OSWALDO PEDE DEMISSÃO, MAS DIRETORIA DO BOTAFOGO NÃO ACEITA

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Por pouco, o Botafogo não engrossou, na terça-feira, a lista das equipes que trocaram de técnico neste Brasileiro. Em reunião com a diretoria alvinegra, no Engenhão, Oswaldo de Oliveira tentou entregar o cargo, mas os dirigentes não aceitaram. O treinador comandará o time normalmente nesta quarta-feira, contra a Portuguesa, às 21h, no Maracanã, mas, em caso de novo tropeço (o Botafogo perdeu domingo para o Internacional, por 2 a 1, em Caxias do Sul), a inevitável crise deve trazer o assunto de volta.

No papo entre torcedores e jogadores do Botafogo, segunda-feira, “ficou tudo acertado”, garante Seedorf, um dos interlocutores da conversa no Engenhão. Porém, só nesta quarta-feira, contra a Portuguesa, às 21h, no Maracanã, haverá a certeza das pazes feitas entre torcida e time. A vitória acalmará os ânimos e manterá o alvinegro no G-4, independentemente dos resultados dos adversários. Outro revés, ainda mais diante de uma equipe que está na parte inferior da tabela, poderá tirar a equipe carioca da zona de classificação à Libertadores e estremecer de vez a confiança da torcida na equipe.

— Pedimos apoio nos 90 minutos. Se forem cinco, seis, dez mil, estarão com a gente. Se forem 50 mil, tanto melhor. Mas quem estiver lá vai apoiar. Temos respeito pelas emoções deles — afirmou o holandês.

O apoio, no entanto, não deve ser incondicional, como foi pedido pelos jogadores. Parte da torcida organiza uma espécie de protesto na entrada do time em campo. No lugar de entoarem os nomes dos atletas atuais, os torcedores vão gritar por ídolos do passado, como Didi, Nilton Santos, Garrincha, Jairzinho, entre outros. O único poupado, a princípio, será o goleiro e capitão Jéfferson, o mais antigo do atual elenco e com grande identificação com os alvinegros.

Os jogadores sabem que a postura da torcida vai ser ditada pelo comportamento do time dentro de campo. E o que eles garantiram aos torcedores foi que vontade não faltou e não faltará em momento algum. Restam cinco jogos e 15 pontos em disputa, suficientes para garantir o sonho de todos, a Libertadores.

— Este grupo não merece ser criticado, pois estás lutando pela Libertadores. Eles (torcedores) pediram entrega, mas nós sempre nos entregamos. Sabemos que há jogos que perdemos, o que complica a situação para o próximo. Mas eles entenderam que nada temos a ver com o passado do clube, mas estão preocupados com os traumas — disse Seedorf, que deu sua segunda entrevista coletiva em menos de uma semana, algo raro. O meia discordou apenas do comportamento da torcida no aeroporto, quando jogou ovos no ônibus que levava o time. — Isso não ajuda em nada.

O presente também tem preocupado os torcedores. O Botafogo vem de duas derrotas — Goiás e Internacional, ambos fora de casa — e perdeu toda a folga que chegou a ter no G-4. Além do time goiano, que está empatado com o alvinegro em número de pontos, mas perde nos critérios de desempate, o Vitória está a dois pontos. Não são apenas os resultados que deixam os alvinegros temerosos. A queda de rendimento da equipe é a principal reclamação, e um dos motivos para relembrarem o passado recente (as vagas perdidas nas Libertadores dos últimos anos, como em 2010 e no ano passado).

— Estamos vivendo o agora, brigando hoje pela Libertadores, dependemos só de nós. Temos que quebrar essa coisa, superar esse obstáculo — enfatizou Seedorf.

A conversa com os torcedores agradou, mas as notícias de uma suposta briga entre o camisa 10 e o técnico Oswaldo de Oliveira irritaram o holandês. Ele garantiu que não houve qualquer discussão após a derrota para o Inter, mas confirmou que já discutiu com o treinador outras vezes. Mas no âmbito do futebol e com respeito.

— Tenho ótima relação com o Oswaldo — disse.

Botafogo: Jéfferson, Edílson, Bolívar, Dória e Júlio César; Marcelo Mattos, Gabriel, Gegê, Seedorf e Rafael Marques; Elias

Portuguesa: Lauro, Luis Ricardo, Lima, Valdomiro e Rogério; Willian Arão, Bruno Henrique, Moisés e Souza; Diogo e Gilberto

Fonte: O Globo Online

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