O Botafogo é a segunda casa de Fernandes, segundo o próprio. Nas manchetes em janeiro com a promoção para o time profissional às vésperas da Copa São Paulo de Juniores, o meio-campista não teve a oportunidade de disputar pela terceira vez a competição – foi titular em 2013 e 2014 -, mas por um bom motivo. Grande promessa alvinegra desde a categoria sub-15, ele já é a esperança dos torcedores que o conhecem pelas boas atuações na base, embora seja ainda pouco conhecido para a maioria.

Defendendo o Glorioso desde os sete anos, quando começou no futebol de salão, Fernandes passou para os gramados aos dez. “Foi meu primeiro clube, cheguei lá através de um treinador meu do salão que tinha conhecimento no campo. Ele me levou, fiz um teste, passei e estou lá até hoje”, conta o meia com exclusividade ao FutNet – não sem também lembrar que levou tempo para se acostumar com a mudança do salão para o campo.

Nascido e criado em Bento Ribeiro em 1995, na zona norte do Rio de Janeiro, terra de Ronaldo Fenômeno, Fernandes já atuou tanto como volante que sai para o jogo quanto como apoiador mais avançado. Apesar de ter sido camisa 10 dos juniores no ano passado, a preferência dele é a outra. “Olha, tendo experiência nas duas posições eu gosto mais de jogar de volante. Mas onde aparecer a oportunidade tenho que estar preparado”, admite.

Mesmo com a predileção por iniciar as jogadas mais atrás do campo, dar assistências ainda é a atividade favorita do jovem de 19 anos quando está jogando. E Fernandes tem um exemplo mais do que satisfatório no mundo do futebol para quem quer jogar como volante moderno, com qualidade na saída de bola. “Eu me defino como um jogador que tem boa leitura de jogo. Tenho bom passe, finalizo bem, costumo botar meus companheiros de cara para o gol. No momento tenho uma admiração muito grande pelo Toni Kroos, é um jogador em quem me espelho”, revela, citando o meio-campista do Real Madrid e campeão da última Copa do Mundo com a Alemanha – conhecido por ser um dos melhores do mundo na posição.

E ele sequer precisou ir tão longe para conhecer de perto outro ídolo do setor, um certo holandês que saía muito bem para o jogo e sabia jogar em qualquer posição do meio-campo: Clarence Seedorf. O primeiro treino do ex-camisa 10 alvinegro em General Severiano foi um coletivo dos profissionais contra os juvenis em 2012, quando Fernandes ainda era da categoria sub-17 e enfrentou o craque. “Foi uma experiência que vou levar para a vida toda”, confessa.

Antes de chegar ao ápice da carreira até o momento ao subir para a equipe profissional de René Simões, o apoiador já havia passado por bons momentos nas divisões de base. Após anos de insucesso, as categorias inferiores melhoraram bastante de nível nos últimos tempos, e já em 2009 Fernandes conquistou o título do Campeonato Carioca Sub-15, ainda com 14 anos – participando de 13 jogos, um deles como titular. A taça do Carioca Sub-20 de 2014 também foi muito importante para o jovem meia, com 21 jogos disputados e uma lesão no ligamento colateral medial do joelho que o tirou por dois meses da competição. “O estadual foi muito importante para mim, porque só a gente que estava envolvido sabia das dificuldades que tínhamos, e superamos tudo até chegar ao título. Por ser também um dos campeonato mais difíceis da categoria eu levo também como um grande feito na minha vida”, comenta, lembrando com carinho também do título da Spax Cup, na Alemanha, e do Torneio Otávio Pinto Guimarães (espécie de estadual do segundo semestre), ambos em 2013 e ao lado de Vinícius Tanque, outra promessa do clube, seu amigo mais próximo no time.

Agora com a cabeça voltada para a temporada 2015 e o futuro como profissional, Fernandes vai se apresentar junto do elenco nesta quinta-feira, dia 8, para a pré-temporada no CT do Cefat, em Niterói. “As expectativas são as melhores possíveis, no momento eu penso em mostrar meu trabalho no Botafogo e, com isso, mais na frente pensar em outras conquistas, como a Seleção Brasileira”, afirma, confiante. Apesar de ser visto com muito potencial desde cedo, o meia nunca foi convocado para seleções de base até o momento, mas tem idade para as competições sub-20 deste ano ainda.

Após quase 13 anos de Botafogo, naturalmente o carinho pelo clube é muito grande. E Fernandes não tenta esconder. “Não só para mim, mas também para minha família, o Botafogo virou um sentimento sem explicação. É minha segunda casa”, diz, com um recado final para as arquibancadas. “No que depender de mim vou fazer de tudo para o Botafogo voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído”, finaliza

Fonte: Futnet