A reforma do Caio Martins e a consequente realização de partidas do Botafogo nos campeonatos Estadual e Brasileiro do ano que vem no estádio não passam de duas incógnitas até agora. Até hoje, praticamente às vésperas do Estadual, que começa em janeiro, não surgiu um investidor interessado em bancar as obras, estimadas em R$ 15 milhões. Diante disso, o presidente alvinegro, Carlos Eduardo Pereira, flerta com Flamengo e Fluminense para embarcar no projeto que pretende reformar o Estádio Luso-brasileiro, da Portuguesa, na Ilha do Governador. Porém, se conseguir viabilizar a revitalização do Caio Martins, vai convidar o Flamengo e o Fluminense para jogar no estádio de Niterói, o que não agrada a moradores do entorno.

Pereira garante que a prioridade do Botafogo é para o Caio Martins. A preferência é pela longevidade do projeto, que prevê melhorias permanentes para o estádio, diferentemente da ampliação, que seria provisória, no estádio da Portuguesa:

— Em Niterói, apresentamos um projeto com utilização de lei de incentivo estadual para beneficiar um equipamento estadual. O problema é que a captação dos recursos não está fácil.

RENÚNCIA FISCAL NÃO CATIVA

Pelo termo de cooperação assinado entre Botafogo, governo do estado e prefeitura de Niterói, no dia 22 de setembro, o clube tem autorização para captar R$ 15 milhões junto à iniciativa privada usando lei que permite a renúncia fiscal. O dinheiro seria para reforma e construção de arquibancadas e reforma de vestiários, cabines e camarotes.

Ao mesmo tempo em que o Botafogo busca recursos para reformar o Caio Martins, Flamengo e Fluminense começaram a desenvolver um plano para ampliar e reformar o estádio da Portuguesa, na Ilha do Governador. O Botafogo se interessou e entrou no projeto, que teria custo estimado em R$ 30 milhões e também seria bancado pela iniciativa privada.

— Se conseguirem viabilizar o estádio na Ilha, o Botafogo vai participar, sem a menor dúvida. E se nós conseguirmos o Caio Martins, ele estará disponível para os dois clubes também — enfatiza o presidente alvinegro.

O Flamengo não comenta oficialmente sobre a reforma no Luso-Brasileiro, mas, nos bastidores, admite que há uma negociação em curso, embora nada tenha sido assinado ainda.

O Fluminense, que tem a relação estremecida com o Botafogo desde o começo do ano por questões políticas envolvendo a Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), também não se pronuncia oficialmente, mas não fecha as portas para a parceria com o time de General Severiano.

A prefeitura de Niterói, que anunciou o acordo para a volta do Botafogo e que assumiu a responsabilidade por ações de ordenamento do trânsito e de ordem pública no entorno do estádio durante as partidas, disse que não foi informada sobre mudança nos planos.

A correria dos clubes em busca de um estádio se deve ao fato de que o Maracanã (casa da dupla Fla-Flu) e o Engenhão (do Botafogo) estarão sob cuidados do Comitê Olímpico Internacional (COI), de janeiro a setembro, para a realização dos Jogos Olímpicos; e, por isso, a utilização para jogos do Estadual e do Brasileiro está vetada.

— Hoje os clubes não têm lugar para jogar em 2016. Só o Vasco tem São Januário. A situação é crítica — alerta Pereira.

O presidente da Associação dos Moradores do Jardim Icaraí, Carlos Luiz Keller, critica a realização de jogos no Caio Martins:

— Somos contra a realização de clássicos e contra a ampliação das arquibancadas para 20 mil lugares. Se Flamengo e Fluminense vierem jogar aqui, piora tudo.

O Caio Martins está praticamente fechado desde 2003. Este ano, o alvinegro recuperou o campo e voltou a usá-lo para treinamento das equipes de base.

Fonte: O Globo Online