de Andrey, que jamais passou segurança aos botafoguenses. No entanto, o jovem, que saiu de graça através da Justiça, foi destaque nas categorias de base e fez parte da Seleção de diversas categorias de base – participando, inclusive, dos Jogos Pan-Americanos. Poderia ter rendido uma grana aos combalidos cofres alvinegros.

Erick

Ainda não é uma causa perdida, mas tudo indica que será mais um a não render um centavo ao Botafogo. Capitão e titular da lateral-direita da equipe sub-20 bicampeã carioca e campeã da Taça OPG, o menino de 20 anos rodou por empréstimo ainda nos juniores e hoje é destaque no América, em sua primeira oportunidade profissional. Seria titular na vaga do fraco Luis Ricardo. Seu contrato expira no dia 30 desse mês de Abril e, pelo que foi dito por seus empresários, tem tudo para não voltar a General Severiano.

Dória

O zagueiro com mais potencial nas categorias de base do clube nos últimos muitos anos. Subiu para os profissionais e logo assumiu a titularidade, fazendo grandes jogos e formando ótima dupla com Bolívar naquele excelente time de 2013, conseguindo uma vaga na Libertadores. Acabou vendido ao Olympique, da França. O valor anunciado foi de 10 milhões de Euros, mas o clube acabou levando um calote e precisou apelar à FIFA. Além de não ter visto a cor do dinheiro, a transferência foi nebulosa – tradição da era Assumpção – e por um valor muito abaixo do justo.

Lyanco

Muitos nem sabem, mas o jovem zagueiro, hoje no São Paulo e frequentemente convocado para as Seleções de base de Brasil e Sérvia, foi revelado pelo Botafogo. Em mais um caso de atraso de 3 meses de salário, o jogador foi aliciado pelo São Paulo e também saiu através da Justiça. O garoto era titular desde o sub-15 e conquistou títulos pelo Glorioso. Mais um que saiu sem deixar uma moedinha sequer para o Alvinegro. Desde 2015, integra a equipe principal do clube paulista.

Gilberto

Tecnicamente, o melhor lateral revelado pelo Botafogo neste século. Apesar de ainda estar em formação na época em que foi promovido ao time profissional, sua qualidade era visível e o potencial era de Seleção Brasileira. Assim como Andrey, também serviu à Seleção nos Jogos Pan-Americanos. Saiu precocemente, vendido à Fiorentina pela inacreditável quantia de R$ 1,7mi.

Gabriel

Após fazer juras de amor ao clube no delicado momento vivido na reta final de 2014, o volante saiu na Justiça e foi para o Palmeiras. Hoje, é fato que o botafoguense não quer vê-lo nem pintado de ouro em General Severiano. Mas é inegável sua qualidade como um dos melhores do Brasil em sua posição. Mais uma boa grana perdida por atraso de salários.

Jádson

Surgiu fazendo ótima dupla com Gabriel, foi campeão da Taça Guanabara de 2013 e logo despertou interesse da Udinese, da Itália. Com um grande potencial, foi vendido precocemente por R$ 6,4 milhões, sendo 60% para os cofres alvinegros. Hoje, é peça importante do Atlético-PR, onde atua por empréstimo. Mais uma quantia ínfima diante do que o jogador poderia valer futuramente.

Allano

Tido como grande promessa desde muito novo, Allano foi liberado de graça para o Cruzeiro, diante da alegação de ser indisciplinado por faltar alguns treinos. Algo que poderia ser facilmente administrado acabou se tornando mais uma perda ainda nas categorias de base do clube, com a saída do atleta sem render um real sequer ao Botafogo. O jovem, que começou como lateral esquerdo, hoje atua como meia e encaixaria perfeitamente em nosso esquema e já faz ótimas partidas no profissional.

Daniel

Veio garimpado da base do Cruzeiro, de onde foi dispensado, e logo mostrou talento. Teve atuação de gala nos 6-0 aplicados sobre o Criciúma, em 2014. Também saiu através de liminar por atraso nos salários. Vive sérios problemas com lesões, mas seu potencial é nítido.

Vitinho

Sem dúvidas, a maior revelação das categorias de base do Botafogo nos últimos vários anos. Sua saída, ao contrário de todas as outras, até rendeu um dinheiro significativo: ficamos com R$ 9 milhões de um total de R$ 31 milhões. O problema é que, por não querer investir no passe integral do jogador – algo em torno de R$ 250 mil -, só teve 30% de fatia. Outros 30% ficaram com o empresário e o restante para o clube formador, o Audax. Além disso, pelo potencial monstruoso, o jogador poderia ter ficado mais um tempo e saído para um grande centro, mas preferiu o CSKA da Rússia depois de ter uma renovação de contrato negada, pois o clube não achou que ele merecia um aumento salarial. Atualmente, é destaque no Internacional sendo um dos melhores jogadores do Brasil. Mais uma bola fora da diretoria passada.

Alex

Fazia chover gols nas divisões de base. Na sua primeira passagem como profissional, foi bem e fez gols importantes. Foi emprestado e, em seu retorno, não teve o mesmo desempenho de quando subiu dos juniores. Após mais alguns empréstimos, sem contrato se encerrou sem que o clube buscasse uma renovação. Saiu de graça e hoje vai bem no Hammarby, da Suécia, clube que detém seu passe. Poderia, ao menos, ter rendido lucro financeiro.

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Botafogo perdeu uma escalação completa quase de graça

Como podemos ver, foi possível formar uma escalação completa, improvisando Erick na esquerda. Para ficar ainda pior, os jogadores se encaixariam perfeitamente no nosso esquema de jogo, apenas alterando o meia central (Salgueiro) por um segundo atacante (Vitinho). Vale frisar que a responsabilidade pela perda de todos esses jogadores, revelados pelo clube na transição juniores-profissionais, é da antiga diretoria, liderada por Maurício Assumpção.

Somando tudo o que o Botafogo lucrou, encontramos R$ 14,5 milhões – sem computar o valor de Dória, que é uma incógnita e o clube, muito provavelmente, ainda não recebeu. Um valor bem inferior ao que poderíamos ter recebido apenas com Vitinho, caso tivéssemos adquirido os outros 30% do empresário por R$ 250 mil.

Para o clube com a maior dívida do país, caixa zerado e elenco carente em diversas posições, é uma situação inaceitável. A incompetência na hora de lucrar com transferências de seus jovens, diante da impossibilidade de segurá-las, é algo gravíssimo e perpetuado na história do Botafogo e precisa ser urgentemente revisto.

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