Após a exoneração de Gustavo Noronha da vice-presidência de futebol do Botafogo, coube a Ricardo Rotenberg, VP de Marketing do Clube e um dos integrantes do grupo de trabalho da Botafogo S/A, acumular mais uma pasta e fazer a ponte entre diretoria e jogadores.

Com o Clube vez mais ameaçado pelo rebaixamento, o dirigente não esconde a aflição com a distância cada vez menor do Z4.

— Momento difícil, talvez de perda de confiança do elenco. O Botafogo perdeu algumas peças importantes e não houve reposição. Mas estamos confiantes, os jogadores têm treinado muito forte. Os jogos no Rio são importantíssimos, pois tem a torcida, que tem sido nosso 12º jogador. Estamos acreditando muito que o trabalho vai render, principalmente a partir de domingo, contra o Corinthians — disse em entrevista à Super Rádio Brasil.

No longo papo com o repórter Luan Faro da Super Rádio Brasil, parceira do Fogo Na Rede, Rotenberg ainda falou sobre promoção de ingressos, a importância da torcida alvinegra no atual momento e revelou mais alguns detalhes da Botafogo S/A. Confira:

Já teve conversa com elenco para pedir aquele algo a mais?

— Sim, já tive uma conversa longa com o elenco. Senão me engano na sexta passada. Tenho ido a todos os treinos. Inclusive, vou comparecer ao treino hoje também. Os jogos que restam fora de casa vou a todos. Estou buscando fazer essa aproximação no intuito de passar essa tranquilidade para que os jogadores e a comissão técnica possam render o máximo. Nunca no intuito de interferir, mas sim de passar a importância do clube, deles jogadores. Temos jogadores muito vitoriosos no elenco. Repito: perdemos jogadores e não houve reposição. E começamos a sentir agora, com jogadores machucados e as peças de reposição são poucas. Acaba recaindo sobre os jovens.

— Ainda assim, nossos jovens têm se mostrado de grande valor. O Rhuan já é querido pela torcida. Na verdade, a gente sente muita falta de peças. Temos um elenco incompleto. A atual comissão técnica nada tem a ver com isso, pois chegou depois.

— Agora é muita conversa, muito treinamento, concentração e descanso. Vamos mostrar para eles que estamos próximos e presentes para apoiá-los. É o que temos feito.

Você sentiu confiança no grupo para livrar o Botafogo do rebaixamento?

— Surpreendeu positivamente. Achei que os jogadores estavam muito concentrados em ouvir as opiniões. Se mostraram bastante unidos. O elenco tem um mix de jogadores experientes com jovens e me deixaram uma boa impressão. Um elenco descontraído que tem que sair dessa fase ruim para entrar numa fase melhor e a gente confia nisso. O que nos resta, como dirigente, é apoiar isso e esperar a força da torcida do Botafogo em nossos jogos em casa. Estamos até estendendo a promoção para poder chegar a 30 mil pessoas no domingo. Em termos de comparecimento do público não mudou nada. 18h é até melhor porque a gente pode almoçar com mais tranquilidade.

— O que posso dizer à torcida é que estou dando a minha máxima colaboração possível. Sem atrapalhar o trabalho e tentando conversar um pouco. É o que nós temos que fazer.

— Não adianta as pessoas constatarem hoje que faltam talvez reposição de ataque. Bom, falta reposição de ataque, mas agora ficaremos assim até o final do ano. E torcer para que os machucados voltem logo e que possamos ter um time forte. E um final de ano uma colocação digna da grandeza do Glorioso Botafogo.

Nos próximos jogos em casa o Clube manterá as promoções de ingresso?

— Com certeza. Defendo veementemente isso. A gente espera que seja uma curva ascendente de público Corinthians, Internacional e Ceará, sendo este último jogo com casa 100% lotada. A gente está muito confiante. A presença do torcedor não é único fator de importância, mas a maneira que os torcedores estão apoiando é de extrema importância. Eu vi ontem o jogo do Cruzeiro e Avaí e tinha um público bom no estádio, mas eu não vi a torcida do Cruzeiro apoiar como a torcida do Botafogo está apoiando.

Vocês vão preparar um pacote para as últimas partidas em casa?

— Não, não. Quando é jogo a jogo, fica mais fácil. E hoje é mais fácil comprar, se compra muito online. O torcedor tem muitos pontos de venda física também. Enfim, esse final do ano é muito importante, porque nós somos um clube do futuro no Brasil. O primeiro clube grande que, de fato, vai mudar a forma de gestão para uma Botafogo S/A e então a nossa obrigação é terminar bem esse ano e preparar o ano que vem que se Deus quiser vai mudar o patamar do Botafogo.

Você pode dar mais detalhes da Botafogo S/A para o torcedor?

— Nós estamos finalizando. Tem um grupo trabalhando, estamos elaborando o modelo final. Vai entrar em fase de registro da empresa, com fundo e tudo mais. E já está captando interessados nacionais e estrangeiros dentro desse modelo visando o Botafogo, em algum tempo, poder ter essa parceria que vai gerar muito investimento para o clube e com muito retorno para os investidores. Se você disser qual é a data, eu não sei. Porque na verdade, é um negócio grande para quem está oferecendo, o Botafogo, e para quem está entrando. Então, a gente não pode resolver em quatro semanas um assunto de 30 anos. Mas estamos otimistas. Agora o importante mesmo é terminarmos bem esse ano.

Com a possibilidade da Botafogo S/A, as renovações estão congeladas? Essa briga do Botafogo contra o rebaixamento afasta investidores para 2020?

— Não está exatamente parado. Tem vários jogadores que têm contrato além de dezembro deste ano. Nós estamos aí num momento crucial, então a gente prefere não ficar especulando quem vai ficar e quem não vai ficar. A priori, a grande maioria fica.

— E é óbvio que essa ameaça à Série B deixa preocupado todos nós e, provavelmente, os investidores. Mas são investidores de 30 anos, não é investidor de um ano. Um profissional com capacidade de investimento ele forma com extrema facilidade um time competitivo em que série estiver.

— Mas nós estamos passando confiança a quem nos procura e estamos trabalhando para que possamos entregar já, no primeiro semestre do ano que vem, o futebol na Série A. E com uma base já razoável, eles possam fazer um time mais competitivo ainda. O que nós pedimos para os investidores: respeito à marca, às tradições do Botafogo e que o Clube sempre esteja nas competições para ganhar. As premissas são essas. Aí tem que ter um grau de investimento que esteja de acordo com as tradições do Clube. O business futebol pressupõe que tenha um clube bem, com investimento forte no futebol para render e dar resultado. Todos os estrangeiros que têm nos contactado ficam extremamente impressionados pelas tradições do Botafogo, pela história, pela torcida apaixonada. Enfim, a maior parte já conhece muito a nossa história. Convenhamos, fora do Brasil os clubes mais conhecidos são Botafogo e Santos. A gente tem a oportunidade de transformar o Botafogo num clube de 50 anos atrás.

Fonte: Fogo na Rede e Rádio Brasil