O que era calmaria passou a ser tensão. O Botafogo parecia ter conquistado gordura suficiente para um Campeonato Brasileiro tranquilo, mas o péssimo returno colocou os alvinegros “de calculadora na mão” para o projeto que promete mudar o clube em 2020: o plano de negócios da S/A liderado pelos irmãos Moreira Salles. Sem o futuro definido para a próxima temporada, os torcedores estão apreensivos, e o clima na diretoria não é dos melhores. Existe enorme pressão sobre o departamento de futebol, pasta chefiada por Gustavo Noronha.

Faltando apenas oito jogos para o fim da competição, o Glorioso vive situação complicada: está a apenas dois pontos da zona de rebaixamento, e o momento é péssimo. A equipe fez apenas seis pontos e é vice-lanterna do segundo turno do Brasileirão. Para piorar, pega o líder Flamengo na quinta-feira (7), e precisa bater o rival para se afastar do perigo.

Sob o comando de Eduardo Barroca, o Bota anotou 27 pontos no primeiro turno, mas viu o trabalho degringolar na virada para o returno. Os salários atrasados e a queda de rendimento custaram seu cargo. Os jogadores e o vice de futebol Gustavo Noronha foram votos vencidos na decisão autocrática de Nelson Mufarrej, presidente do clube. Não à toa, Noronha se vê um pouco isolado, bem como o gerente Anderson Barros.

Contratado para substituir Barroca, Alberto Valentim comandou o time em cinco jogos: foram quatro derrotas e apenas uma vitória, sobre o CSA, no Estádio Nilton Santos. De lá para cá, barrou medalhões como Cícero e Diego Souza e deu chance aos garotos, como Bochecha e Igor Cássio. Mas o desempenho não evoluiu, e o Botafogo, que chegou a ter apenas 1% de chances de ser rebaixado, agora tem 21,5%, de acordo com o departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que calcula probabilidades no futebol, número maior que o aproveitamento de pontos do clube no segundo turno: 21,1%.

Festejado pela torcida, o projeto de investimento capitaneado pelos irmãos Moreira Salles pode mudar o clube de patamar. A atual diretoria, via Conselho Deliberativo, apoiou e aprovou mudanças no estatuto que permitam a inserção de uma governança corporativa, abrindo espaço para investidores. O clube já possui interessados em colocar dinheiro a partir de 2020, quitando parte das dívidas e investindo paulatinamente no futebol.

Paralelo a isso, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), notório torcedor do Botafogo, tem se empenhado pessoalmente em discussões políticas para a formação de clubes-empresa no Brasil. Além disso, tenta atrair mais investidores para o Alvinegro. Mas tudo isso pode cair por terra com um rebaixamento, já que o Glorioso pode perder importante fonte de receita com a diminuição contumaz das cotas de TV caso vá para a Série B.

Fonte: UOL