Novo presidente terá dura missão. Oposição: ‘Assumpção largou o Botafogo’

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A crise financeira no Botafogo se torna praticamente insustentável no fim do mandato do presidente Maurício Assumpção, o clube precisa de 65 milhões de reais para fechar o ano e mesmo com o retorno do contrato trabalhista, que não tem data certa, não teria em mão as receitas que hoje estão penhoradas.

Para tentar ajudar o clube, já iniciaram o processo de transição já que as eleições para o triênio 2015 e 2017 estão marcadas para novembro. Uma comissão foi criada em votação na última quinta-feira (7), no conselho deliberativo. Cada pré-candidato vai indicar um nome para integrar a comissão, como explica Álvaro Moreira que, na ausência do presidente do conselho deliberativo, José Luiz Rolim, licenciado, comandou a sessão.

“O conselho acabou chegando a uma conclusão única, membros da oposição, membros da situação, entenderam que diante da dificuldade que o Botafogo enfrenta hoje é necessário que se crie um movimento único, uma comissão, pra ajudar na gestão do presidente Maurício Assumpção até o final do seu mandato, em novembro. Os limites de atuação desta comissão serão definidos em uma assembléia extraordinária que já foi designada para o dia 19 deste mês de agosto.  Todos chegaram a um objetivo comum, que é o da melhoria do clube. A melhoria do clube, através de uma comissão, que vai junto com a atual situação, junto com o presidente, tentar fazer o melhor para o Botafogo. Então o conselho vai tentar ajudar nesse final de administração a situação do clube diante da dificuldade que todos vocês já sabem que o Botafogo enfrenta no atual momento.” – explicou.

Alegando os motivos profissionais, o atual presidente, Maurício Assumpção, não compareceu à última reunião do conselho deliberativo. O pré-candidato, representando a chapa “Mais Botafogo”, Carlos Eduardo Pereira, que perdeu para Assumpção nas últimas eleições, lamentou o fato e colocou toda a culpa pelo momento vivido no Botafogo em cima do atual presidente.

“Olha, pra nós, a atitude do Maurício de não comparecer à reunião já sinalizou que ele largou o Botafogo. O conselho deliberativo é um poder importante do clube e não pode ser tratado da forma como foi tratado. A única coisa que nós não persistimos na proposta é que constatamos o um quórum de 151 ou 152 conselheiros e não foi atingido, portanto, não adiantava nada insistir na proposta da decisão do conselho deliberativo, mas acho que houve uma unanimidade dos conselheiros, e esse conselho é de situação, de que há necessidade de se fazer alguma coisa. As falas foram unânimes também no sentido de repudiar a postura do presidente de não se apresentar e mandar funcionários, pessoas de um segundo escalão, pra prestar esclarecimentos de atitudes que são dele. Afinal de contas, ele é o responsável pela situação do Botafogo, ele confessou que optou por sonegar, todas as medidas foram tomadas por ele, e essa situação que o Botafogo enfrenta hoje se deve única e exclusivamente ao senhor Maurício Assumpção que, mais uma vez, omitiu os esclarecimentos devidos.” – disse.

Também pré-candidato e podendo se aliar à chapa de Carlos Eduardo Pereira, José Carlos Mantuano, se mostra altamente preocupado com a atual condição financeira do clube.

“A situação do Botafogo hoje é complicadíssima, é realmente preocupante porque até o final do ano nós não temos receitas. Nós vamos criar instrumentos, pra que possamos gerar receitas para o clube e as despesas montam, até o final do ano, 65 milhões. Então, é uma situação completamente complicada e, caso nós não consigamos voltar ao TRT, lógico, a lei de responsabilidade fiscal já ficou para novembro, a situação ficou extremamente delicada. Vai ser feita uma comissão onde os participantes serão os presidenciáveis, e aí já houve uma evolução com o Paulo Mendes, vice-presidente geral do clube, tentando administrar e fazendo a transição” – ressaltou.

O representante da chapa “Grande Salto”, Marcelo Guimarães, e ex-diretor de marketing na primeira administração de Maurício Assumpção, considera o momento melancólico e disse que a crise não é pior pela demonstração de empenho do time em campo.

“Olha, eu vejo duas questões diferenciadas, a primeira delas é a postura excepcional do time, uma atitude absolutamente superior, uma aproximação inédita da torcida, considerando as circunstâncias e o grande desafio que se apresenta, acho que esse é um aspecto positivo. O aspecto negativo é a gente chegar ao fim de um mandato que começou tão bem, acho que a gente não pode esquecer disso, e digo até com certo exagero, porque eu vivi esse momento, ele era visto com uma referência de gestão. Então, são essas duas questões: o lado positivo, que é a atitude profissional do time e a boa relação com a torcida, e o lado negativo, o fim melancólico de uma administração que teve tudo pra ir tudo bem” – destacou.

Vinícius Assumpção, representante do movimento Carlito Rocha e pré-candidato, lembra que o clube já passou por grandes crises. Mas considera extremamente delicada a asfixia financeira que atravessa o Botafogo.

“O Botafogo já passou por crises piores, vale lembrar que já perdemos nossa sede, ficamos 21 anos sem título, mas eu acho, ainda, que essa é uma crise bastante difícil, nós estamos sem oxigênio. Esta reunião nos mostrou isso, estamos juntando os grandes botafoguenses para tentar sair dessa situação difícil, tentar recuperar o oxigênio, que é desbloquear as contas do botafogo, tentar fazer um novo acordo com o REFIS, tentar voltar pro TRT e tentar voltar a caminhar novamente” – minimizou.

O principal motivo alegado pela diretoria para a crise financeira, além da saída do ato trabalhista e a não-votação do Proforte, lei de responsabilidade fiscal em Brasília, foi o fechamento do Engenhão em 2013. Segundo o prefeito Eduardo Paes, o estádio será entregue ao clube no prazo estipulado, novembro deste ano (2014). O diretor executivo, Sérgio Landau, fala das atuais condições do estádio olímpico João Havelange.

“A gente tem a expectativa de que o João (Havelange) retorne em novembro. Essa é a informação que nós recebemos do conselho. Em função disso, o presidente, Maurício Assumpção, mandou criar um grupo de trabalho interno do Botafogo para estudar o retorno do Engenhão, um retorno em alto nível, já que a gente saiu de lá com uma gestão muito bem conceituada. Nós já estamos fazendo isso e o trabalho se divide em comercial, que é o pessoal que vai tratar das placas, de patrocinadores do estádio; tem um grupo que cuida da operação no dia-a-dia do estádio; tem um grupo que cuida da operação de jogo; tem que contratar tudo, sair do zero; tem o grupo que cuida da parte de sócio-torcedor, dos camarotes… então a gente está trabalhando nisso. É muito difícil porque a gente não tem uma resposta firme e oficial da devolução então, quando vamos negociar com patrocinador, não podemos dar a certeza de que vamos abrir em novembro. E essa é a grande dificuldade. O que a gente pode fazer dentro de casa, estamos fazendo. Já vimos que tem uma série de problemas, por exemplo, as tubulações de água estão todas enferrujadas, a água não está fornecendo e já estamos deixando a Riourbe ciente, que é o órgão responsável pelo município. As tubulações estão precocemente enferrujadas. O próprio consórcio que está fazendo o trabalho na cobertura, de alguma maneira, já está consertando coisas que estão sendo identificadas mas, essa questão da tubulação nos preocupa e já mandamos uma informação para a riourbe, para tratar dessa questão antes que o estádio seja devolvido ao Botafogo” – enfatizou.

Com, aproximadamente, 45 milhões de reais de prejuízo estimado, o Botafogo contratou uma empresa de auditoria e decidiu, depois de 17 meses, entrar com um processo contra a prefeitura do Rio de Janeiro, dona do estádio.

“O Botafogo teve uma discussão longa para definir as responsabilidades, quem é responsável, consórcio A, consórcio B… depois de toda essa discussão, que demorou, só pra recebermos uma avaliação do que tinha acontecido no estádio demorou uns 6 meses. A gente tinha que saber a quem responsabilizar, então imaginou-se no início que poderia entrar com uma ação, contra o consórcio responsável pelo problema. Depois de muita discussão com o advogado, chegamos a conclusão de que o contrato é com a prefeitura e não vamos poder entrar com um consórcio e, nesse meio tempo, contratamos uma empresa de consultoria, da área de auditoria, que fez um estudo e apontou as deficiências, as perdas do Botafogo de 23 de março, quando ele foi fechado, até a expectativa de dezembro. Esse trabalho foi entregue ao escritório de advocacia que já está preparando a ação para ser distribuída e há uma ação contra a prefeitura porque o contrato é com ela”.

Landau explica o que está sendo feito atualmente no Engenhão.

“O trabalho que a prefeitura está fazendo é para a melhoria das condições, em torno dos galpões, que vão ser uma área de convivência para a olimpíada e tem, naturalmente, a ampliação das arquibancadas. Porque isso é obrigatório, o estádio tem que ter 60 mil lugares, portanto a ampliação das arquibancadas nos setores norte e sul, vão receber, em cada lado, 7,5 mil lugares. Então, algumas obras ocorrerão. As informações que temos é que essas obras podem ocorrer sem a autorização do Estado.”

Para os jogos olímpicos de 2016, mais 15 mil lugares serão colocados no estádio, mas existe uma grande possibilidade das obras acontecerem sem uma nova interdição. O maior temor dos botafoguenses é ver toda a crise deteriorar o futebol, são 6 meses de direito de imagem atrasados e, a credibilidade da diretoria com os jogadores é zero. A crise aumentou na última quinta-feira (7), quando foi pago pelo clube, com a ajuda de investidores, um mês da carteira de trabalho apenas do zagueiro, Dória, e do volante, Gabriel; dois jogadores revelados na base, valorizados no mercado internacional, e com chances de venda para o exterior. O restante do elenco não recebeu. Somente no dia seguinte, através de um desbloqueio, feito pelo sindicato de empregados de clubes do Rio de Janeiro. O que nenhum torcedor deseja, mas teme no momento é ver o Glorioso, de grande história no futebol brasileiro, novamente jogar a segunda divisão, no ano que vem.

Fonte: Site da Rádio Tupi

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