A reportagem da Super Rádio Tupi entrou em contato com o eterno presidente do Botafogo, Augusto Montenegro, campeão brasileiro em 1995, para analisar o atual momento do clube que foi eliminado nesta quarta-feira (09/04), depois de ser derrotado por 3 a 0, para o San Lorenzo, em Buenos Aires. Montenegro não tem nenhum cargo na atual diretoria Alvinegra, mas colabora com a sua experiencia na gestão do presidente Mauricio Assumpção. Para Montenegro o ciclo do atual técnico Eduardo Hungaro acabou. Confira a entrevista na integra.

Como você recebeu essa eliminação prematura, ainda na primeira fase da Libertadores?

“A eliminação foi um trauma menor, o trauma maior foi na semana passada quando o Botafogo perdeu no Maracanã diante de 45 mil torcedores. Ali o time começou a ficar eliminado, a derrota para o San Lorenzo foi apenas um tiro de misericórdia. Agora no jogo de ontem a postura do Botafogo foi muito ruim, foi de um time pequeno, acovardado, sem imaginação, jogando todo atrás. O Botafogo derrotou o San Lorenzo no Maracanã, por 2 a 0, mas em um jogo legal, aberto. O time jogou muito bem, foi para cima, mas o San Lorenzo também foi para o jogo. Agora ontem não foi assim, a gente sentia que o time ia levar um gol toda hora. Quando o Ferreyra joga ninguém faz um cruzamento, aí quando entra um rapaz de 1m70 os caras fazem duzentos cruzamentos na área. Faltou planejamento, liderança, garra e vontade dentro e fora de campo. Foi muito triste, a única coisa que amenizou foi que eu já me sentia eliminado por causa da derrota de semana passada.”

Como você avalia o trabalho do técnico Eduardo Hungaro?

“O Hungaro é uma excelente pessoa, fez um grande trabalho nas divisões de base do clube, foi uma auxiliar importante no ano passado, foi válida a tentativa dele como técnico, até pelas dificuldades de caixa que o Botafogo tem, mas na minha opinião o ciclo dele acabou. Eu acho que o Botafogo não deve se arrepender por ter dado essa chance para o Húngaro, o Hungaro tem que entender que a gente acreditou nele, mas agora acabou. O Botafogo tem que busca outro técnico para começar um novo trabalho pensando no Campeonato Brasileiro. A tentativa foi válida, mas a gente tem que buscar um novo caminho.O planejamento de abrir mão da disputa do Campeonato Carioca foi correta no meu entender. O que foi errado foi que vários jogadores, inclusive jovens, tipo Dória, Lodeiro, Gabriel e o próprio Wallyson, que não atuou muito no ano passado, esses jogadores tinham que ter atuado muito mais no Carioca, não tinha que poupar essa turma. Eles jogaram pouco e perderam o ritmo de jogo.”

Os salários atrasados atrapalharam a campanha, na sua época tinha esse problema também?

“Essa situação é muito ruim, mas eu não posso comparar com a minha época, porque eu fui campeão brasileiro devendo cinco meses de salários. Eu acho que obviamente o clube tem que pagar, tem que cumprir suas obrigações, mas esses jogadores conhecem muito bem a diretoria, sabem que eles sempre cumpriram com os compromissos, pode demorar um pouco, mas acaba pagando. O que eu acho mesmo é que está faltando uma liderança, um novo técnico, uma pessoa que lidere o grupo, que fale a linguagem dos atletas. Infelizmente isso acontece em tudo que é lugar, mas não foi esse problema que eliminou o time na Libertadores.”

Fonte: Super Rádio Tupi