O futebol do Rio é o mais charmoso do país. É aqui que residem Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco da Gama. Querem mais mística: Garrincha, Zico, Didi, Dinamite, Nilton Santos, Rivelino, Zagallo. outros mais? Jairzinho, Júnior, Leandro, Caju, Cocada, Edmundo, Romário. E isso nãoé tudo. Escuta só: Maracanã, São Januário, Proletário, Niltão…

A mística do futebol carioca, entretanto, corre perigo. O alerta foi dado pelo presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, que vê um complô que não tem como meta elevar o Flamengo, o time de maior torcida do país, mas em rebaixar os concorrentes.

A receita da TV que o rubro negro recebe, três vezes maior do que a dos demais, cria uma relação de desigualdade que pode comprometer o futuro do espetáculo. O esporte que é referência nacional deveria se pautar pela concorrência? Sim. Mas que se desse exclusivamente dentro de campo.

Neste artigo, encaminhado a Conexão Jornalismo pelo jornalista alvinegro João Pedro Werneck, publicado originalmente no site Globoesporte, CEP fala sobre o perigo deste modelo:

“Como enxerga o momento do futebol carioca?

Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo – “O futebol carioca ainda vive um momento de divisão porque o Flamengo capitalizou muito uma imagem de que era o reformador do futebol, quando fundamentalmente o que ele quer é ganhar mais do que os outros. E não quer ganhar mais do que os outros pedindo mais dinheiro.

Ele quer ganhar mais do que os outros tirando o dinheiro do Vasco, do Fluminense e do Botafogo. Não tem acordo dessa maneira. De repente o evento (Campeonato Carioca) descobre que o Flamengo não faz tanta falta assim. Acho que se você quer fortalecer um campeonato, você tem que entender que ele é um todo.

Não adianta eu achar que um Vasco fraco é bom, que um Fluminense fraco é bom, que um Flamengo fraco é bom. Claro que não. Os quatro grandes têm que estar fortes, equilibrados. Somos nós que levamos o torcedor ao estádio. A força está na rivalidade. Isso que leva o torcedor a assistir programas de televisão, procurar notícias na internet, comprar jornal… É isso que movimenta.

Somos os quatro que movimentamos no Rio de Janeiro. É fundamental termos essa visão. O Campeonato Carioca é uma marca mais forte que qualquer outro estadual do Brasil. Hoje a garotada torce para o Manchester United, Manchester City, Bayern de Munique, Barcelona, Real Madrid… Temos que enfrentar isso.

Os jogadores europeus são melhores que os brasileiros nos videogames. O Brasil adotou essa postura de exportador, e isso esvazia. Todo mundo quer ver os campeonatos europeus. Se não nos unirmos, vai ficar difícil”.

Fonte: Conexão Jornalismo e Globoesporte.com