O matemático Tristão Garcia já fez os cálculos. Para um time se afastar do rebaixamento, precisa marcar 45 pontos. Com 44, a chance de fuga é de 97%. Se terminar com 43, de 83%. Ao falar sobre o número, Tristão compara com um revólver que tem uma bala num tambor em que caberiam seis. O risco não é enorme, mas ele não é mínimo. Sem medo, o técnico Vágner Mancini aperta o gatilho.

— O Botafogo precisa de dez pontos nos seis últimos jogos — disse ontem, ao GLOBO, o treinador alvinegro, que tem 33 pontos na tabela. — Acho que, se nós chegarmos aos 43 pontos, escapamos.

A entrevista foi feita no campo principal do Engenhão, sob um dos guindastes que trabalham no reforço estrutural da cobertura do estádio. Pela primeira vez desde o fim de março de 2013, o elenco usou o local. Com isso, poupou o gramado do campo anexo, criticado por Emerson Sheik e que o próprio Mancini afirmara poder ter contribuído para a torção no tornozelo direito de Wallyson. Ele comandou um treino sem André Bahia, que continua fora, e com Yuri Mamute no lugar de Rogério, com entorse no joelho esquerdo. E falou como quer o time, amanhã, às 21h, contra o Atlético-PR, em Volta Redonda.

— O Botafogo tem que pressionar o Atlético desde sexta-feira (hoje) mentalmente e emocionalmente. A gente não pode entrar em campo e passar para o Atlético que ele vai ter vida fácil. Ele tem que se sentir desconfortável em campo. Não estou falando que tem que sair dando porrada. É o olhar do vencedor — disse o treinador, que admite ficar no clube após manter o time na Série A. — A partir do momento em que estou aqui, o meu time é o Botafogo. Penso em estar aqui em 2015, 2016. Se eu pudesse, assinava com o Botafogo por 10 anos.

Jóbson e Mamute

No ataque, além de Mamute, estará Jóbson. Mancini precisou de pouco tempo para notar um curioso fenômeno que, aos olhos da torcida alvinegra, transforma o problemático atacante em esperança de permanência na Série A.

— A torcida consegue tirar do Jóbson o que tem de mais infantil e puro mesmo que ele se atrapalhe com a vida longe do campo. O torcedor não consegue tirar isso de outros. Por isso, há muita identificação. Ele devolve o que a torcida quer, um futebol diferente e moleque — diz Mancini sobre o atacante que ainda não balançou as redes na atual passagem.

Fonte: O Globo