O sistema de inscrição de jogadores da CBF apresenta seguidos erros e bagunça campeonatos. Mesmo assim, a procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) decidiu não denunciar a confederação pelas falhas recentes, e continuará a levar em conta os dados duvidosos em ações. Ainda adotou critérios diferentes para supostos atletas irregulares de Brasília e Botafogo.

Fato: a confederação admitiu os erros no BID (Boletim Informativo Diário), que registra a regularidade dos jogadores, e demitiu o diretor de registros Luiz Gustavo Vieira de Castro. Esse é o sistema que iniciou processos que interferiram no rebaixamento e na ascensão do Brasileiro das Séries A e B, em 2013, e agora modificou o destino da Copa Verde.

O caso do Brasília é ilustrativo. O time registrou a renovação de contratos de quatro jogadores. A CBF protocolou a extensão dos acordos com atraso no BID. Resultado: a procuradoria denunciou e a 1a instância do STJD tirou a taça da Copa Verde do time brasiliense por usá-los na final com o Paysandu.

Em seus votos, os auditores recomendaram que o procurador Paulo Schmitt investigasse os erros cometidos pela confederação, incluindo o diretor de competições, Virgílio Elíseo. “Foi unânime o voto para que o procurador apreciasse a conduta da CBF. É obrigatório ele analisar”, afirmou Paulo Valed Perry, presidente da comissão julgadora.

Pelo código desportivo, a confederação pode ser punida com multa e pode ter diretores suspensos e multados: a acusação poderia ser contra a entidade, e não cartolas. Isso não vai acontecer porque Schimmitt não fará nenhuma denúncia contra a CBF.

“(Luiz Gustavo) já foi denunciado antes. Vou denunciar para que agora se ele já está demitido? Só ele que responde como diretor. Não há outro funcionário”, afirmou Schmitt. “Denunciei ele quatro vezes. Você está desinformado.” Ao ser questionado quais foram as punições, o procurador afirmou que houve multas. Nenhuma suspensão registrada.

Schmitt também informou já ter arquivado o caso das supostas irregularidades de Emerson Sheik e Edílson, do Botafogo, no clássico com o Flamengo. Os jogadores tinham cumprido suspensão por cartão, mas a CBF errou no BID e informou que eles deveriam se afastar do jogo. O Botafogo escalou ambos. Para Schmitt, o caso está esclarecido pela confederação, e ninguém será punido.

Só que a falha da CBF é similar a cometida com o Brasília, que foi sancionado. Ou seja, os atletas estavam em situação regular, mas a confederação cometeu erros no BID. O procurador do STJD, no entanto, vê situações diferentes: “Uma coisa é contrato, e outra é suspensão.”

O auditor Paulo Valed Perry dá explicação distinta: “Se o nome não está no BID, não está regular. O BID existe para que o STJD não tenha dificuldade para identificar quem está regular, e quem não está.”

Em meio à confusão que se instalou nos campeonatos nacionais, o sistema de inscrição da CBF, com seguidas falhas, continuará a ser usado como referência para casos de jogador irregular, segundo Schmitt. E clubes poderão ser responsabilizados por erros que, em certas situações, sequer são deles. Lembre-se: o procurador foi indicado pela confederação, e já fez viagens às custas dela.

Fonte: Blog do Rodrigo Matos - UOL