Apesar da vitória por 3 a 0 sobre o Criciúma, neste domingo, no Maracanã, pela última rodada do Campeonato Brasileiro, o Botafogo ainda não assegurou a vaga na Taça Libertadores do ano que vem. Mesmo com o quarto lugar, a melhor posição do clube desde o título de 1995, ainda precisa que o Lanús, da Argentina, derrote a Ponte Preta, quarta-feira, na final da Copa Sul-Americana, em Buenos Aires.

Com essa indefinição, outra consome o treinador. Oswaldo não teve seu contrato renovado até o momento pelo Botafogo e deu a entender que sequer foi procurado de forma efetiva para isso. Com o interesse do Santos em contratá-lo e informações até de que já teria acertado, ele espera por uma solução em breve.

– No ano passado, muito antes de terminarmos a temporada, já tínhamos decidido que eu permaneceria. Esse ano, as coisas não aconteceram dessa forma. O Botafogo tem dificuldades financeiras, e isso não me foi esclarecido. Não ficou claro com relação à renovação. Vou aguardar para que isso seja esclarecido. Vão acontecer negociações e acho que diante delas é que vai ser resolvido – afirmou Oswaldo, que recebeu o abraço do zagueiro do Dória durante a entrevista e se emocionou.

– Ele não estava na reza, pois foi para o antidoping.

O Botafogo terminou a competição com 61 pontos na quarta colocação. Cruzeiro, Grêmio e Atlético-PR já se classificaram para a Taça Libertadores, além do Flamengo, campeão da Copa do Brasil. A última vaga ficou entre o clube carioca e a Ponte Preta.

Confira a entrevista coletiva de Oswaldo de Oliveira na íntegra:

Relação com a torcida

– Jogamos hoje como jogamos nos melhores momentos do ano. A partir do momento em que voltamos a ter oportunidade de treinamento, preparação e recuperação, a equipe foi retornando gradativamente aos seus melhores momentos, em que pese problemas que tivemos. O jogo contra o Atlético-PR foi muito bom, e hoje mais uma vez o Botafogo conseguiu fazer uma partida daquele nível que gostamos. Do meu ponto de vista, um ingrediente importante é que em dois anos ainda não tinha conhecido a real torcida. Hoje, sim. Compareceu e apoiou a equipe o jogo inteiro, desde antes de iniciar até o fim. Nos empurrou para uma vitória incontestável. Foi o diferencial do jogo. Jogamos grandes jogos, mas ainda não tinha contado em casa com nosso 12º jogador. Hoje teve uma atuação brilhante. Demonstração de amor e carinho. Grandes campeões têm grandes torcidas, que são fieis, comparecem e entusiasmam uma equipe no caminho da vitória. De tudo que preparamos durante a semana, a participação da torcida foi fundamental, o tempero que faltava. Parabéns para a torcida.

Botafogo no G-4

– Para mim é um sentimento muito agradável, de muito prazer, ver o trabalho surtir efeito. Foi um esforço muito grande de todos. Os protagonistas são os jogadores. Lá no vestiário há um número maior de participantes que são pessoas imprescindíveis, essenciais em tudo que trabalhamos. É o como o pessoal do teatro que fica atrás da coxia. Para o jogador aparecer elegante, com performance de alto nível tem esse apoio de pessoas que não aparecem no holofote, que se entregam ao trabalho sabendo que a recompensa em relação aos jogadores é diminuta. São pessoas de alto nível de preparação, capacitadas nas suas funções. Por tudo que o Botafogo passou esse ano, esse trabalho incomparável me deixa satisfeito com o que aconteceu. Merecia até coisa melhor. 

Dória e Oswaldo de Oliveira coletiva Botafogo (Foto: Thales Soares)
Dória interrompe a coletiva para cumprimentar Oswaldo de Oliveira (Foto: Thales Soares)

Queda de Flu e Vasco

Lamento muitíssimo isso. É um débito irreparável para o futebol carioca e brasileiro. Sem Fluminense e Vasco, fica uma lacuna e um hiato. Isso que tenho a dizer. É triste que tenha acontecido. Mas precisamos reconhecer que o Brasileiro é tão competitivo que não acho que seja uma vergonha. Já vimos outros grandes frequentarem a Segunda Divisão. As coisas às vezes não dão certo, e eventualmente acontece. É compreensível. Mais cedo ou mais tarde com qualquer um. Uma temporada com menos sorte e um planejamento mal feito são fatores que podem fazer uma equipe declinar. Meu desejo sincero é de que consigam se reerguer e que voltem em 2015 para um lugar onde merecem estar.

Secar a Ponte Preta

– Vou passar esses dias com muita tranquilidade. Não posso depreciar o nosso trabalho. Disse que não torceria contra a Ponte Preta, mas foi antes de perder para o Coritiba. Só dependíamos dos nossos resultados. Se tivéssemos vencido estaríamos classificados. Hoje é diferente. Precisamos que aconteça um resultado que nos favoreça. Sempre torcerei para os clubes brasileiros e cariocas contra adversários de fora do Brasil e do Rio. Nesse momento, infelizmente, minha expectativa é de que o Lanús consiga o título para que o Botafogo receba aquilo que merece e fez por onde. No meu modesto ponto de vista, foi uma das melhores equipes do campeonato, com partidas de muito bom nível, mesmo quando perdeu. Foi superior em casa contra adversários sempre de forma defensiva. Então acho que seria meritório se conseguisse estar na Libertadores.

Avaliação

– Tecnicamente, o Botafogo teve um ano muito bom. A sequência do trabalho que começou ano passado. O Botafogo foi muito bem, fez partidas excelentes, teve jogos irrepreensíveis, fazendo quatro gols no Atlético-MG, quatro no Atlético-PR. É uma recompensa grande. Individualizando, teve a projeção dos meninos da base e a restauração de jogadores.

Reconhecimento

– Tive isso o tempo todo nas ruas, restaurantes, supermercados. A torcida demonstrava essa gratidão, satisfação. Essa coisa toda me deixa mais feliz por finalmente ter o trabalho reconhecido.

Telão sem resultados

– Tive uma experiência importantíssima na minha vida no Japão, em 2007. Ganhamos do primeiro colocado na penúltima rodada. Chegamos a 69 pontos, e eles tinham 70. Fiz esse exercício, inclusive com a torcida mandando mensagens, pedindo que ficassem concentrados apenas no nosso jogo. Seria uma vergonha se o Goiás perdesse, e nós não vencêssemos. Não pedi diretamente, mas as pessoas entenderam que se o placar ficasse dando resultado acabaríamos sabendo. Só fiquei sabendo no último momento em que fiz a última substituição. Fomos bem-sucedidos no nosso planejamento. Como aconteceu no Japão, a explosão no fim com tudo de uma vez foi muito legal.

Jogo marcante

– Um que marcou muito, pelas circunstâncias, foi a vitória sobre o Corinthians, com um gol do Hyuri no finzinho. Tinha certeza que iríamos conseguir terminar no G-4 depois desse jogo.

Mercado

– Existem jogadores, sim, que o Botafogo não vai conseguir manter, e há negociações para serem feitas. O mercado é isso, o futebol é assim. Esses próximos dias serão decisivos.

Seedorf

– Seedorf é um cara especial. Todo mundo sabe. Tirei ele no fim para receber aquela homenagem. Claro que fica um clima de incerteza, pois futebol é um balcão de negócios. Tem que saber lidar com isso. Naquele abraço, traduzimos tudo o que passamos esse ano. Foi muito bacana o trabalho. Da minha parte e da dele, estávamos expressando um carinho de um pelo outro. Mas há uma atmosfera de que nos separem mesmo.

Santos

– O futebol é apaixonante, mas também é um grande balcão. O segredo é o grande tempero de um negócio e nesse momento não vou falar sobre isso. Vamos esperar que as coisas aconteçam.

Fonte: Globoesporte.com