Após nove meses, a corda continua no pescoço, mas o laço já não está tão apertado. É assim que o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, se sente atualmente. As perspectivas, antes as mais sombrias possíveis, já não são tão assustadoras e, se as coisas continuarem caminhando bem, é bem provável que em 2016 o Botafogo já consiga respirar sem a ajuda de aparelhos. Na última sexta-feira, após o lançamento da nova camisa, que foi usada pela primeira vez na derrota por 3 a 2 para o Paysandu, o presidente alvinegro fez um balanço de seu mandato até agora. “Já estamos nos planejando para a Série A. Com todo o respeito, a Série B não é o nosso lugar”.

MOMENTO

“O pior não passou, está nos acompanhando. O que conseguimos fazer foi estabilizar a situação. Quando você está numa crise muito violenta, o primeiro passo é estabilizar e é para o que serviu esse ano de 2015. A partir de 2016, o Botafogo vai poder pensar a construir algo.”

PLANEJAMENTO

“O Botafogo é um clube da Série A que está disputando a Série B. Posso até ficar, mas não é nosso lugar. Temos que pensar na Série A sempre, todo dia. Quando montamos esse time, pensando no retorno, estávamos com as contas bloqueadas.”

SALÁRIOS

“Até agora estamos conseguindo pagar tudo em dia. Nestes oito meses, só atrasamos duas vezes, assim mesmo por apenas oito dias — pagamos salários, mas atrasamos direitos de imagem. As ações trabalhistas nos atrapalham muito. Nem todos os juízes olham esse ato como uma decisão superior. Um juiz libera o dinheiro, já outro retém. Na Justiça do Trabalho, quase nunca 1 + 1 é dois.”

ATO TRABALHISTA

“É a maior contratação do Botafogo em 2015. Pagam os todos os meses R$ 1,2 milhão ao Ato Trabalhista. Dava para pagar o salário de um Alexandre Pato”.

DINHEIRO DO BOLSO

“A situação era tão complicada no início do ano, que tive que botar R$ 547 mil do meu dinheiro para pagar uma dívida com o Vitória, relacionada á negociação do Elkeson. Se o Botafogo não pagasse, começaria a Série B com menos seis pontos. Imagina só. Mas o clube já me devolveu a quantia. O Botafogo é bom pagador”

BASE

“Este talvez tenha sido o único legado deixado pela diretoria anterior. E olha que a gente dobrou o investimento. Era de R$ 3 milhões por ano, estamos passando para R$ 6 milhões este ano e esperamos chegar em R$ 10 milhões no final da gestão.”.

ENGENHÃO

“Tem capacidade de pública limitada, escoras que dão uma impressão horrorosa e guindastes gigantescos. O estádio ainda está numa condição complicada. Quando acabar as Olimpíadas, ele vai estar em boas condições. A partir daí, vamos decolar com ele, mas não existe chance de devolução.”

CAIO MARTINS

“A obra não é cara, estimamos em R$ 15 milhões. Ele vai ser uma importante fonte de renda em 2016, quando o futebol Rio terá apenas São Januário para mandar seus jogos, já que o Estádio Nílton Santos e o Maracanã ficarão fechados um bom período por causa do Jogos. Além disso, estamos firmando uma parceria com o Canto Rio, que vai voltar ao futebol profissional.”.

IDENTIDADE CLUBE

“É formar jogadores. A negociação é uma consequência natural. O modelo do Fluminense é interessante de ser seguido. O Botafogo estava preparando o Caio Martins para ser um centro para a base, tanto que estendemos o gramado para a parte de trás dos gols. Nosso planejamento teve que mudar com a possibilidade de transformar em um estádio.”

IDENTIDADE DE JOGO

“Vejo no (Antônio) Lopes, um ganho fantástico que o Botafogo teve. O Botafogo conta com um treinador e um gerente top de linha. O Lopes podendo orientar treinadores é um modelo que pretendemos implantar talvez a partir do próximo ano.”

RACHA ENTRE CARIOCAS

“Tive uma experiência em 1994, como vice-presidente geral, em que criamos uma liga com Flamengo e Fluminense. Do outro lado, ficaram Caixa D’Água (Eduardo Vianna, ex-presidente da Ferj) e Eurico (Miranda). Nós brigamos, criamos um monte de confusões e não deu em nada. O sistema é pequeno e forte se estiver articulado. Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, federação e, eventualmente, o Maracanã formam um sistema forte se tiver diálogo.”

FLA-FLU

“Não preciso ser amigo do presidente do Fluminense ou frequentar a casa do presidente do Flamengo, mas não posso perder capacidade de dialogar com eles. Lamento que Flamengo e Fluminense tenha perdido essa capacidade. O futebol do Rio depende de certos desafios para permitir que outros clubes sobrevivam. Que alegria é ver o América e Portuguesa voltando ao Carioca. Vai dar uma cara de campeonato metropolitano.”

NEGOCIAÇÕES

“O Paulista foi negociado agora por um dinheirão e nós estamos com o nosso sob suspeita porque Flamengo e Fluminense cogitam toda hora disputar outra competição. O subproduto é o enfraquecimento do futebol do Rio.”

EURICO

“Não tenho nenhuma dificuldade de diálogo com o Eurico. As pessoas tem que se despir um pouco de preconceitos. Nem ele é 100% bom, nem eu sou 100% bom, nem o presidente do Flamengo e nem o do Fluminense, que andou me c“hutando minha canela sem menor necessidade e ficou um desconforto.”

Fonte: O Globo Online