Presidente defende preço de ingressos: impostos e custos

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Estátuas pichadas, salários atrasados há dois meses, gratuidades. Embora dirija um dos clubes favoritos ao título brasileiro, o presidente do Botafogo nem assim tem paz. Vem mastigando problemas e, com paciência, tenta digerir as críticas aos salgados preços dos ingressos. Para Mauricio Assumpção, aliás, os valores são justos. Em entrevista ao Jogo Extra, o dirigente do melhor time do Rio no Brasileirão apresenta seus argumentos e questiona a proibição da cerveja nos estádios do País.

Os jogadores do Botafogo voltarão a se concentrar quando os salários estiverem em dia?

Essa questão já é uma coisa normal para a gente. Havia lá atrás uma ideia do Oswaldo (de Oliveira) de ir gradativamente diminuindo a concentração.

Então, a concentração está abolida?

Nos moldes de antigamente, duvido que volte. Acho que será como hoje, facultativa. O que está acontecendo é que muitos jogadores, os solteiros, acabam se concentrando. A campanha e a responsabilidade desse grupo mostram que o que faz ganhar jogo não é a concentração.

O Botafogo vai reduzir os preços dos ingressos quando voltar ao Engenhão?

Acho muito bonito dizerem que tem que haver ingresso mais barato. Mas ninguém diz que deveria haver menos impostos. A gente paga até taxa de escoteiros para jogar no Maracanã. A taxa é pequena? Não interessa. Acho engraçado falarem de ingresso mais barato quando ninguém sabe o custo de um jogo de futebol.

A gratuidade e a meia entrada indiretamente oneram o preço dos ingressos?

Põe no papel 5 mil gratuidades, levando em conta o preço médio de R$ 40. E, hoje, todo mundo é estudante nesse País. Já parei de estudar há muito tempo, concluí meu MBA, mas todo mundo é estudante aqui. Quase 80% dos tickets são de meia entrada. Como é que pode?

O senhor não considera caro um ingresso por R$ 80 ou R$ 100?

Você acha justo pagar R$ 80 para assistir a uma peça de teatro com uma hora de duração? Você acha justo pagar esse preço para assistir a um cara que fica sentado contando piada? Eu tenho o direito de chegar para alguma autoridade de cultura do País e dizer que ela tem que reduzir o ingresso da peça de qualquer maneira? E eu lá sei qual é o gasto com sistema de som, cenografia e iluminação, por exemplo? Não, eu não sei. Não ponho isso na ponta do lápis. Então, não posso falar.

E o que pensa da gratuidade?

Esse negócio de gratuidade é uma história engraçada. Você não vê um velhinho sair do mercado cheio de sacolas, sem pagar pelas mercadorias, vê? Ora, é muito fácil fazer gratuidade com o dinheiro dos outros. E ainda exigem que eu bote um Seedorf no campo, um Jefferson no gol, e que eu fabrique um Dória, um Vitinho… Quer ver outra coisa? Ninguém decide a questão da bebida nos estádios. Por que pode ter bebida na Copa e, não, no Brasileiro? Aconteceu alguma pancadaria por causa de bebida na Copa das Confederações? Não. Então, por que eu tenho que deixar de gerar essa receita? Vamos parar de hipocrisia!

O Botafogo ainda vai jogar no Mané Garrincha, longe de sua torcida?

Deixei lá dentro (contra o Goiás) R$ 1 milhão (na verdade, R$ 867.864,41) e fiquei com R$ 400 mil (R$ 572.900,59). Só saí do Rio porque não tinha contrato com o Maracanã. Agora, a ideia é jogar o que for possível no Maracanã. Só volto a Brasília se as taxas caírem. Aqui, é mais interessante. Jogo mais e sai mais em conta.

É verdade que o Dória está vendido para o Juventus?

Não é verdade. E acho difícil ele sair até o fim do ano.

E em janeiro?

Ah, em janeiro é muito provável…

Ficou aborrecido com as duas pichações das estátuas do Engenhão?

Aquilo não é arte, não é cultura. Não tem graça. Se eu pudesse, esfregava a cara desse canalha nas estátuas até que ficassem limpas. Entre o grupo com quem ele convive, deve ter sido uma realização maravilhosa.

Fonte: Extra Online

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