Uma reunião do Conselho Deliberativo determinou a rescisão do contrato das empresas responsáveis pelas obras que transformariam o campo de General Severiano em um complexo de grama sintético. Tumultuada, a reunião teve discussão, acusações e até uma agressão com um caderno de Antônio Carlos Mantuano, da oposição, ao vice-presidente geral do Alvinegro, Paulo Mendes. A informação está no site Globoesporte.com .

O blog Botafogo Sem Medo publicou a íntegra da reunião:

“A reunião é extraordinária, isto é, tem tema específico. Não tem, por exemplo, o item assuntos gerais, tradicional nas reuniões ordinárias.

A motivação desta reunião é o contrato que permite a uma empresa alugar o campo de General Severiano para quaisquer pessoas.
19:47: panorama atual.
19:50: o presidente do Conselho Deliberativo, José Luiz Rolim, educadamente pede que os não conselheiros deixem a quadra e vão para a arquibancada.
19:53: após o hino, presidente do CD, José Luiz Rolim, abre a reunião e insiste para que os não conselheiros se retirem. Diz que o contrato se enquadrava num item do Estatuto que motivou a convocação da reunião extraordinária, e chama o presidente Maurício Assumpção.
19:55: Maurício Assumpção: esse projeto, que é de modernização do espaço da sede, tem uma questão jurídica, do contrato com uma empresa, se é uma questão de operação ou de locação do espaço. Entendo então, que para encerrar essa questão, estamos encerrando o contrato de operação, e o projeto então será feito e operado pelo próprio Botafogo.
19:57: Rolim: se o presidente afirma que está rescindindo o contrato que motivou a reunião…
Maurício: em no máximo dez dias o Conselho Deliberativo terá a rescisão em mãos.
Rolim: propõe que o Conselho Deliberativo vote para referendar a rescisão do contrato, mesmo antes desta rescisão ser apresentada.
Conselheiros: questionam que antes querem saber detalhes, como uma eventual multa rescisória.
Rolim: o presidente explicará isso posteriormente, pois agora reconheceu que pelo Estatuto não deveria ter assinado.
Rolim põe em votação simbólica e rescisão é aprovada.
Maurício Assumpção: existe uma questão técnica. O engenheiro agrônomo, o mesmo do Engenhão, relata algumas coisas. Esse gramado hoje não é utilizado pela equipe profissional, estando portanto subutilizado. A ideia é substituir essa grama por uma grama sintética padrão Fifa. O projeto contempla vestiário, loja, etc. Além dessa utilização, o Botafogo voltaria a ter as escolinhas, que não puderam continuar na grama natural por falta de manutenção. Nos finais de semana, os sócios poderiam utilizar gratuitamente.
Além disso, durante a semana haveria o aluguel, da mesma forma que há hoje no campo menor, onde as pessoas após o jogo já fazem churrasco, vão ao restaurante, confraternizam, mas dentro das regras estabelecidas, tais como não poder usar camisas de outros clubes.
Seriam três campos de grama sintética e outros menores, mas sempre que o profissional precisasse poderia usar o campo, pois as divisórias seriam removíveis.
É um contrato de melhorias na sede para os sócios, como os outros clubes do Rio tem, com recursos específicos para uso no social, sendo parte no Sacopã. Se o projeto for executado na sua plenitude, será dessa forma.
Quero me desculpar por ter feito o contrato de operação diretamente sem passar pelo CD, se ficaram chateados me desculpem, pois não foi essa a intenção do Conselho Diretor.
20:06: Rolim diz que até poderia encerrar a reunião, dados a rescisão e os esclarecimentos. Mas há oradores inscritos.
20:07: um conselheiro discursa em favor do projeto, destacando a importância.
20:08: Conselheiro Arthur Rodrigues: diz que discorda radicalmente do projeto. Diz que há muitos anos atrás esse projeto já foi tentado, houve grande discussão e não passou. Relembra que havia três propostas para o uso do complexo de Genral Severiano, mas que a sua era a única que contemplava o campo, inclusive tendo contratado um arquiteto para isso.
Discorre sobre a importância deste campo para o Botafogo, sua história, cita Copa do Mundo, relaciona o falecimento de Nilton Santos e a Copa no Brasil para dizer que é “impensável” General Severiano sem o campo.
Diz que essa diretoria tem o mérito de ter feito um trabalho de acompanhamento dos ex-jogadores, fala do túnel do tempo de Genral Severiano, e destaca a importância de manter o futebol em General Severiano.
Diz que a sede tem muito espaço vazio, que foi mal desenhada pelo arquiteto, mas que Garrincha e Nilton Santos jogaram aqui, que vimos aqui todos aqueles que jogaram no Maracanã. Que pode ser romantismo, mas que Botafoguense sem romantismo não é Botafoguense.
Continua discorrendo sobre tradição, saudosismo e outros sentimentos para defender a permanência do futebol na sede. Fala da história e questiona o que será da sede sem o campo.
Continua se repetindo na mesma linha…
20:16: Carlos Augusto Montenegro:
Diz que é uma sessão nostálgica, lembrando a reunião de 20 anos atrás. Mas que hoje estamos igual a 20 anos atrás. Temos Caio Martins, temos Marechal Hermes, mas não usamos porque há obras, etc. Temos um terreno no Recreio, que também não conseguimos usar. Temos o terreno doado por dona Teresa, mas que ainda não pode ser usado. Temos o campo de General Severiano, mas que é muito duro. E uma correção: Nilton Santos e Garrincha nunca jogaram em cima de um Shopping. Hoje também temos o Engenhão mas não temos o Engenhão.
Respeito a posição das pessoas que são saudosistas. Não há CD nenhum no momento que diga onde o time deve jogar, treinar ou se concentrar, pois isso é atribuição do presidente. CD não tem que dizer como deve ser isso. Mesmo assim, pelo projeto a concentração continuaria na sede, e os jogadores continuariam tendo contato com os sócios. Diz que sabe que o tema é polêmico, ainda mais em ano eleitoral.
Acha que pode sim ser transformado em três campos, mas que tem gente que deve ficar o campo lá é virar um museu. Sobre entrada e de torcedores de outros times, diz que já é assim nas escolinhas, em que nem todos que as freqüentam são Botafoguenses, mas que há regras que devem ser cumpridas.
Defende que seja discutido pelos sócios o que deve ser feito daquele espaço. Antes não havia Engenhão, era outra época. O saudosismo, a história é importante, mas não podemos viver somente disso, pois precisamos pagar as contas.
A proposta é que isso seja votado em novembro, se o espaço pode ser usado por outras pessoas ou ficar um museu.
20:25: Cláudio Good: diz que se manifesta com tristeza, pois é saudosista sim. Diz que concorda com o benemérito Arthur, que tirar o campo da sede vai contra a história do Botafogo. Sabe que é preciso pagar as contas, mas que não precisa disso.
Conclama todos a pararem de apenas criticar e pede que sejam apresentados projetos. Que Garrincha e Didi não jogaram sobre o Shopping, mas ainda é o campo do Botafogo.
Critica a falta de transparência do contrato, de quanto são é para onde vão as receitas. Questiona como será paga a rescisão, e de quanto ela é. Propõe que se vote logo hoje no CD se querem o projeto ou não, pois o Estatuto permite isso.
Rolim: diz que para votar essa questão,seria necessária reunião específica, que pode até ser convocada hoje.
Good: diz que pelo Estatuto pode ser votada hoje sim essa questão.
Rolim: diz que desconhece que item do Estatuto permite isso e pede que seja esclarecido.
Good chama Gustavo Noronha, do Mais Botafogo, para esclarecer, pois ele seria quem observou essa possibilidade no Estatuto.
Rolim questiona a ausência de Noronha, e diz que apenas conselheiros podem falar.
Gustavo Noronha aparece.
Rolim diz que não pode ser votada matéria diversa da convocação porque prejudica os conselheiros ausentes.
Anderson Simões questiona o fato do CD ter acabado de votar a aprovação da rescisão do contrato, quando a reunião seria para que fosse explicado o contrato, e não votada uma rescisão.
Rolim alega que a reunião perdeu o objeto quando o presidente anunciou a rescisão.
Segue a discussão, mas Rolim mantém a posição.
20:36: André Barros, do MCR: diz que na partida o contrato nunca existiu, uma vez que pelo Estatuto o presidente jamais poderia tê-lo assinado, pois só pode ser decido pelo CD.
Diz que só estamos aqui na sede, que o Botafogo só existe por causa do futebol, discorre sobre a história do clube, diz que alugar campo de pelada transforma o clube no Aterro.
Discorre sobre a necessidade do sócio-torcedor com direito a voto, da necessidade de participação do torcedor que faz o clube grande, do problema do clube ser muito fechado e pouco acessível.
Reforça que o importante para o clube é o futebol, que não pode sair da sede.
20:41: Rolim corrige Andre explicando que o campo não é oficial.
20:42: Conselheiro Edson, do Mais Botafogo: diz que no contrato não consta o custo da implantação da grama sintética, que esse contrato não foi apresentado aos conselheiros. O Conselho Fiscal pediu ao jurídico informações e viu que seria em torno de 835 mil reais o custo do Botafogo para reformar o campo.
E como disse o Good, o contrato já foi assinado e há uma multa rescisória a pagar. E quem vai pagar? Diz que Botafogo não deve pagar essa multa, e caso haja futuramente qualquer prejuízo jurídico, que o presidente arque com a multa.
20:45: Ricardo Braga, vice de patrimônio se manifesta fora do microfone.
20:46: Rolim diz que Braga solicitou aplicação de dispositivo que diz que se três conselheiros se manifestarem sobre mesmo tema, e não havendo outros tema posterior, um conselheiro pode solicitar o encerramento da reunião, e cabe ao presidente do CD decidir.
Rolim decide que todos os oradores inscritos poderão falar, e mais ninguém, e então será encerrada a reunião.
Diz que a reunião já perdeu seu objeto, e sendo extraordinária, nenhum outro tema pode ser debatido.
20:48: Paulo Marcelo Sampaio, do MCR: lê texto de seu blog, falando sobre 1957, em que foi anunciada a obra de General Severiano, e discorre sobre a história do clube em relação a campos. Venda da sede, Marechal Hermes, Caio Martins, as dificuldades, etc.
20:53: Vinicius Assumpção, candidato a presidente do MCR: diz que já era conselheiro em 1993, quando Carlos Eduardo e Montenegro foram eleitos beneméritos, mesmo contrato Estatuto por falta de tempo para tal, tendo o recurso contra sido derrotado.
Diz que os mesmos que votaram em 1993 pelo fim do campo para os profissionais, agora defende ardorosamente a permanência do futebol profissional na sede.
Elogia o presidente Maurício por reconhecer o erro e voltar atrás, mas diz que não viu nenhum dos críticos apresentar um projeto alternativo. Diz que vai ficar um campo ocioso e a sede perdendo receita.
Diz que um assunto muito mais importante, o do sócio-torcedor com direito a voto, é ignorado, e fala da importância de abrir o clube.
E pede projetos que tornem a sede viável e rentável.
20:57: Benemérito Manoel Renha: diz que é natural o tema ser tratado com paixão, mas que pretende ser mais frio. O CT foi inaugurado em 2004, e nessa gestão foi inaugurada a sala Armando Nogueira. Fala da pesquisa do Sportv que pôs o CT do Botafogo em 10º, tendo perdido ponto exatamente na questão do campo.
Posteriormente passou a usar o Engenhão para complementar trabalhos em campo maior. Diz que hoje a maioria dos treinos é feita em campo reduzida, que no máximo uma vez por semana é feito coletivo em campo oficial.
Hoje também não é possível fazer treino em tempo integral no Engenhão por falta de alojamento. Não tem como liberar o grupo no almoço para se representar à tarde. General Severiano permite isso, com alimentação controlada.
Quem pegar a planilha de treinos verá que o Botafogo só tem treinado em meio período, o que pode ter afetado o desempenho da equipe.
Sobre a fama do campo de General Severiano ser duro e provocar lesões, diz que não há registro de nenhuma lesão por conta do gramado de General Severiano, mas que há vários registros de atletas com contusão grave por causa dos gramados do Maracanã e do Engenhão.
Além disso, como o lembrou Montenegro, em 2016 o Engenhão fica retido para a Olimpíada, e o Botafogo pode vir a ficar sem ter onde treinar.
Diz que apóia a saída do time da sede quando houver um CT. Sem isso, o campo de Geneal Severiano é fundamental para o profissional.
21:04: Conselheiro Gustavo Noronha, do Mais Botafogo: três conselheiros, um deles do Conselho Fiscal, entraram com ação cautelar obrigando o presidente  do Conselho Diretor a explicar por que assinou o contrato sem passar pelo CD.
Acrescenta à fala de Renha o fato de que peladas até tarde podem atrapalhar a concentração dos jogadores por conta do barulho e do movimento. Os ganhos com essa receita nova podem ser compensados pelos custos com concentração externa.
Diz que o contrato foi assinado pelo presidente “com excesso de mandato”, não tendo portanto validade o contrato nem a votação do CD. Será rescindido da mesma forma que foi assinado.
Diz que o projeto precisa ser discutido, apoiando proposta de Cláudio Good. Lê o artigo do Estatuto que permite que assunto relevante que não conste da convocação possa ser votado pelos presentes, se a maioria assim decidir.
Rolim diz que concorda que a rescisão é de quem assinou, mas que o CD precisa ver os termos dessa rescisão, que será distribuída a todos assim que o presidente a enviar ao CD. Entende, portanto, que deve ser convocada nova reunião depois de receber o documento.
Gustavo Noronha alerta para a urgência dessa apreciação pelo risco da criação de um “fato consumado”, isto é, ao longo dos dez dias pedidos pelo presidente a obra pode continuar sendo tocada e o clube ter prejuízo dos 835 mil informados pelo jurídico ao CF, além do “fato consumado” que seria a obra em si.
Explicação: há dois contratos. Um da obra no campo, custeado pelo Botafogo, no valor de 835 mil reais. O outro terceiriza a operação dos campos de grama sintética. Esse sim é o motivo da reunião, dos questionamentos e da ação cautelar. O outro contrato, o da obra, pode continuar normalmente durante esse período de dez dias proposto por Rolim para que se aguarde a rescisão do contrato de operação.
Rolim pede voto de confiança ao presidente Maurício, que disse que rescindirá e portanto cessarão obras e custos. Pede para aguardar a rescisão.
Gustavo Noronha volta a dizer que o poder de decidir se vota tal tema ou não é do plenário do CD, não da mesa diretora.
Rolim mantém a decisão de não votar hoje.
Um conselheiro acusa Rolim e de estar decidindo sozinho.
Rolim se justifica dizendo que o assunto não estava na convocação.
Conselheiros reafirmam o que disse Noronha, que o Estatuto permite sim a votação de tema relevante que originalmente não estava na pauta.
Rolim reafirma de forma veemente que mantêm a decisão e pede ordem.
21:19: Benemérito Carlos Eduardo, do Mais Botafogo: pede a votação do assunto hoje pelo CD, e pede homenagem ao ex-presidente Mauro Ney Palmeiro, hoje presente como benemérito, que em 1993 deu ao CD a decisão de aprovar ou não o projeto para a sede, que então se discutia.
Compara com Maurício, que na ultima reunião nada falou sobre o tema, e dias depois um trator entrou destruindo o campo, sem que o CD soubesse de nada.
Diz que a simples rescisão não é suficiente. Que a infração está cometida, “tem nome e endereço” estão aqui presentes”, e as pessoas devem assumir as responsabilidades, pois houve “excesso ele mandato”.
Critica os que dizem que deve ser aprovado “por falta de projeto melhor”. Diz que não há projeto, que as coisas precisam de plano de negócios. Que não basta a rescisão, que é preciso responsabilização dos autores deste ato.
Rolim fala sobre a ação na justiça que obriga o presidente a se explicar em três dias, e pede para CD aguardar tais explicações.
Gustavo Noronha explica que a ação cautelas é sobre o contrato assinado para operação do campo, mas não sobre o outro contrato, o da obra, continua vigente, e se executada a obra, estará criado o fato consumado.
Anderson Simões, do Mais Botafogo: pede que o presidente pague a conta da rescisão, se houver.
A reunião é encerrada por José Luiz Rolim, mas após o hino, um princípio de confusão.
O benemérito Antonio Carlos Mantuano agride o vice-presidente Paulo Mendes, e depois continua a gritar algo contrato vice. Rapidamente a confusão foi apartada.”

Fonte: Redação FogãoNET