Mancini desabafa e vê Bota em colapso: ‘Atletas estão sem cabeça para jogar’

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A corda no Botafogo estica mais a cada dia. E o técnico Vagner Mancini tenta se equilibrar diante do caos instalado. Nesta terça-feira, seis jogadores foram informados que não irão receber o salário em detrimento do restante do elenco. Uma verba de R$ 2,5 milhões foi liberada de bloqueio graças a uma ação do sindicato dos clubes. Mancini relatou o que viu no treinamento do Engenhão nesta terça-feira e indicou que o panorama é bem complicado.

“O Botafogo entrou em um colapso e não consegue sair disso. É muito difícil. Hoje, eu me deparei com uma situação que nunca tinha visto em 30 anos de futebol. Uma parte do elenco recebeu e outra, não. Chego para dar o treinamento e vejo um ambiente pesado, que devia ser de alegria, de motivação”, disse em entrevista à Rádio ESPN.

Mancini elogia o time, diz que o Botafogo tem condições de lutar por posições intermediárias, mas reconhece ser difícil arrancar motivação diária de atletas que estão sem receber salários há meses.

 

“A gente não tem como chegar para o atleta para que ele vá para o campo e treine de maneira livre e solta. A gente lamenta muito a situação que está ficando e a cada dia que passa fica mais difícil, todo mundo querendo receber. Existem pessoas que estão esperando a caída de um dinheiro para dar andamento na vida”, desabafou Mancini.

Segundo o treinador, jogadores que sabem que não irão receber o salário chegaram a afirmar que não têm condições de jogar o clássico contra o Fluminense, domingo, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília.

“Atletas que não receberam vieram até mim, dizendo que não tinham cabeça para jogar no final de semana. Tem muita coisa para ser feita até o domingo. Agora isso está se tornando público, mas estamos tentando administrar as coisas paralelas para colocar o que tenho de melhor dentro de campo”, disse o técnico do Botafogo.

Confira o restante da entrevista.

REALIDADE DURA

A gente não quer chegar num clube de futebol, numa estrutura de um país que acabou de sediar a Copa e viver isso. Nas entrevistas, nas coletivas, eu pouco falo do Botafogo, do time, da evolução, da involução. A gente tem que abrir espaço e mostrar.

ATRASOS SALARIAIS CONTÍNUOS

Eu estou aqui há quatro meses, indo pro quinto, e é a mesma coisa dos jogadores. Nós, da comissão técnica, estamos há quatro, vamos iniciar o quinto mês, sem direito de imagem. Mas, vou ser honesto, eu acordo todos os dias e tenho vontade de trabalhar, porque temos um ambiente sadio, um ambiente fechado e focado. Mas o tempo passando, as coisas não vão acontecendo e você tem que dar uma de psicólogo, de pai. Não há falta de luta, entrega, eu tenho dado os parabéns para os atletas diariamente, a gente tem convivido com coisas que geralmente não vê.

 

PROMESSA DOS ATLETAS

Eu tenho a palavra dos jogadores que eles não vão sair, que vão ficar até o fim. Tenho a palavra deles, mas, com essa diferença, eu não sei até quando irá o limite de cada um. Hoje, todos estão chateados, isso gera um ambiente muito negativo.

LIMITE

Todos nós temos um limite, eu vejo que estamos chegando perto de alguma coisa que vai acontecer. Todos entendem como um desrespeito. Eu vejo a diretoria buscando soluções e não está encontrando. O Botafogo entrou em um colapso e não consegue sair disso.

SEM DESISTÊNCIA

Não vamos jogar a toalha de maneira alguma, o futebol é envolvido por muitas coisas, vamos tentar tentar encontrar a situação, apelar pelo lado do ser humano mesmo para que a gente consiga levar essa camisa tão forte e tradicional e tentar fazer uma despedida honrosa no final do campeonato, em uma posição tranquila na tabela.

POSTURA DA TORCIDA

O torcedor tem entendido a situação, está do lado dos jogadores, do treinador, mas nem todo mundo fala a mesma língua. A maioria tem apoiado, sim. É uma situação atípica que ninguém gostaria de passar.



Fonte: ESPN.com.br
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