Presidir o Botafogo no momento mais delicado da história já não seria a mais fácil das tarefas. Agora imagine encarar essa missão com uma pitada de três mil quilômetros de viagem por mês, com direito a estrada pela manhã e todo fim de noite? Pois essa é a vida de Carlos Eduardo Pereira, que assumiu o mais alto cargo no clube após as eleições de novembro. E o objetivo é claro: fazer o Alvinegro imergir da crise e voltar a respirar sozinho o quanto antes.

Explica-se. As viagens se fazem necessária porque Carlos Eduardo Pereira é morador de Itaipava, cidade vizinha a Petrópolis e que fica a aproximadamente 100km da zona sul do Rio de Janeiro, onde se encontra a sede do Botafogo. E a curiosa situação foi até mesmo utilizada pelos adversários durante as eleições. “Como pode o Botafogo ser presidido por alguém que mora em Itaipava?”, indagou um dos então candidatos durante um debate.

A resposta tem sido dada com trabalho. Em menos de três meses de gestão a nova diretoria conseguiu importantes vitórias nos bastidores: pagou dívida com a Timemania e Reffis, voltou ao Ato Trabalhista, reabriu o Engenhão e conseguiu apoio da prefeitura para chamar o estádio de Nilton Santos, ídolo do clube. Essas medidas agradaram em cheio a torcida, que comemora também a possibilidade de interagir com Carlos Eduardo Pereira pelas redes sociais.

Bem verdade que as viagens diárias para o Rio de Janeiro já se faziam necessárias antes mesmo de Carlos Eduardo assumir o Botafogo. Ele e sua esposa trabalham no Rio de Janeiro há vários anos e já faziam esse trajeto diariamente.

“Se somar deve dar uns 3 mil quilômetros de viagem por mês [risos]. Mas faço isso com o maior prazer. Inclusive, já era algo que fazia antes, pois minha empresa é exatamente em frente a General Severiano. A situação do Botafogo é muito complicada e precisa de qualquer esforço de quem esteja disposto a ajudar. Não serei hipócrita de falar que faço essas viagens apenas pelo Botafogo, pois já fazia isso antes, mas é algo que continuaria fazendo se não houvesse meu trabalho”, disse Carlos Eduardo ao UOL Esporte.

E paralelamente ao trabalho, Carlos Eduardo sempre teve sua vida diretamente ligada ao Botafogo. Ele pertence ao grupo “Mais Botafogo”, que sempre desempenhava o papel de oposição no clube. Apontavam problemas na gestão de Maurício Assumpção, quando tudo ainda parecia caminhar às mil maravilhas. O estrago só apareceu no último ano de gestão: má administração que gerou bloqueio de receitas em uma rede sucessiva de problemas.

Ao contrário do que argumentou um candidato durante as eleições, a distância não tem sido um problema para gerir o Botafogo. Pelo menos nesse início de mandato, quando tem acumulado conquistas e muitos elogios – até de quem foi derrotado no pleito.

Fonte: UOL