Com humildade, o goleiro da seleção vem provando que caminha para ser ídolo do futebol brasileiro, e não apenas do Botafogo.

Da grande legião de fãs que tem, um em especial o tocou profundamente. Certo dia, Jefferson recebeu carta de um traficante que cumpre pena no Presídio Nelson Hungria, em Contagem (MG), o mesmo do ex-goleiro Bruno.

Nela, o presidiário se dizia perigoso e contava que já havia tentado fugir e o faria de novo, mas se confessava fã de Jefferson. Prontamente, o goleiro respondeu a carta, mandando junto uma Bíblia. Pediu que ele lesse um versículo específico.

O gesto do ídolo alvinegro tocou tanto o presidiário que ele desistiu de tentar uma nova fuga, que poderia colocar vidas em risco.

— Eu fico emocionado. Sei do papel que tenho. Ele me mandou essa carta, dizendo ser um grande traficante e que estava decidido a fugir e cometer outros crimes, mas que gostava muito de mim. Fiz com ele o que sempre faço com as pessoas. Mandei uma Bíblia e uma carta agradecendo, pedindo que mudasse o seu caminho — revela Jefferson emocionado, citando a passagem bíblica que indicara na carta. — Lembro-me até hoje. É uma passagem de João: “Conhecereis a verdade, e a verdade te libertará.”

Esse é o exemplo que o goleiro procura dar às filhas Nicole, Débora e Jéssica. Pai presente, ele procura estar com as três filhas sempre que pode. E frequenta desde festas infantis até praias, onde ensina as meninas a pegar jacaré.

 

Jefferson assume que procura ser para as filhas o pai que não teve. Após o fim do casamento, ele e os três irmãos perderam contato com o pai. Mesmo com as constantes viagens, procura dividir com a mulher, Michele, os cuidados com as filhas. Não é raro ouvir, após os treinos, que Jefferson precisa buscar as crianças na escola.

— A vida passa muito rápido, e eu procuro aproveitar cada fase delas. A maiorzinha está fazendo 7 anos, está se desenvolvendo muito rápido, e eu sei que esse tempo não volta mais. No pouco tempo que tenho, procuro ficar com elas. Não tive um pai presente e procuro passar para elas uma coisa que eu não tive. Minha mãe criou os quatro filhos sozinha. Sei da importância de um pai — conta o capitão.

No Botafogo, ele é o irmão mais velho. E procura ajudar os jogadores mais novos ou recém-chegados a se adaptarem à fase atual do clube.

— Sempre digo que eles podem conquistar seu espaço. Tento passar o que aprendi. Nos jogos, tento corrigi-los também. Mas sei o meu lugar. Apenas aconselho — explica.

Importância do Carioca

Corrigir é uma palavra constante no vocabulário do goleiro que, de tão obcecado, busca se aprimorar o tempo todo:

— Quando a bola está perto de nossa área, fico atento e procuro orientar a zaga. Quando está lá na frente, fico repassando na cabeça as jogadas, tentando me corrigir. Se a bola vai para fora, imagino o que teria de fazer se ela viesse em direção ao gol, se estava bem colocado ou não. Eu me corrijo muito. Acontece de, em dois lances parecidos, melhorar meu posicionamento no segundo, porque me corrigi.

O objetivo é um só: ajudar o Botafogo a conquistar vitórias e a se reerguer dentro e fora de campo. Jefferson não tem dúvidas: a conquista do Carioca terá um peso importante na recuperação financeira do alvinegro.

— O resultado dentro de campo é importante para que o Botafogo cresça fora dele. Claro que a situação financeira preocupa, mas o que a gente fizer dentro de campo vai influenciar muito. Vencer o Carioca ajudará a conseguir um patrocínio master definitivo, que é o que precisamos — afirma.

A preocupação do goleiro não se limita a receber em dia o seu salário. Na negociação com a diretoria para que participasse da campanha #NossoJefferson, ele exigiu que o dinheiro arrecadado fosse para pagar também todos os funcionários do clube:

— O time não é só eu, muito menos o clube. Sei de funcionários que perderam até a casa por falta de pagamento. Não é justo que só eu receba se todos trabalham.

Fonte: O Globo Online