Única estrela de um clube em reconstrução, Jefferson afirma ter superado a ausência na última convocação de Dunga. Tranquilo, reconhece ter deficiências, e rejeita papel de vítima. No Botafogo, diz sentir falta de um companheiro tão experiente quanto ele.

Como você analisa o ano do Botafogo?

No começo do ano, estava mais tenso. Porque era início de temporada, jogadores novos, você fica na expectativa de como vai ser. Hoje, estamos todos mais otimistas, até pela campanha que a gente faz no Carioca. Tiro como base os jogos contra os grandes, que são os adversários que vamos enfrentar no Brasileiro. Nos clássicos, fomos muito bem, independente dos resultados. Mas tem detalhes que precisam ser acertados para podermos brigar por coisas grandes.

Que detalhes são esses?

Precisamos de um atacante. Não que não tenhamos jogadores bons no setor. O Ribamar é uma revelação; o Luís Henrique, uma promessa; o Gêge, que está como um dos titulares. Todos têm potencial. Porém, são jogadores novos, precisam amadurecer. Com certeza, precisamos de uma pessoa na frente que chame essa responsabilidade. Que seja até uma referência para esses garotos em início de carreira.

Um Fred?

Fred é um jogador que todos gostariam de ter. Ele chama a responsabilidade. Não foge do jogo. É um cara que está na frente, que briga, faz gol… Ele faz a diferença.

O Botafogo briga pelo que no Brasileiro?

Acho que não vamos brigar contra o rebaixamento. Já tive essa experiência aqui no Botafogo. O mais importante é que o grupo está unido e se empenhando. Isso é o principal. A primeira coisa, o Ricardo (Gomes) já conseguiu: dar um padrão de jogo. Jogamos contra Vasco, Fluminense e Flamengo de igual para igual. Só que, em diversos momentos, a qualidade individual se destaca. E isso ainda falta um pouquinho no Botafogo. Quando arrumar essas de peças, vejo o Botafogo do meio da tabela para cima. Aí sim o Botafogo vai pensar em coisas grandes.

Você esperava não ser convocado? Como foi o seu dia?

Estava na expectativa. Fiquei triste, como todos os jogadores. Só que somos profissionais. Temos de absorver isso o mais rápido possível. Fiquei praticamente um dia meio aéreo, mas, no outro, já tem que ter superado. Estava em casa e acompanhei pela TV. Na hora, dá um nó. Fiquei triste, liguei para minha mulher, que havia saído para levar as crianças na escola. Quando ela chegou, me deu um abraço, disse para eu não ficar triste. Claro que você fica baqueado, mas temos que respeitar e continuar trabalhando.

Você acredita que algum episódio ou atuação pode ter influenciado essa decisão?

Sendo bem sincero, o jogador não tem que achar que foi por isso ou por aquilo. Precisa trabalhar, não questionar. Felipão me ensinou isso (no Cruzeiro). Na época, ele me pôs para jogar e não veio para mim e disse: “Estou te colocando por isso..” Quando me tirou, também não disse. Aprendi. Tinha 17 anos.

Em que precisa melhorar?

Goleiro tem sempre que crescer. Ainda mais na seleção. A nova realidade de jogo exige que a gente jogue mais com os pés. Acho importantíssimo, na seleção brasileira, trabalhar mais com os pés. Não foi por isso que fui cortado, mas procuro crescer. Sei que tenho de melhorar nesse aspecto. Para ser bem sincero, faço autocrítica a cada jogo, a cada campeonato, a cada temporada, e me vejo preparado para seleção.

O Jefferson do Botafogo é diferente do da seleção?

Não. Cresci muito na seleção. Vejo positivamente a minha passagem por lá. Em 2010, quando fui convocado pela primeira vez, dei uma declaração que para muitos foi errada, mas sabia o que falava. Disse que, se a Copa do Mundo fosse naquela época, não estaria em condições de jogar na seleção. Para estar na seleção, tem que amadurecer, entender o ambiente… Tem que ter experiência. Hoje, depois de cinco anos sendo convocado, tenho esta maturidade. Estou preparado.

A seleção classifica?

Classifica. A seleção é forte. E Dunga tem experiência.

Fonte: O Globo Online