O Campeonato Carioca está recheado de polêmicas. Preço de ingresso, local de algumas partidas, lado da torcida no estádio e lei da meia-entrada entraram na pauta dos 16 clubes participantes. No meio deste fogo cruzado, o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, resolveu colocar o estádio Nílton Santos à disposição da Ferj para a realização do clássico Vasco x Fluminense.

Em entrevista à Bradesco Esportes FM, o mandatário alvinegro abriu as portas do estádio para a partida do próximo dia 22. A Ferj, inclusive, já marcou o duelo para o estádio alvinegro.

“Abro as portas para este clássico e não há nenhuma restrição. Podemos receber o clássico sem nenhum problema. A questão de distribuição de ingressos, meio a meio, rateio da renda, o Botafogo não se envolve. Tradicionalmente, o Vasco fica do lado direito. Aliás, o único jogo que a torcida do Botafogo muda de lado.”

O presidente Carlos Eduardo Pereira tratou de outros temas, como mudança do nome do Engenhão, volta ao CT de General Severiano, relação com a Federação do Rio e categorias de base.

Estádio Nílton Santos
“É uma alegria muito grande esta homologação. Fizemos o ofício à prefeitura, mas o prefeito público no Diário Oficial do Município, hoje, o nome do nosso eterno ídolo Nílton Santos. O retorno ao estádio com este nome sabe exatamente o peso que esta homenagem tem ao nosso grande ídolo. Reverenciar o maior ídolo do Botafogo ainda é pouco por tudo que ele fez.”

Primeiro jogo no Engenhão
“Infelizmente obra produz sujeira, poeira. Entramos com uma equipe emergencial, mas ocorreu uma forte chuva e desceu muita sujeira. Vamos melhorar o acesso dos torcedores também. Ocorreram erros humanos, mas a gente sabe que depois de anos parado o sistema demora a voltar a operar normalmente. Na próxima partida, contra o Nova Iguaçu, teremos um melhor atendimento. Nosso compromisso é dar tratamento de excelência ao torcedor, com tapete vermelho.”

Relação com a Ferj
“Em 94, quando o Botafogo participou de um movimento parecido com este, aprendi que o voto plural acabou e os grandes clubes têm o seu voto. Para você liderar um processo, você tem que apresentar uma proposta sólida e que interesse a maioria. Não adianta apresentar uma proposta para os grandes a achar que os menores têm que acompanhar. Nosso foco é ter um bom relacionamento com todos. O único que ainda não tive contato é o presidente do Fluminense, mas este esquema de notas oficiais e decisões unilaterais não conduzem a nada. Se criamos uma imagem de discórdia, de briga, de conflito, isso passa para as torcidas e estimula uma agressividade, um clima ruim e não produz resultados práticos. Quem resolve tudo é o conselho arbitral. Tem que ter o respeito institucional e a postura do Botafogo é o diálogo.”

Maracanã
“O Maracanã deixou de ser o grande estádio do Rio de Janeiro, está mais para casa de shows do que para estádio de futebol.”

Meia-entrada
“Não recebemos nenhum torcedor com canhoto para ressarcimento, mas isso é uma situação surreal criar a lei da meia-entrada, mas ninguém diz de onde virão os recursos para os clubes. No caso dos ônibus, as empresas têm benefícios. No caso do futebol, ninguém indica qual caminho. Vou acatar as decisões judiciais, mas acredito que ninguém foi prejudicado.”

Divisões de base
“Vou priorizar os esforços para o trabalho nas categorias de base. O Antônio Lopes é uma grande contratação para 2015 e é um profundo conhecedor de futebol. A grande diferença desta gestão para a anterior é que não vamos fatiar os nossos jovens. No passado, o Botafogo tinha muito pouco destes garotos. Não vamos mais fazer dos meninos uma pizza.”

Loco Abreu
“Recebemos uma notificação do Loco Abreu, o ídolo e que tantos torcedores pediram a contratação dele, pedindo o pagamento de R$ 2.280 milhões sem nos dar direito de defesa. Quando recebi e vi que tinha 10 dias para pagar, fiquei tranquilo porque vou negociar isso mais pra frente.”

Fonte: Terra